Entrevista: Pedro Emílio fala sobre indicação ao Grammy Latino, novos trabalhos e mais

O artista se prepara, agora, para o lançamento de um novo single

Foto: Cred. Alexandre Toffoli

O cantor e compositor Pedro Emílio conseguiu, recentemente, um feito impressionante: o álbum de estreia do artista – produzido de forma independente – conseguiu uma indicação ao Grammy Latino 2025! “Enquanto Os Distraídos Amam” concorre à categoria de Melhor Álbum de Engenharia de Gravação.

Leia mais: Exclusiva: Feyjão revela a tracklist da segunda parte do álbum “Passageiro do Bem”

Leia mais: Santos Bravos: conheça o primeiro grupo latino da HYBE Labels

Com oito composições autorais e participações de Mestrinho e Paulo Novaes, o trabalho mistura pop, indie e R&B em faixas que falam de paixão e desilusão. E, para completar o pacote, o som conta com produção de Matheus Stiirmer – o único brasileiro no Grammy Latino 2025 indicado na categoria de Produtor do Ano -, que divide a engenharia de som com Tó Brandileone. A mixagem é assinada por Pedro Peixoto, indicado pela 3a vez na mesma categoria do Grammy, e a masterização por Fili Filizzola.

Nascido na Bahia e radicado em São Paulo, o artista busca, agora, alavancar ainda mais sua carreira. Após sua primeira indicação ao Grammy Latino, Pedro Emílio apresenta o single “Plano Original” – que nasceu da vontade do artista em criar uma canção mais enérgica.

“Eu cheguei com o arranjo e a harmonia praticamente prontos. O ritmo já estava todo no violão e, no estúdio, a gente deu vida com os outros instrumentos”, comentou. A composição é assinada pelo próprio cantor, em parceria com Fabiano Ribeiro e Davi Mohallem. “Plano Original” chega às plataformas nesta quinta-feira (22), às 21h.

Em entrevista recente ao Tracklist, Pedro Emílio falou sobre sua recente indicação ao Grammy Latino, seu momento atual na carreira, próximos projetos e outros assuntos. Confira a conversa abaixo!

Entrevista: Pedro Emílio

Seu primeiro álbum de estúdio, “Enquanto os Distraídos Amam”, foi recentemente indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Engenharia de Gravação! Primeiramente, como você definiria esse projeto?

“Acho que eu definiria, antes de tudo, como um projeto marcante em vários sentidos. Não só a nível de números, mas também a nível emocional. Foi um projeto que marcou a minha vida, pelas pessoas com as quais eu o construí e pela maneira como ele nasceu e cresceu dentro de mim. Acho que, se eu conseguisse definir esse projeto com uma palavra, seria ‘marcante’. Marcante na minha carreira”.

O disco foi lançado de forma independente. Neste sentido, como foi o processo de criação deste trabalho? De onde vieram as principais inspirações que guiaram as temáticas, estética e sonoridade?

“Acho que esse disco nasce da atenção – não só à música, mas a filmes, séries, conversas, mesas, encontros. Eu acho que a atenção é uma força motriz muito importante para esse disco ser o que ele é hoje. Então a temática passa pela atenção, a estética passa pela minha atenção com os meus amigos, porque esse plano todo, essa estética que é construída ao redor do disco não foi construída apenas por mim. Ele é todo feito com base na atenção plena aos detalhes, às coisas que passaram e passavam pela minha vida na época em que eu estava escrevendo [as músicas]. O processo de criação dele foi um processo de dois anos, desde composição e sessões, etc. Muitas músicas foram nascendo durante o processo de feitura do disco, as canções foram nascendo, também”.

