Entrevista: Big Up comenta o álbum “Linhas de Cerol” e mais

O trio paulista Big Up apresentou, recentemente, o álbum de estúdio "Linhas de Cerol". O...

Foto: Cred. Fê Castelani

O trio paulista Big Up apresentou, recentemente, o álbum de estúdio “Linhas de Cerol”. O segundo disco da banda – formada por Gabriel Geraissati, Lucas Pierro e Ras Grilo – alinha o reggae urbano a um fio afiado da consciência social.

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O trabalho inclui 10 faixas autorais, incluindo os singles “Como Se O Amanhã Não Fosse Chegar” e “Místico”. A sonoridade do projeto mistura o peso do roots, com o samba, a psicodelia brasileira e elementos do rap – reafirmando o grupo como um dos nomes mais relevantes da música urbana nacional no cenário atual.

Gravadas em Los Angeles, sob a produção de Mario Caldato Jr., as faixas formam um retrato poético da sociedade paulista atual. O álbum traz, ainda, participações de artistas como Criolo, Preta Ferreira, Souto MC e o grupo Höröyà.

Em recente entrevista ao Tracklist, o trio falou sobre a produção de seu segundo álbum, mensagens transmitidas, colaborações e mais. Confira abaixo!

Entrevista: Big Up fala sobre o disco “Linhas de Cerol”, colaborações e mais

Vocês lançaram, recentemente, o álbum “Linhas de Cerol”. Quais são as principais mensagens que vocês passam neste projeto?

“Nesse álbum, a gente quis principalmente fazer um retrato do nosso tempo e da vida que a gente leva e que a gente vê em São Paulo. É um álbum cultural e crítico, que aborda a desigualdade e o amor, a resistência e a arte do cotidiano, sempre com axé e com alguma poesia no meio”.

O disco foi produzido por Mario Caldato Jr., em Los Angeles. Poderiam falar um pouco sobre o processo de criação do trabalho?

“Foi f***! Trabalhar com o Mario C. é uma experiência muito rica em todos os sentidos. Ele é uma lenda viva e foi muito generoso com a gente e presente em todo o processo do disco. A gente levantou o repertório em algumas sessões de composição em São Paulo. Nessa altura nós já sabíamos o que a Big Up queria e precisava expressar. Quando começamos a trocar com ele as ideias de arranjo e produção, mesmo à distância já dava para sacar que havia um entusiasmo da parte dele em realizar esse trabalho; e, quando a gente chegou em Los Angeles para produzir, já estava tudo bem encaminhado. Aí foi só deixar a magia acontecer”.

O álbum também traz colaborações de peso – como Criolo e Souto MC. Como foi a experiência de trabalhar com esses artistas? E o que vocês consideraram no momento de firmar essas parcerias para o disco?

“A gente sempre escolhe parceria pela verdade da música. A música pede e a gente decifra artisticamente qual vai ser a soma. O Criolo é uma referência para a gente – além de vir da mesma região, a gente acredita musicalmente nele e respeita a postura que ele tem e o que ele representa para a juventude. A Souto também é uma voz potente da nova geração e, por mais que seja nova, representa muito e tem muito a dizer. Preta Ferreira é uma força da natureza que a gente tem a honra de ser parceiro de vida e agora de som. E Horoya trouxe muita cultura, muita história ancestral que colaborou pra que elevasse o nível de profundidade rítmica do disco. As colaborações são conexões genuínas”.

big up
Foto: Cred. Fê Castelani

Esse é o segundo álbum de estúdio da Big Up, sucedendo “Uni-Versos”, de 2017. Quais são as principais mudanças que vocês enxergam de um projeto para o outro?

“Muita coisa aconteceu no mundo nesse meio tempo. A gente amadureceu, o planeta enfrentou uma pandemia e enfrenta uma guerra política sinistra. Tudo isso influencia diretamente na arte. A gente continua com o mesmo propósito, mas agora com mais experiência, tanto de vida quanto musical. O ‘Linhas de Cerol’ tem uma linguagem mais direta, mais urbana, mais politizada. Aprendemos a dizer mais com menos, e musicalmente, exploramos novos caminhos sem perder nossa raiz”.

Como está a agenda de shows? Algo de especial planejado para os próximos meses?

“A turnê de ‘Linhas de Cerol’ começa em setembro e vai passar pelas principais capitais do Brasil. Galera que conhece o show da Big pode esperar mais energia e mais entrega ainda. Banda e estrutura novas e um repertório que vai arrepiar do começo ao fim”.

Por fim, como vocês desejam que o público receba o novo projeto?

“A gente espera que as pessoas se sintam representadas, tocadas, provocadas. Que o álbum funcione como uma trilha sonora para quem vive nessa selva de pedra, mas também como um respiro, um chamado pra resistência e pra beleza que ainda existe no caos. Se tocar alguém de verdade, já valeu”.

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