“Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D” transforma música em puro cinema 

Filme-concerto com co-direção de James Cameron chegou ao cinema na última quinta-feira (07)

Foto: Reprodução Paramount Brasil/YouTube

“Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D”, novo filme-concerto da cantora norte-americana, chegou aos cinemas nesta quinta-feira (07). Co-dirigido por Eilish e o diretor James Cameron, o longa promove uma verdadeira imersão no show da turnê homônima do álbum “HIT ME HARD AND SOFT”, lançado em 2024. 

A montagem do filme intercala o show com arquivos de backstage, gravados majestosamente por Cameron e equipe durante cerca de quatro noites em Manchester, no Reino Unido, e Phoenix, no Arizona. A captação em 3D eleva a produção para além de uma mera obra audiovisual, transformando o filme em uma verdadeira experiência para quem vai à sala de cinema. 

A tecnologia de ponta somado a um storytelling bem construído resultam em uma parceria de co-diretores daquelas que não sabíamos que precisávamos até tê-la entre nós. O filme demonstra sequências de escolhas criativas infalíveis que teletransportam o público para a Co-op Live Arena naquela noite. 

“Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D” é a perfeita união da magia do ao vivo e do cinema

O filme começa com a euforia incomparável do início de show, quando todos os olhos estão voltados para o mesmo ponto e os corações batem em sinfonia. Em uma grande caixa de luzes de led brancas, Billie Eilish surge ao som de “CHIHIRO” enquanto à plateia vai à completa loucura com sua chegada. 

A história então volta para 11 minutos antes do início do show, quando temos acesso a um POV exclusivo da cantora dentro da hard case onde ela é levada até o palco central sem ser notada pelo público. Ao subir no palco, há uma câmera que a acompanha dentro do cubo suspenso de onde ela surge, revelando um ponto de vista totalmente inédito da artista no início do show.

O filme é estruturado em flashbacks daquele mesmo dia, em diferentes marcadores temporais, hora 11 minutos antes do início do show, hora 14 horas antes. A estrutura não linear é uma boa escolha para o dinamismo do filme, destacando as mais diferentes etapas de preparação até que Billie suba ao palco. 

É revelada, então, a conversa entre artista co-diretora, Cameron e equipe durante a passagem de som, quando a jovem diz que gostaria de gravar sua visão de dentro do cubo de led. A cena revela o olhar criativo cuidadoso de Eilish, que a todo momento demonstra saber exatamente o que está fazendo. 

Um filme protagonizado pelo fã

À medida que o show se sucede, é inegável a presença magnética de Eilish a cada nova música do setlist. A artista toma conta de um enorme palco coberto por telões e leds, sem necessidade de qualquer super produção com investimentos em bailarinos, trocas de figurinos, efeitos especiais ou coreografias complexas. 

O grande destaque do longa é, no entanto, os fãs que cantam palavra por palavra, em meio à lágrimas e completo êxtase. O trabalho de som em Dolby Atmos aprofunda ainda mais as camadas cuidadosas de áudio, fazendo possível ouvir a plateia cantando de corpo e alma juntamente à Billie ao longo de todo tempo de duração do show. 

O protagonismo é do fã na tela e fora dela também, já que toda a produção foi pensada para levar a experiência para dentro da casa deles, seja esse um fã que não teve a oportunidade de assistir a apresentação ao vivo, ou o que esteve lá, mas quer reviver a memória. 

Billie Eilish em meio aos fãs para o filme Billie Eilish - Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D
Foto: Reprodução Paramount Brasil/YouTube

Retrato genuíno de uma artista 

Filmes-concerto são projetados para captar cada nuance de um espetáculo ao vivo com perfeição. Desde os detalhes em cima do palco, até as cenas de bastidores, cada take perfeito conta. Um dos grandes exemplos atuais do gênero é “Taylor Swift: The Eras Tour”, o filme-concerto com a maior bilheteria de todos os tempos. 

 “Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D” chega aos cinemas menos de três meses após o lançamento de “The Moment”, mockumentary protagonizado por Charli XCX. Na ficção, a britânica propõe uma sátira não somente à esse formato, mas a indústria cultural que hoje valoriza cada vez mais os produtos feitos unicamente com foco em repercutir, mas não necessariamente gerar conexão real. 

É nesse ponto que mora o grande trunfo de Billie Eilish: o filme retrata uma artista genuína. Notável quando ela aparece sentada com os técnicos de iluminação do show decidindo as cores de luzes para cada música, até o momento em que ela compartilha suas inseguranças quanto a roupas e aparências. 

Além de sempre presente nos bastidores, essa autenticidade é ainda mais gritante em cima do palco. Quando Billie pede silêncio da plateia para ser bem-sucedida nas camadas do looping de “when the party’s over”, é perceptível mais uma vez como ela está no controle da sua narrativa, seja em sua comunicação com os fãs, co-dirigindo com James Cameron ou se encarregando de fazer seu próprio cabelo e maquiagem para o palco. 

Autenticidade e espetáculo caminhando juntos

“Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D” captura a essência de uma artista que entende o próprio trabalho em cada detalhe. Entre a grandiosidade visual do cinema, a força estrondosa da música ao vivo e a intimidade dos bastidores, o longa transforma cotidiano em espetáculo sem deixar a autenticidade pelo caminho. É uma experiência cinematográfica completa, que abraça os fãs e traduz por inteiro a grandiosidade de uma das artistas mais interessantes da geração.

Nota: 9/10

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