“Então, eu acho que por muito tempo eu me vi atento à distração das pessoas. Eu acho que daí vem o nome, também. O meu papel como compositor foi olhar para elas e tentar fazer dessas distrações histórias interessantes e músicas boas, né – além de histórias boas, houve uma preocupação em fazer boas canções. Tiveram várias composições que não entraram porque eu achava achava que não era algo que eu achava tão bom a ponto de entrar nesse disco, que eu queria que fosse algo de fato marcante. Então eu garimpei muito e, dentro de mim, houve muitos processos acontecendo para que esse disco saísse dessa maneira”.

Esse processo de criação foi muito plural. Além disso, foi atencioso, cuidadoso e minucioso; sempre tentando fazer um trabalho muito bem feito. Entre as inspirações, consigo citar aqui, a nível de sonoridade, sessões onde a gente ouviu Léo Santana, para entender um pouco mais de groove – e é um cara que eu amo; ouvimos Thierry, para pegar algumas referências de como falar com o povo de uma maneira interessante. Tivemos sessões onde ouvimos Tom Misch, para entender um pouco mais de como o timbre da guitarra poderia soar, como o balanço poderia acontecer de uma maneira que a gente gostasse, também. Gilberto Gil e Djavan, que acompanharam minha infância inteira, então é inevitável serem minhas referências. Mas eu acho que gosto sempre de citar essas outras referências mais atuais, e também visas como longe de mim pelo mercado da música. Thierry e Léo Santana são caras que eu gosto muito de ouvir, e eu acho que tem muito deles que consigo colocar na minha trajetória de vida, mesmo fazendo um som que não é igual ao deles”.

pedro emílio
Foto: Cred. Alexandre Toffoli

Existe alguma faixa do disco que você sente que se destaca no projeto? Se sim, por quê?

“É muito difícil falar de uma faixa só, acho que por ser um disco que eu gosto muito. E, antes dele ser lançado, eu já gostava muito desse disco – não por ser meu, porque eu nem sinto que ele é tão meu. Esse disco é de várias pessoas, né? Que são os meus amigos. Ele é um disco do Matheus [Stiirmer] também, que foi indicado a Produtor do Ano. Então, acho que é difícil pra mim olhar pra uma faixa e falar: ‘Ah, não, acho que é essa aqui’. Mas a resposta poderia ser: não, não acho que tenha uma que se destaca; mas, a nível de número e a nível de aceitação dos ouvintes, é ‘Amor Inteiro’. É uma faixa que eu sempre acreditei bastante, que eu fiz com o Paulo [Novaes]. É uma canção em que eu sempre acreditei bastante. Então, quando a gente escreveu ela, a gente sempre falava: ‘Caraca, essa música é boa!’ E a gente deixava ela marinar um tempo, nos encontrávamos e íamos tocar: ‘Caraca, ela é boa mesmo!’ E a gente foi dando conta, foi tomando a noção de que ‘Amor Inteiro’ era uma música em que a gente acreditava, e colocamos ela no disco da maneira como ela vem”.

“Então eu acho que existe um destaque nela. Acho que também por conta do feat com o Paulo, que é um feat muito importante pra mim. Gosto muito de ‘Saliva’, ‘Eu, o Camarão e Ela’. Acho que ‘Eu, o Camarão e Ela’ tem um nome chamativo, então, às vezes, ela acaba se destacando pela curiosidade das pessoas; e eu acho isso muito legal. Teve gente que já falou: ‘Mano, eu dei play por conta do nome da faixa’. Acho que isso é legal também, essa curiosidade. Então destacaria essas duas: ‘Amor Inteiro’ e ‘Eu, o Camarão e Ela’. Não que elas sejam minhas preferidas, porque é difícil escolher uma preferida, né? Gosto muito de ‘Sonhava com a Gente’, também, ‘DEGRADÊ’, enfim… eu gosto desse disco. Eu gosto desse disco mesmo. E não porque ele é meu, como eu disse. Eu gosto da obra que é ‘Enquanto os Distraídos Amam’, e sou muito feliz com esse disco. Antes de qualquer número ou conquista ou visibilidade, enfim… Eu acho que, se esse disco fosse lançado só para mim e ninguém mais ouvisse, eu ia estar falando: ‘Pô, que disco legal, eu estava feliz’ e tal. Mas claro que, quanto mais pessoas ouvirem, melhor. E, quanto mais pessoas conhecerem o meu trabalho, também vou ficar extremamente feliz com isso”.

