Em “Norman Fucking Rockwell!”, Lana nostalgicamente nos transporta à Califórnia

Desde Lust For Life, seu último álbum lançado em 2017, Lana Del Rey começou a...

Lucas RibeiroNotícias31 de agosto de 2019

Desde Lust For Life, seu último álbum lançado em 2017, Lana Del Rey começou a lançar no ano passado uma série de singles, co-produzidos pelo seu novo colega de trabalho, Jack Antonoff. Após tanta espera, na última sexta-feira (30), seu sexto álbum de estúdio, “Norman Fucking Rockwell!“, foi lançado.

Como de costume, Lana cria uma atmosfera poderosa que condiz com as temáticas e estéticas de seus álbuns. Nesse disco, foi a primeira vez que a cantora trabalhou com o famoso produtor e compositor, Jack Antonoff.

Jack já produziu grandes hits de Taylor Swift e o aclamado álbum de Lorde, Melodrama.

Porém, será que a parceria com Lana iria funcionar? A cantora contou em uma recente entrevista que ele a convidou para o estúdio e Lana topou, mesmo que na época ela não estivesse compondo. A primeira música que fizeram juntos foi a sexta faixa do álbum, Love Song.  A partir desse momento, a cantora percebeu que eles tiveram uma química instantânea, o que deu início ao processo de produção de Norman Fucking Rockweel!.

O ÁLBUM

 Com 14 faixas, o disco flui muito bem, com músicas que não tem o propósito de ser o próximo “hit” nas rádios. As produções sutis, simples e certeiras, dão maior destaque à voz, letras e melodias. Grande parte das músicas são compostas por piano, violinos, violão e alguns acordes de guitarra, que já são combinações conhecidas no repertório de Lana. Se em Ultraviolance, o seu álbum mais aclamado pela crítica e fãs, a produção também era simples e acompanhada de guitarra, que deixavam toda a atmosfera sombria e pesada, aqui em seu novo trabalho, acontece o oposto. As combinações de melodias etéreas deixam a atmosfera das músicas leves. É claro que momentos melancólicos estão presentes no disco, mas nenhum deles apresenta esse tom dramático e pesado, como em suas músicas do passado.

Doin’ Time é um cover da banda de rock Sublime.

A simplicidade entrega o tom das músicas e exatamente as histórias que Lana quer contar: reflexões da vida, solidão, amor, busca pela felicidade, relacionamentos que não deram certo e o caminho que o mundo está tomando.

Mais do que nunca, Lana Del Rey nos presenteia com letras poéticas, simples e até com um tom de desabafo, que em certos momentos beiram ao humor sarcástico. Tendo referência a consagradas bandas de rock e a Califórnia, ela se prova mais uma vez ser uma das melhores compositoras da indústria musical atualmente.

DESTAQUES DO ÁLBUM

Norman Fucking Rockwell

Iniciando o disco, essa é uma faixa que com o crescimento da orquestra junto aos acordes do piano, torna-se grandiosa. A música fala sobre aquele amor que não acrescenta nada de positivo a ela, mas a comodidade de ter alguém, não a deixar mudar. A cantora reforça várias vezes a falta de imaturidade desse seu suposto companheiro. Ao mesmo tempo em que a letra retrata esse relacionamento conturbado, ela consegue ser sarcástica com o verso genial: “You fucked me so good, that i almost said i love you”. Esse contraponto se relaciona exatamente com o que Lana quer passar com o disco: em meio ao caos e tempos difíceis que o mundo está passando, é preciso achar um ponto de alívio e comicidade nas situações da vida.

Mariners Apartament Complex

Acompanhada por violão, violinos, guitarra e sons do mar que ecoam ao fundo da faixa, é possível sentir um estado de inércia e tranquilidade. A letra tem uma construção narrativa, e que no geral fala sobre o modo que Lana era tratada na mídia e como isso afetou as suas relações interpessoais. Ela abre a faixa com o verso “You took my sadness of context”, em referência a famosa entrevista de 2014, ao jornal The Gardian, em que ela falou: “queria estar morta”. Por mais que na narrativa ela use artifícios para falar sobre amor e um homem em específico, a música é no fundo direcionada em como a sua imagem era vista pelo público, e as consequências disso em sua vida e na construção de sua personalidade.

Love Song

 Sendo a primeira música escrita para o disco, a letra é delicada e sensível, que condiz com os arranjos vocais e melodias. O vocal é mais contido e com menos harmonias vocais, deixando em maior destaque a voz natural e o piano. A música é sobre o momento em que você se apaixona e entrega totalmente a uma pessoa, e de como Lana se sente livre em ser quem ela realmente é com o seu par.

The Next Best American Record

 The Next Best American Record é uma baladinha com o refrão que acelera o ritmo da música. A produção é rica de detalhes, com alguns sintetizadores bem ao fundo junto aos addlips. O grande destaque está na composição, quando a cantora usa referências de cidades, como Topanga e Malibu, e algumas das grande bandas de rock, Led Zeppelin e The Eagles, para construir uma cenário nostálgico ao descrever uma grande amor que a Lana teve.

Hapiness is a butterfly

Alternando entre versos poéticos e outros mais literais, essa música é um grande destaque do álbum. Lana aborda de forma sincera, e por meio de algumas metáforas, a sua busca pela felicidade. A letra fala como no passado ela já foi machucada tantas vezes, que agora já não se importa mais e não tem medo do que um futuro relacionamento possa causar.  Em termos de produção, o refrão é mais energético, mesmo que a música fique no midlle tempo. Nele, os vocais tornam-se mais agudos, e até mais agressivos, evocando aos ouvintes aquela vontade de cantar junto. Depois do segundo verso, a música deixa de ser voz e piano, e cresce com a adição de violinos, o que deixa a faixa ainda mais especial.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diferente de seus álbuns anteriores,Norman Fucking Rockwell!“é uma grande conversa entre Lana e seus ouvintes. É como se estivéssemos ouvindo histórias e os pensamentos da cantora, que junto à produção leve e simples, a sensação de 1 hora de álbum, se torna leve e agradável. É aquele disco ideal para botar no carro e sair dirigindo por aí. A parceria com Jack ntonoff se provou um sucesso, com produções cheias de pequenos detalhes que elevam a músicas a outro patamar. Lana Del Rey não está tentando ser algum personagem enigmático ou fazer o próximo grande hit. Em meio a poesias, metáforas e referências culturais, ela entrega sua arte da forma mais sincera e confessional possível, comprovando que às vezes a simplicidade pode engrandecer ainda mais suas palavras e mensagens.

NOTA: 9/10

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