Bruna Strait lançou no dia 4 de abril o videoclipe do seu mais novo single...

Bruna Strait lançou no dia 4 de abril o videoclipe do seu mais novo single “Samba“, um som que ela descreve como uma “celebração vibrante do Carnaval e da identidade cultural da artista”. Para a composição da faixa, a dj e produtora misturou tech house e minimal/deep tech com elementos do samba. Já em seu clipe, Strait traz um toque pessoal e estreia ao lado de sua mãe em um visual autobiográfico.
A faixa “Samba” tem uma conexão super pessoal com sua história, especialmente com sua mãe. Como foi transformar essa memória em música?
Foi muito gratificante pra mim poder contar um pouco da história da minha mãe e da minha com a música e com samba, fiquei muito feliz quando recebi a notícia de que a ação havia sido aceita pela gravadora do Dubdogz, que são uma das minhas inspirações na música eletrônica, então tive a certeza de que estava no caminho certo.
Eu acredito que a música nos transforma e nos leva para lugares incríveis, então utilizar todas essas minhas vivências com a minha arte, é uma maneira de homenagear a minha mãe e também eternizar esses momentos, tenho certeza de que daqui a 10 anos eu estarei feliz por ter lançado essa música.
A mistura entre o tech house e a bateria de escola de samba cria um contraste. Como você criou essa melodia e houve desafios até chegar nesse resultado?
Desde quando tive a ideia da samba, o principal foco era criar um tema, algo que fosse bem marcante e a bateria de escola de samba foi perfeita pra isso, quem já foi há um desfile de escola de samba entende do que estou falando, então tive até um pouco de dificuldade de conseguir misturar o melhor dos dois mundos, mas estou bem feliz com o resultado e a pista também reagiu muito bem todas as vezes que toquei a música.
Lembro que a primeira vez que toquei eu havia terminado de mexer nela um dia antes e resolvi testar, foi na festa que eu toquei na Rocinha, a Summer All Day, e o público gritou bastante acho que foi a música em que a pista mais gritou, então ali entendi de que a música estava pronta.
Depois só adicionei um pouco mais de vocal, os meus próprios vocais inclusive, o que deixou a track um pouco mais acessível, além do grito que tem logo depois da bateria de escola de samba, que tenha a influência da cantora Christina Aguilera.
Bruna, você decidiu usar seus próprios vocais nessa produção. Isso marca uma nova fase na sua carreira. Como você pretende explorar esse seu lado e queremos saber se isso será mais frequentes nos seus lançamentos?
Sim, alguns meses retornei um pouco desses sonho para minha vida, quando criança sempre tive vontade de ser cantora, mas nunca levei isso pra frente, até que resolvi fazer aulas de canto com o meu preparador vocal atual, Rafa Vieira, ele é incrível e acredita muito em mim, então decidi me dar uma chance e começar a utilizar os meus próprios vocais nas minhas músicas. “Samba” é minha segunda track com meu próprio vocal e ainda teremos mais lançamentos ainda neste ano comigo cantando.
Qual foi o momento mais emocionante durante a produção do clipe e como foi para você revisitar suas memórias?
Acho que essa pergunta poderia ter sido pra minha mãe também haha, porque foi uma surpresa pra ela, mas pra mim é também muito especial, poder contar a minha história e trazer mais pra perto os meus fãs, pra me conhecerem a fundo.
Essas memórias me ajudaram muito a me tornar quem sou hoje e tenho muito orgulho de ter nascido filha de Kátia Cilene haha haha a passista de escola de samba mais animada e carismática que conheço na vida.
Você é uma artista preta, LGBTQIA+ e que está ganhando cada vez mais espaço numa cena ainda muito dominada por homens brancos. Como é pra você ocupar esse lugar e inspirar outras pessoas? E o que você espera alcançar ao ocupar esses lugares?
Ocupar esse espaço pra mim é como um ato de resistência, foco e afirmação.
Cresci vendo homens e vejo até hoje os maiores headliners sendo homens nos line-ups, na produção e por aí vai. Ser DJ era uma profissão muito masculinizada, mas fico feliz que aos poucos isso tenha mudado.
Eu quero poder inspirar mais mulheres como eu a alcançarem todos os seus objetivos, a acreditarem no seu talento e a ocuparem seus espaços com confiança. O meu maior desejo é ver a cena eletrônica cada vez mais diversa, com mulheres não só no palco, mas também na produção, na organização e em todos os bastidores, para não termos mais que sempre pontuar esse lugar de minoria e tratarmos todos como iguais.
Bruna, você já esteve em grandes palcos, como Rock in Rio e Lollapalooza, e passou muitos por países. Conta pra gente quais lugares você ainda sonha tocar?
Definitivamente o Tomorrowland, do Brasil e da Bélgica, é um grande sonho pra mim e também no Coachella, EDC, quero muito também conhecer Bali, pois amei a Ásia.
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