Como foi receber a notícia da indicação à premiação? O que essa conquista representa para você – tanto profissionalmente quanto de forma pessoal?

“Acho que a notícia da indicação veio de maneira completamente inesperada. Não era algo que eu esperava que fosse acontecer, por ser meu primeiro disco. Enfim, acho que a expectativa era, se não nula, quase nula – era baixíssima, porque a concorrência é muito grande. Tem muitos outros nomes muito importantes na indústria, e outros lançamentos muito bons, também, que eu acho que mereceriam estar nessa premiação. Mas receber a notícia foi inesperado. Acho que não dá pra encontrar outra palavra, eu não esperava mesmo”!

“Essa conquista representa, para mim, um marco. E aí, volto lá na primeira pergunta: acho que, mais uma vez, esse disco ganha o adjetivo de ‘marcante’ – dessa vez, profissionalmente; na minha carreira. De forma pessoal, ele já era, mas eu acho que essa conquista do Grammy… é inevitável que ela destrave algumas conexões. Não acho que ela chegue a abrir portas, porque acho que tem isso… vende-se esse lugar de ‘caraca, você foi indicado ao Grammy, e agora tá tudo bem’, ‘agora, meu Deus, tudo vai mudar’… sendo que não tanto. A realidade é essa. O que vai fazer as coisas pegarem tração é eu continuar fazendo boas músicas, continuar fazendo um bom trabalho, continuar fazendo um bom planejamento da minha carreira”.

“A indicação é mais um fruto do que algo que a gente esperava ou buscava. Acho que é um fruto de um bom trabalho, de um trabalho longo, um trabalho suado, um trabalho onde a gente colocou uma lupa muito estratégica em várias frentes – não só no nível de engenharia de gravação, mas no nível de divulgação, no nível de estética. Fico muito feliz que foi indicado nessa categoria. Acho que os nomes que estão na categoria de Melhor Engenharia de Gravação são nomes muito importantes para mim, são nomes marcantes para o mercado e para o disco em si; pessoas que eu sonhei em trabalhar, e fico feliz de estar ao lado deles com esse projeto em específico. Fico muito feliz”.

“[Essa conquista] representa mais do que uma celebração e um final: ela representa o início de algo. O início de uma possibilidade, o início de viver de música, que é algo que eu ainda não vivo, e não me envergonho de falar sobre isso. Mas é o início, né? Antes desse disco, eu tinha 240 ouvintes mensais, que é a realidade de vários artistas no Brasil. E eu acho que isso representa esse ‘antes e depois’, talvez. Essa validação da Academia acaba sendo marcante nesse sentido de: “‘Ok, depois disso, existe uma expectativa maior do público, da academia, dos ouvintes’, enfim… de manter a qualidade do trabalho. Acho que representa uma parada de: ‘Daqui pra frente, seria legal se a gente mantivesse essa qualidade nos trabalhos, nos projetos’. E é o que a gente vai tentar fazer para os próximos lançamentos”.

Foto: Cred. Deborah Messias

Ao criar este álbum, você imaginava que ele chegaria a esse nível de reconhecimento?

“Difícil essa pergunta. Boa pergunta também. Eu acho que nós, artistas, sempre colocamos expectativa nos fonogramas que a gente cria. Então, a expectativa pode atrapalhar, talvez, um possível caminho natural que esses fonogramas tomem nas pessoas. Acho que esse nível de reconhecimento do Grammy, mas além disso, o nível de reconhecimento de mais de um milhão de plays em quatro meses, por ser meu primeiro disco, eu acho que também é um reconhecimento”.

