Cantor estreia nos palcos brasileiros em fevereiro de 2026

Por Ludmilla Correia, em San Juan, Porto Rico – Um nome que até então era “desconhecido” para alguns passou a fazer barulho no noticiário para além do mundo da música. Benito Antonio Ocasio Martínez, também conhecido como Bad Bunny, segue impactando novos públicos, seja com o álbum “Debí Tirar Más Fotos” (2025), sua campanha publicitária da Calvin Klein ou a imponente residência em Porto Rico.
O Tracklist acompanhou uma das 30 datas da “No Me Quiero Ir de Aquí”, série de shows do cantor que, desde julho, acontece no Coliseo José Miguel Agrelot, em San Juan. Essa maratona, que vem recebendo cantores locais, atletas e celebridades de Hollywood, antecede a turnê mundial de Benito, que inclusive vai passar pelo Brasil.
Bad Bunny se apresenta pela primeira vez em terras brasileiras nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2026, no Allianz Parque, em São Paulo, com a “Debí Tirar Más Fotos World Tour”. A turnê passará por mais de 15 países entre América Latina, Europa e Ásia — e teve os Estados Unidos excluídos do roteiro.
Convidados ilustres, cenografia realista, recordes no turismo porto-riquenho, além da alta movimentação econômica, cultural e política, são alguns dos pontos que fazem o astro estar em evidência. A junção de tudo isso traz um ar de curiosidade sobre como vão ser os shows do cantor por aqui.
Falando do Brasil, é uma surpresa ver que o cantor fará duas apresentações. Até então, nosso país era um local “esquecido” pelo “coelhão”. Talvez a primeira vez que os fãs brasileiros tenham se sentido “notados” pelo cantor foi no vídeo da música “Where She Goes” (2023). O clipe contou com a participação da modelo brasileira Juliana Nalú e do “rei do rolê aleatório” Ronaldinho Gaúcho, além de algumas peças de LEGO nas cores verde e amarelo, que deixaram a galera intrigada.
Durante o anúncio da turnê, Bad Bunny citou explicitamente o desejo de estar em terras brasileiras. Coincidência ou não, os shows do artista por aqui acontecem na semana do Carnaval. Neste ano, o cantor chegou a compartilhar um story do bloco de Carnaval da festa ¡SÚBETE!, que aconteceu em março. Segundo a SP Turismo, mais de 6 mil pessoas estiveram nas ruas da capital paulista curtindo sucessos do reggaeton, inclusive de Bad Bunny.
Atento aos mínimos detalhes, a experiência do show deve começar bem antes de Benito subir ao palco.
Durante a “No Me Quiero Ir de Aquí”, na capital porto-riquenha, um dos primeiros pontos de atenção é a grandiosa estrutura do palco principal, que reproduzia espécies de árvores e flores nativas da Ilha do Encanto, onde estão as famosas cadeiras que estampam a capa de seu mais recente álbum. Já o segundo palco, no qual ele recebe seus convidados, é uma réplica de uma típica casa porto-riquenha, que facilmente poderia ser uma casa brasileira.
Até os copos de bebida reproduziam a vela que fazia parte da capa do single “Una Velita”, e as pulseiras luminosas se transformavam em flashes de câmeras, remetendo à temática do cantor de “tirar mais fotos”.
Quem espera uma versão reduzida da residência pode se decepcionar: o que Benito está fazendo em sua terra natal é algo único e provavelmente não deve ser reproduzido fora de Porto Rico.
Se você acompanha minimamente o cantor ou já viu imagens das apresentações, deve ter percebido que o impacto visual é uma das marcas de sua obra. Antes de cada show, ele apresenta fatos históricos, culturais e políticos de Porto Rico. Essa ação educativa pode continuar na turnê, mas adaptada para cada local.
A “Debí Tirar Más Fotos World Tour” deve trazer um elemento surpresa — ou digamos, único — para cada país por onde passar. Sempre levando Porto Rico consigo, é provável que Bad Bunny se aprofunde na cultura de cada local, especialmente na América Latina.
O setlist da atual série de shows revisita toda sua discografia ao longo de três horas, mas deixa de lado canções dos álbuns “Las Que No Iban a Salir” (2020) e “El Último Tour del Mundo” (2020). Apesar de seu forte ser o reggaeton, ritmo de sonoridade semelhante ao funk, o show conta com uma base instrumental robusta, já que ele também passeia por outros gêneros musicais típicos de Porto Rico, como salsa, plena e bomba.
Um dos maiores triunfos da residência do cantor — senão o maior — é o poder de unir a comunidade latina por meio de sua arte, fazendo até aqueles que não se identificam com latinos entenderem, de maneira sutil, parte da sua ascendência, potência e da riqueza cultural de sua terra natal e dos países hermanos.
Boa parte dos brasileiros, assim como a jornalista que vos escreve, talvez perceba as semelhanças entre Porto Rico e o Brasil por meio dos instrumentais, da dança das bailarinas ou até mesmo de um item específico do cenário (neste caso, uma antena parabólica).
Se após um show de grandes artistas femininas as garotas saem com a sensação de que podem fazer tudo o que quiserem (e sim, elas podem), a sensação após ver Bad Bunny ao vivo é semelhante. Mas, nesse caso, é também um aconchego, um sentimento de pertencimento e a vontade de amar e cuidar da nossa cultura e raízes.
SERVIÇO
Apresentação: 20/02/2026 e 21/02/2026
Local: Allianz Parque
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-200
Ingressos: Ticketmaster






