Quem foi Ângela Diniz? Relembre o caso real que inspira nova série da HBO Max

Produção, estrelada por Marjorie Estiano, destaca o caso que mobilizou o país

Foto: divulgação

A HBO Max estreia nesta quinta-feira (13) uma série que revisita um dos crimes mais comentados do país, quase cinco décadas depois de ter abalado o Brasil: a história de Ângela Diniz.

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A série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” traz um olhar renovado sobre um dos julgamentos mais emblemáticos da história brasileira. O projeto, fruto da parceria entre a HBO Max e a Conspiração Filmes, adapta para o streaming a investigação apresentada no podcast “Praia dos Ossos”, que narra a trajetória da socialite e os acontecimentos que levaram ao seu assassinato em Armação dos Búzios (RJ), na década de 1970.

Com seis episódios, a produção mergulha no caso e o transforma em um seriado de true crime para o catálogo da HBO.

“Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”: relembre caso real que inspirou a série da HBO Max

Nascida em Curvelo (MG), em 10 de novembro de 1944, Ângela cresceu em um ambiente tradicional da elite mineira. De acordo com relatos de pessoas próximas — como a socióloga Jacqueline Pitanguy, amiga da vítima —, ela sempre chamou atenção por sua beleza e personalidade magnética.

Divorciada do engenheiro Milton Villas Boas, com quem teve três filhos (Luiz Felipe, Cristiana e Milton), Ângela tornou-se uma figura conhecida no circuito social e ganhou o apelido de “Pantera de Minas” — criado pelo colunista Ibrahim Sued, com quem chegou a viver um relacionamento. Foi em uma festa apresentada por ele, em São Paulo, que Ângela conheceu Doca Street, em agosto de 1976.

Doca ainda era casado com Adelita Scarpa, mas, dois meses após o encontro, deixou o casamento e passou a viver com Ângela no apartamento dela em Copacabana, onde morava desde 1973. O relacionamento, no entanto, rapidamente se transformou em um ciclo de brigas, crises de ciúme e tensão constante.

No dia 30 de dezembro de 1976, enquanto o casal passava uma temporada em Búzios, mais uma discussão escalou. O nome da turista alemã Gabriele Dyer foi apontado como estopim da briga: especulava-se que ela e Ângela pudessem ter se aproximado demais durante um dia de praia.

Após o conflito, Ângela decidiu terminar a relação e pediu que Doca deixasse a casa. Ele se recusou. Armado com uma pistola Beretta calibre 7,65 mm, atirou quatro vezes — três tiros atingiram o rosto da vítima e um acertou a nuca. Depois do assassinato, fugiu para Minas Gerais, onde foi preso vinte dias mais tarde.

Réu confesso, Doca foi julgado duas vezes. O primeiro júri, em 17 de outubro de 1979, durou mais de 20 horas e ficou marcado pela estratégia da defesa, conduzida pelo advogado Evandro Lins e Silva. Ele utilizou a polêmica tese da “legítima defesa da honra”, que argumentava que o acusado teria reagido para proteger sua honra diante de um suposto adultério cometido pela vítima.

Durante os debates, a imagem de Ângela foi duramente atacada. Lins e Silva chegou a descrevê-la como “libertina” e “depravada”, sustentando que seu comportamento “provocativo” teria levado o companheiro ao crime.

A tese da “legítima defesa da honra” foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, pois viola os princípios da dignidade humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.

O réu foi condenado a apenas dois anos de prisão, pena que gerou revolta e inspirou movimentos feministas. A comoção nacional e a pressão popular levaram a um novo julgamento, em 1981, no qual Doca recebeu pena de 15 anos.

Na dramatização, Marjorie Estiano interpreta Ângela, enquanto Emilio Dantas dá vida a Doca Street. O elenco ainda conta com Antônio Fagundes como Evandro Lins e Silva; Thiago Lacerda como Ibrahim Sued; Camila Márdila como Lulu Prado; e Yara de Novaes como Maria Diniz.

Também participam Thelmo Fernandes, Renata Gaspar, Tóia Ferraz, Carolina Ferman, Joaquim Lopes, Emílio de Mello, Marina Provenzzano, Maria Volpe, Gustavo Wabner, Ester Jablonski, Pedro Nercessian, Deco Almeida, Stepan Nercessian, Daniela Galli, Priscila Sztejnman, Tatsu Carvalho, Charles Fricks e Alli Willow.

A direção é de José Luiz Villamarim, com roteiro de Elena Soárez (O Mecanismo, Casa de Areia, Filhos do Carnaval) e produção executiva de Villamarim, Lorena Bondarovsky e Renata Brandão.

Assista ao trailer de “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”:


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