O Tropkillaz está de volta aos palcos – e não é qualquer palco. O duo...

O Tropkillaz está de volta aos palcos – e não é qualquer palco. O duo de DJs e produtores formado por Zegon e Laudz se prepara para uma apresentação especial no Lollapalooza 2025, sete anos após seu último show no festival. Em entrevista, os artistas revelam que essa será uma das poucas aparições ao vivo no ano, já que seguem focados na produção de um novo álbum.
O retorno ao Lolla BR é cercado de expectativas, especialmente porque o duo considera a edição de 2018 um dos momentos mais marcantes de sua carreira. No setlist, os fãs podem esperar tanto os clássicos do Tropkillaz quanto faixas inéditas do disco que será lançado ainda este ano. Além disso, a dupla promete surpresas para o público, mantendo o mistério sobre detalhes do novo projeto.
Em entrevista ao Tracklist, Zegon e Laudz também abordaram o impacto da série “Sintonia” em sua trajetória, a cena atual da bass music no Brasil e a dificuldade de produtores nacionais ganharem espaço nos grandes festivais. Para eles, a cena está em ascensão, mas ainda enfrenta barreiras impostas pelo mainstream. Confira, abaixo!
O Lollapalooza sempre tem uma energia única. Como está a preparação de vocês para o show deste ano?
Zegon: Eu não sei se vocês sabem, o Tropkillaz tá parado há mais de um ano. A gente não toca desde março do ano passado porque estamos 100% focados na produção do nosso disco, gravando e morando mais fora do Brasil do que no Brasil. Eu cheguei ontem; estava fora desde antes do Ano Novo. O Laudz está em Los Angeles, que é a nossa segunda base. Estamos trabalhando muito com produção musical de outros artistas, e muita coisa o pessoal vai ficar sabendo logo mais.
Então, a gente ainda não parou pra montar. Temos um set bastante autoral, que funciona em qualquer tipo de pista, né? Porque, normalmente, a pista de dança tem DJs de estilos diferentes. Lógico que temos a nossa assinatura, então meio que circulamos por vários gêneros mantendo essa identidade. Quando você vai discotecar num festival, o público não é só o seu, então precisamos montar um set que funcione, que seja autêntico para nós e, ao mesmo tempo, consiga agradar bastante. Isso é sempre um desafio, mas vai dar certo.
Se não estou enganada, a última passagem de vocês pelo Lolla foi em 2018. Como foi receber esse convite para voltar depois de sete anos?
Laudz: Foi muito legal, porque o Lolla de 2018 eu ouso dizer que foi o show mais importante que já fizemos, ou um dos mais importantes. Um dos mais legais também! Poder reviver essa experiência de tocar no Lollapalooza de novo é algo muito marcante e, com certeza, vai ser incrível este ano.
Zegon: É um desafio para nós superar aquele show. Concordo com o Laudz, foi, de fato, um dos melhores shows que já fizemos.
Existe alguma faixa do setlist deste ano que vocês estão particularmente animados para tocar ao vivo? Alguma surpresa para os fãs?
Zegon: A gente vai ter um monte de surpresa para os fãs. E surpresa já é surpresa, né? [risos] Vamos tocar bastante coisa do disco que lançaremos este ano. Agora, finalmente, vai sair o álbum do Tropkillaz! Estamos trabalhando em um álbum que ainda não podemos falar muito sobre, mas tem muitas participações. Quero deixar esse suspense no ar! E, obviamente, vamos tocar todos os nossos clássicos também. [risos]
Vocês costumam assistir a outros shows quando estão no festival? Tem algum artista do line-up deste ano que vocês estão ansiosos para ver?
Laudz: Eu quero muito ver o Justin Timberlake! Sou muito fã dele e estou animado para assistir ao show.
Zegon: Tenho alguns shows para ver com minhas filhas. Vou no da Olivia Rodrigo na sexta-feira, que é o mesmo dia do nosso show. E, com certeza, quero ver o Justin Timberlake também.
Saindo da temática Lolla, recentemente a Netflix liberou a quinta temporada de “Sintonia”, série na qual vocês colaboram desde o início com a trilha sonora e os temas dos personagens. O que passou pela cabeça de vocês ao ver essa jornada ser concluída?