“Então, falando sobre tudo isso – não somente sobre o Grammy aqui, mas também sobre a música – eu não imaginava que chegaria nesse lugar, nesse reconhecimento. Que seria indicado, que teria um milhão de plays em quatro meses… não imaginava mesmo. Pelo contrário, várias faixas a gente imaginava que não bateriam mil plays, porque era a realidade da minha carreira. Como eu disse, eu tinha 240 ouvintes mensais. Então, é muito difícil imaginar essas coisas quando você está no nível do underground mesmo, entendeu? Existe essa parte dos artistas do Brasil. O Brasil tem muitos artistas que estão ali, nessa pasta de menos de mil ouvintes mensais; estão tentando, não vivem disso, têm outros empregos e tal. Então, é muito difícil imaginar que chegaria a esse nível de reconhecimento, nessa hora”.

“Acho que eu responderia essa pergunta de uma outra maneira para o meu disco do ano que vem, por exemplo. Não que vá ter um disco no ano que vem – talvez, não sei se eu posso dar esse spoiler – , mas é porque é diferente. Você parte de um lugar de imaginação, de expectativa. Você parte de um degrau de expectativa um pouco maior, com público, com ouvintes, com audiência maior. Então, eu acho que a expectativa tende a ser maior também. Mas eu não imaginava que chegaria a esse nível de reconhecimento. E estou, assim, vivendo um sonho assustadoramente feliz, realizado. Estou como quem sonha, basicamente”.

“Tudo parece que vai desmoronar em segundos, porque viver essa possibilidade da música na minha vida é algo que eu sei que muitas pessoas sonham – e eu me sinto privilegiado, assim, de estar tendo esse reconhecimento e de estar tendo essas oportunidades dentro dessa carreira musical. Enfim, não imaginava que o álbum chegaria a esse nível de reconhecimento. Mas acreditava. Sempre acreditei. Mas imaginar, acho que não”.

Este é apenas o seu primeiro álbum de estúdio, e já rendeu o reconhecimento na premiação de maior prestígio na música latina. Como você avalia esse momento da sua carreira, e o que vem a seguir?

“Eu avalio como o momento mais alto da minha carreira até aqui. Ele é, de fato, o momento em que estou em um lugar onde sonhei por anos. Mas eu ainda sonho com coisas muito maiores, muito maiores mesmo, e que eu guardo no meu coração. Estou feliz de ter alcançado esse sonho, mas ele não para aqui”.

“Então, o que vem a seguir é mais música. Mais música feita com o coração, feita com a alma, feita com verdade, feita com intenção. Esse ano ainda teremos novos lançamentos – trabalhos em que acredito tanto quanto acreditei e acreditava no disco ‘Enquanto os Distraídos Amam’, ou até mais. Agora, com essa audiência, com pessoas me ouvindo, talvez eu acredite mais ainda nesses próximos lançamentos. Esse ano ainda temos alguns lançamentos previstos. E, para o ano que vem, existe um sonho meu de tentar fazer um álbum. A gente já está namorando essa ideia, já estou escrevendo algumas coisas que gosto. Ele já está nascendo também de forma natural. E eu acho que isso que é o mais legal de fazer música com verdade: é perceber a música nascendo – nos momentos, nas pessoas, em mim – e indo para o mundo”.

“Então, a expectativa e o sonho que eu tenho – e eu não estou prometendo nada aqui – é que ano que vem a gente também tenha muito mais música. E estou muito ansioso pra isso. Para esse ano, o que eu posso prometer é: mais lançamentos. E no plural mesmo. É a previsão. Espero que tudo dê certo para que isso aconteça, e estou trabalhando para isso”.


Quer acompanhar as principais novidades de música, cinema, streaming, premiações e cultura pop em tempo real? Siga nossos canais no Instagram e WhatsApp. Nos acompanhe, também, no XBluesky, no Instagram e no TikTok!

Últimas Notícias
Mais Lidas