Morre Arlindo Cruz, aos 66 anos

Nesta sexta-feira (8), o samba brasileiro perdeu uma de suas vozes mais marcantes e respeitadas....

Andressa CerqueiraNotícias8 de agosto de 2025

Foto: Reprodução/Instagram

Nesta sexta-feira (8), o samba brasileiro perdeu uma de suas vozes mais marcantes e respeitadas. Arlindo Cruz, cantor, compositor e multi-instrumentista, morreu aos 66 anos, deixando um legado imenso e uma legião de fãs que o chamavam carinhosamente de “o sambista perfeito”. A confirmação da morte de Arlindo Cruz veio pela esposa do artista, Babi Cruz, depois de anos de luta contra problemas de saúde.

Arlindo Cruz sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico em março de 2017, depois de passar mal em casa, e ficou quase um ano e meio internado. Desde então, ele lidava com as sequelas da doença e passou por várias internações. O artista não se apresentava mais.

Desde 25 de março, o sambista estava internado no hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em tratamento contra uma pneumonia agravada por uma infecção bacteriana resistente. Em junho, ele havia recebido alta, mas acabou retornando ao hospital devido à piora do quadro clínico.

“Com imenso pesar, a família e a equipe de Arlindo Cruz comunicam seu falecimento. Mais do que um artista, Arlindo foi um poeta do samba, um homem de fé, generosidade e alegria, que dedicou sua vida a levar música e amor a todos que cruzaram seu caminho. Sua voz, suas composições e seu sorriso permanecerão vivos na memória e no coração de milhões de admiradores. Agradecemos profundamente todas as mensagens de carinho, orações e gestos de apoio recebidos ao longo de sua trajetória e, especialmente, neste momento de despedida. Arlindo parte deixando um legado imenso para a cultura brasileira e um exemplo de força, humildade e paixão pela arte. Que sua música continue ecoando e inspirando as próximas gerações, como sempre foi seu desejo”, diz nota publicada por seus entes.

Morre Arlindo Cruz, aos 66 anos, o sambista perfeito

Arlindo Domingos da Cruz Filho nasceu no Rio de Janeiro em 14 de setembro de 1958 e logo mostrou que a música estava no seu DNA. Com apenas 7 anos, ganhou seu primeiro cavaquinho, instrumento que acompanharia toda a sua carreira e se tornaria sua marca registrada. Ainda criança, aprendeu a tocar músicas de ouvido e estudou violão clássico e teoria musical na escola Flor do Méier, onde aprimorou sua técnica e paixão pelo samba brasileiro.

Foi nas rodas de samba cariocas que Arlindo consolidou sua trajetória, recebendo influência de mestres como Candeia, que se tornou seu padrinho musical e ajudou nas primeiras gravações. Seu talento para compor, cantar e tocar instrumentos como cavaquinho e banjo fez dele uma referência incontestável no samba e no pagode.

Além do sucesso com suas músicas, o artista conquistou o apelido “o sambista perfeito” graças a uma parceria com Nei Lopes, que se tornou também o título da sua biografia do Arlindo Cruz lançada em 2025 — um ano marcado por homenagens e reconhecimento ao seu trabalho e legado.

A carreira de Arlindo Cruz não se limitou aos palcos. Ele ajudou a renovar o samba, aproximando-o das novas gerações sem perder a raiz, com uma musicalidade autêntica, potente e cheia de emoção. O último projeto artístico do cantor foi Pagode 2 Arlindos, feito em 2017 com o filho Arlindinho. Ele não deixou, no entanto, de ser uma figura emblemática para o samba carioca: em 2023, a Império Serrano transformou a história do músico no enredo “Lugares de Arlindo”. O músico deixa a esposa, Babi Cruz, com quem mantinha uma união há mais de 26 anos, e os filhos Arlindinho e Flora Cruz.

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