Entrevista: Yuri e Kaynã falam sobre lançamento e ‘boom’ do country

Promessas do country pop do Brasil, Yuri e Kaynã vêm ganhando força na cena nacional....

Redação TracklistEntrevistas19 de agosto de 2025

Yuri e Kaynã. Foto: Divulgação

Promessas do country pop do Brasil, Yuri e Kaynã vêm ganhando força na cena nacional. Não à toa, já dividiram palco com nomes consagrados do sertanejo, como Bruno e Marrone, Ana Castela e Lauana Prado, além de realizarem feats com Fernando Zor e Manutti.

Recentemente, a dupla lançou o single “Pistoleira”, com participação da revelação paranaense Brenda D’Angelis. Em entrevista ao Tracklist, Yuri e Kaynã falam sobre a novidade, avaliam a carreira e debatem o espaço do country no Brasil e no mundo.

Enrrevista: Yuri e Kaynã

“Pistoleira” é divertida, cheia de atitude e traz um duelo vocal envolvente. Como foi o processo de composição a dois? Rola muita troca de ideia ou um já chega com a melodia quase pronta? 
Rola sim bastante troca de ideia quando a gente compõe a dois, mas em ‘Pistoleira’ em especial, a maior parte da composição foi do Kaynã. Ele já chegou com boa parte da letra e da melodia prontas, e aí eu (Yuri) fui somando com ideias aqui e ali pra deixar tudo redondinho. A gente costuma dizer que essas composições nascem no meio da ‘bagunça boa’; aquela troca leve, onde uma ideia puxa a outra. É isso que deixa o processo tão legal. No fim das contas, ‘Pistoleira’ saiu com a nossa cara, com esse jogo vocal e essa energia divertida que a galera tá curtindo bastante.

O clipe tem visual cinematográfico que mistura humor com faroeste. Qual foi a cena mais desafiadora (ou inusitada) de gravar? 
Olha, não teve uma cena específica que foi mais difícil, mas gravar cercado de amigos foi o maior desafio (e ao mesmo tempo a parte mais divertida). Era piada o tempo todo, risada fora de hora, tudo virava motivo pra zoar, então manter a concentração em algumas cenas foi complicado (risos). Mas se tem uma coisa que realmente deu trabalho foi o piano! A gente fez questão de levar nosso piano real pro set, e só quem carregou sabe o peso daquele bicho. Fora que eu (Yuri) ainda esqueci a chave em casa, e tivemos que improvisar uma solução ali na hora pra conseguir abrir. No fim, tudo deu certo, mas o piano com certeza foi o protagonista dos bastidores!

Além da estética e do som, vocês também cuidam da produção musical e da carreira de forma independente. O quanto essa autonomia influencia no resultado final dos lançamentos? 
A autonomia influencia totalmente. A gente cuida de tudo: da composição à produção musical, do planejamento à divulgação. Isso dá muito mais trabalho, claro, mas também garante que cada lançamento tenha 100% da nossa identidade. Não tem filtro, não tem aprovação externa, sai exatamente do jeito que a gente imaginou. A parte mais desafiadora mesmo é que todo o investimento é por nossa conta, então às vezes a periodicidade de lançamentos não é como gostaríamos. Mas a gente prefere assim do que abrir mão da liberdade criativa.

A distribuidora que trabalha com a gente também dá esse espaço para autonomia, o que facilita muito. A gente sabe que, com gravadora, existem prazos, aprovações, outros processos… e a nossa ideia desde o começo foi justamente fugir disso. Acreditamos que cada detalhe, do som à estética visual, precisa ter a nossa verdade, e essa independência permite que isso aconteça.

