Resenha: Sabrina Carpenter é cômica e atrevida em “Man’s Best Friend”

O novo álbum, lançado nessa sexta (29) consolida seu tom sarcástico e sonoridade coesa

Mariana AlvesNotíciasColunas30 de agosto de 2025

Foto: Reprodução

“Esse álbum não é um álbum para moralistas”. Foi assim que Sabrina Carpenter definiu “Man’s Best Friend”, seu sétimo álbum de estúdio lançado nessa sexta-feira (29). Anunciado em junho deste ano, o álbum foi prontamente recebido com burburinhos sobre a arte de capa e não demorou a ganhar espaço em discussões online. 

Na foto, a cantora aparece ajoelhada enquanto seus cabelos são puxados pela mão de um homem. Foi o suficiente para semanas de polêmica acerca do assunto – para ela, sem sentido algum. “Vocês precisam viver mais”, a cantora comentou durante entrevista ao CBS Mornings

“Depende muito da interpretação. Minha interpretação é estar no controle da sua falta de controle e quando você quer estar no controle. […] todo este álbum foi sobre a humanidade de se permitir cometer esses erros – saber quando você está se colocando em uma situação que provavelmente terminará mal, mas que vai te ensinar algo”, completou. 

Com uma carreira promissora no entretenimento desde o Disney Channel, há anos Sabrina trabalha arduamente para conquistar o lugar que ela ocupa hoje. Buscando seu espaço no mainstream, ela alcançou esse sucesso em 2024, com o aclamado “Short n’ Sweet”, responsável por alguns dos maiores hits do último ano, como “Espresso” e “Please Please Please”

“Man’s Best Friend” chega apenas um ano após o antecessor, mostrando que quem está vivendo o auge, como ela, tem muito a dizer. Neste disco, Sabrina o faz com o seu humor satírico característico, com adlibs dignos de Ariana Grande e melodias pop que equilibram perfeitamente uma sonoridade retrô com country. 

Sabrina Carpenter: “Man’s Best Friend” é sonoramente coeso

Com 12 faixas e duração total de 38 minutos, este é um álbum que nasceu durante a primeira turnê de arenas de Sabrina. Muitas dessas canções poderiam estar presentes em “Short n’ Sweet”, mas em “Man’s Best Friend” ganham nuances ainda mais envolventes, com toques oitentistas, passando por alguns clássicos elementos do country, além de flertes experimentais de produção. 

Aqui, ela convocou apenas três co-autores e produtores responsáveis por manter o fôlego da história cantada no álbum: Jack Antonoff, John Ryan e a compositora Amy Allen. O resultado é uma obra de pop mainstream, refinada com a sonoridade sexy que a artista promove, além das letras que são divertidas na medida. 

No decorrer das faixas, é fácil notar o cuidado com os instrumentos, tocados praticamente todos ao vivo. As explosões de guitarras, bateria, piano e percussão que se fundem com os sintetizadores e batidas eletrônicas fazem de “Man’s Best Friend” um trabalho muito coeso do início ao fim.

Manchild” abre o disco já amada pelo público. Lançada em junho como carro-chefe da nova era, a faixa não demorou a cair no gosto do público, com versos como “por que tão sexy se tão idiota?”, que mostram a irreverência de Sabrina ao relatar seus amores.

Humor e ironia como marca

As letras seguintes levam o mesmo fio condutor: o bom humor. Sabrina não tem medo de rir de si mesma, brincar com os tropeços amorosos ou adicionar um pouco de drama de forma consciente. Essa ironia bem dosada se firma nesse álbum como parte de sua identidade, o que transparece nas letras, nos trocadilhos e até na forma como canta sobre homens problemáticos com uma mistura de dor real e sátira.

Quase como em uma comédia sexual, Sabrina não economiza metáforas e trocadilhos para falar sobre sexo. Assunto principal do álbum, ela sempre sabe como inovar para demonstrar seu desejo e suas aventuras. “Eu fico molhada pensando em você sendo um cara responsável e me tratando como deveria”, ela canta em “Tears”, faixa pop que mostra a força dos instrumentos nesse álbum, com piano e bateria marcantes, além de aspectos retrô que elevam ainda mais a música. 

“House Tour” é mais uma das canções que, ouvindo com atenção, é possível perceber a verdadeira intenção na letra. Ela convida o pretendente para um tour por sua casa e explica: “Eu só quero que você entre” / “Mas nunca entre pela porta de trás”. 

Coração partido, mas atrevido

“Nobody’s Son” e “Never Getting Laid” revelam “Man’s Best Friend” como um verdadeiro álbum de término. Em “My Man on Willpower”, ela vê seu relacionamento se desgastando não por uma traição ou decepção, mas porque seu parceiro está em uma jornada de autodescoberta e já não está com sua energia inteiramente dedicada a ela. 

Porém, apesar de algumas inseguranças e dores de amor, Sabrina sabe usar do seu timing cômico natural para compor letras que vão ressonar facilmente com a sua audiência. 

“Às vezes, as pessoas ouvem músicas com letras ousadas e pensam: ‘eu não quero cantar isso na frente de outras pessoas’, mas eu penso sobre estar em um show, com não sei quantas mulheres jovens na primeira fila, cantando a plenos pulmões com suas melhores amigas, e me dá um alívio de que isso é simplesmente diversão. E é isso que precisa ser”, disse a cantora ao CBS Mornings. 

A sonoridade sexy e envolvente continua em “Sugar Talking”, na qual ela está desiludida e frustrada com palavras vazias vindas de homens. O solo de guitarra complementa a abordagem mais madura da letra, e torna essa uma das faixas mais interessantes do álbum, juntamente com “Go Go Juice”. Nessa, ela está disposta a tomar uma decisão sobre o coração partido, mas ainda está sofrendo. Ainda assim, não é o suficiente para uma música triste, mantendo a atmosfera upbeat com country vibes e um grande potencial para o ao vivo. 

Sabrina se mantém ousada em “When Did You Get Hot”, com uma sonoridade elegante e mais experimental nos detalhes. Em “Don’t Worry I’ll Make You Worry”, a artista desacelera e é o mais próximo a uma balada. No entanto, é também um dos momentos mais fracos do disco e falha em marcar presença como as demais. 

A cantora encerra o álbum com uma síntese certeira do trabalho. “Goodbye” retrata um término abrupto e dolorido, mas também ressalta a autovalorização que Sabrina sabe que precisa, e ela não demora a se despedir não só em inglês, como também em francês e espanhol. 

“Man’s Best Friend” diverte, mas se repete 

Apesar de um instrumental bem amarrado, coerente e com uma produção de qualidade, “Men’s Best Friend” tropeça nas letras – não pelo bom humor ou pela ironia, que são pontos altos, mas sim pela constante repetição da temática em praticamente todas as faixas. Isso torna a experiência um pouco cansativa, sem abrir espaço para narrativas novas ou diferentes, consequentemente fazendo o álbum soar menos inovador – especialmente quando comparado a trabalhos anteriores da cantora.

Só que saindo do lado técnico e partindo para uma perspectiva emocional, mesmo com o conjunto da obra soando repetitivo na temática, é compreensível que algumas dores só se curam em voz alta. Às vezes é preciso falar, falar ou cantar mais uma vez até passar – e há sempre quem esteja disposto a ouvir, se identificar e até mesmo se divertir no processo. 

De forma geral, não há dúvidas que há muita graça e inteligência em cada movimento de Sabrina Carpenter. “Man’s Best Friend” confirma sua ascensão meteórica e deixa claro que acompanhar sua trajetória é tão divertido quanto ouvir suas músicas.


Nota: 7/10

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