Zegon: Foi um dos trabalhos dos quais mais nos orgulhamos. Desde que me conheço por gente e comecei a fazer música, minha meta era, em alguma fase da vida, fazer trilha sonora. Trilha incidental, para momentos tristes, felizes, de perseguição… Sempre colecionei trilhas sonoras de filmes e sonhei em fazer isso. Poder participar, desde a primeira temporada, de uma série que retrata a cena de São Paulo foi um presente que fizemos por merecer. Foi um ciclo muito importante e que nos abriu portas para fazer mais. É algo que pretendemos seguir explorando.
Hoje estamos cada vez mais focados na produção musical como um todo. Deixamos de ser apenas o Tropkillaz autoral, dos remixes e edits, para expandir para todos os campos da produção musical, que é um universo vasto.
Laudz: Acho que passou tudo muito rápido! Foram cinco temporadas, mas, mesmo assim, parece que foi em um piscar de olhos. Isso é legal porque, a cada temporada, aprendemos algo novo. Para esse tipo de trabalho, precisamos buscar novas inspirações e experimentar coisas diferentes na trilha sonora, o que é uma responsabilidade enorme. Foi incrível participar e ver até onde “Sintonia” chegou.
Zegon: Foi uma grande escola para nós, como produtores. Como o Laudz falou, evoluímos muito, pois trabalhamos com instrumentação diferente, melodias e arranjos que não faríamos em produções convencionais. Isso nos tornou melhores tanto como produtores quanto como músicos. Não viemos de uma escola de música, nem somos instrumentistas. Então, aprender a dirigir e gravar músicos, criar arranjos complexos… tudo isso foi um grande presente para nós.
Vocês influenciaram uma nova geração de produtores e DJs no Brasil. Como veem a cena atual e quais novos artistas chamam a atenção de vocês?
Laudz: Acho que a cena está crescendo muito! Todo dia aparece gente nova fazendo música boa e a tendência é aumentar cada vez mais. O pessoal está criando suas próprias festas, até mesmo festivais. A cena do bass music, que sempre foi o nosso nicho, está crescendo bastante. O artista que têm me chamado a atenção ultimamente é o MU540. Ele tem um som incrível e traz algo muito diferente para a cena.
Zegon: Acho que a cena vem crescendo e ensaiando um crescimento há tempos, mas o espaço no mainstream nunca é aberto para ela. A cena é fortíssima, principalmente os produtores do funk progressivo, que já passou do funk tradicional voltado para MCs e hoje tem DJs e produtores reconhecidos mundialmente. Mas ainda há uma barreira no Brasil.
O MU540 falou esses dias: “Ah, mas cachê bom só tem pro Alok, pro Vintage Culture…” E concordo! Os festivais demoram para colocar produtores de Bass Music nos palcos grandes. Por que um Skrillex vem para cá e toca o quê? Bass Music. Um DJ Snake vem para cá e toca o quê? Bass Music. Então por que não colocar um brasileiro num palco principal? Só pode ser gringo? Isso é um monopólio musical ridículo.
O Mochakk é um cara que eu admiro. Ele tem a mente aberta, flerta com o funk, com a quebrada, com o movimento urbano. E ainda existe muito preconceito dentro da cena eletrônica contra os sons periféricos. Isso precisa ser quebrado. Mas como sempre, essa mudança vai vir de fora para cá, como foi com o Sepultura. Só vão aceitar quando os brasileiros começarem a arrebentar lá fora.
Por fim, o que podemos esperar do Tropkillaz em 2025?
Zegon: Não queremos prometer uma data exata, mas teremos dois lançamentos grandes este ano: um disco mais brasileiro, com bastante participação, e um disco Tropkillaz raiz, como no início, sem depender de ninguém, com samplers, eletrônico, na nossa pegada. Ambos já estão bem encaminhados, só faltam algumas liberações e autorizações.
Vocês falaram que estão parados há um ano, né? Tem show por aí? O que podemos esperar?
Zegon: Não, não pretendemos voltar a fazer shows tão cedo. Vamos nos reunir só para o Lollapalooza e, depois, parar de novo. Nossa agenda não está aberta. [risos] Vamos voltar só no momento certo. Vai ser uma participação especial, quase uma aparição especial.
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