O feat com a Brenda D’Angelis trouxe um olhar feminino forte pra música. Como vocês enxergam o espaço das mulheres dentro do country brasileiro hoje? 
A gente acha fundamental esse espaço estar cada vez mais aberto. A Brenda trouxe um olhar feminino muito potente pra ‘Pistoleira’, e isso fez toda a diferença na história da música. O country, assim como o sertanejo, ainda tem um cenário muito dominado por homens, mas está mudando. É bom ver essa transformação acontecendo. Artistas mulheres estão vindo com muita força, personalidade e qualidade, trazendo novas narrativas e quebrando esse padrão antigo. E a gente faz questão de apoiar e construir junto esse movimento

O country está em alta, tanto no Brasil quanto fora, com nomes como Ana Castela, Beyoncé, Post Malone explorando o gênero. Como vocês enxergam esse boom e onde acham que a cena ainda pode crescer? 
A gente acha muito legal ver o country ganhando mais espaço, tanto aqui quanto lá fora. Quando artistas como Beyoncé, Post Malone e Ana Castela entram nesse universo, eles trazem novas referências e ajudam a mostrar o estilo pra mais gente. Isso abre portas e inspira artistas como a gente a explorar novas sonoridades, sem deixar de respeitar a raiz do gênero.

Ao mesmo tempo, sentimos que no Brasil ainda falta o mercado se abrir mais pras músicas autorais. Cover de música americana costuma ser bem aceito, mas quando é algo original, ainda rola uma certa resistência. O desafio agora é furar essa bolha, mostrar que o country pode ser brasileiro, acessível e que não é preciso ter um lifestyle rural pra curtir. Música boa fala com todo mundo.

Vocês têm uma estética muito marcante, que vai além da música; banjo, violino, figurino, cenário. Como é o processo de construção visual de Yuri e Kaynã? Tudo nasce junto com a música? 
A parte visual anda sempre junto com a música pra gente. Desde o momento em que começamos a pensar uma canção, já imaginamos que cara ela vai ter, como seria o clipe, os looks, os elementos de cena… Mas claro que nada disso acontece sozinho. A gente tem uma equipe que ajuda muito a transformar o que tá na nossa cabeça em realidade. É tipo pegar os rabiscos do papel, sabe? Eles ajudam a organizar nossas ideias, colocar tudo em palavras, e depois transformar essas palavras em figurino, cenário, conceito. É um trabalho conjunto, a gente sonha e eles ajudam a materializar.

Vocês já dividiram palco com nomes como Ana Castela, Fernando & Sorocaba, Bruno & Marrone e têm feats com Fernando Zor e Manutti. Como é trocar com esses artistas mais consagrados e o que mais marcou nesses encontros? 
Dividir espaço com esses artistas sempre é uma experiência muito marcante. Mesmo com a gente já batalhando há um tempo, toda vez que estamos com nomes grandes assim, bate aquela sensação de que ainda estamos só começando. Mas cada conversa, cada troca é uma aula, seja por um conselho, uma ideia nova ou uma inspiração que surge ali no papo. E uma coisa que a gente valoriza muito é que sempre fomos muito bem recebidos por essa galera. Um momento que marcou demais foi com o Fernando, da dupla com o Sorocaba. Ele foi um dos primeiros a olhar pra gente e dizer: ‘cara, vocês têm que investir no country, essa é a pegada de vocês’. Isso foi decisivo. Depois disso, o Kaynã começou a produzir nossas músicas e a gente assumiu o country como identidade mesmo. Foi uma virada de chave na nossa carreira e nunca mais voltamos atrás.

“Pistoleira” é um dos grandes destaques do ano de vocês. O que mais vem por aí? Tem mais lançamentos, feats ou até um álbum no radar? 
Com certeza! ‘Pistoleira’ foi só o começo. A gente já tem mais de 10 músicas prontas, gravadas no nosso estúdio, e agora estamos no momento de entender qual o melhor formato pra lançar tudo isso: se a gente solta os singles individualmente, ou se parte pra algo maior, tipo um DVD gravado ao vivo. Mas o fato é que tem muito som vindo aí, sempre com essa mistura que é a nossa marca, trazendo histórias novas, arranjos bem pensados e identidade.

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