JPEGMAFIA levanta público com show eletrizante em São Paulo

O rapper se apresentou no Cine Joia em um dos sideshows do Lollapalooza Brasil

Gabriel HaguiôNotíciasCoberturas28 de março de 2025

Foto: Divulgação

São muitos os rappers que têm crescido dentro do hip-hop alternativo nos últimos anos. JPEGMAFIA é um deles: antes um ícone do underground, agora o artista é acompanhado por uma base sólida de fãs pelo mundo e uma discografia de considerável sucesso no cenário. Em sua apresentação no Cine Joia, em São Paulo, nesta quinta-feira (27), o cantor mostrou a força que tem para movimentar e comover multidões.

Peggy, como é chamado pelos fãs, é uma das atrações do Lollapalooza Brasil de 2025, mas também foi escolhido para realizar um dos sideshows do festival. A decisão não poderia ser mais certeira: em um espaço menor e mais próximo ao público, o rapper se mostrou à vontade com os fãs para conduzir o show à sua maneira e com mais disposição do que normalmente acontece em festivais.

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A energia inconfundível de JPEGMAFIA

Sua energia esteve em sintonia com a audiência durante toda a noite. Os primeiros versos de “Jesus Forgive Me, I Am A Thot” foram suficientes para ensandecer os fãs, que rapidamente começaram a pular e fazer o chão do Cine Joia tremer. O espaço pequeno da casa não impediu o público de abrir rodas punk, assim como na ainda mais animada “Lean Beef Patty”, que veio logo em seguida.

Em seu show, JPEGMAFIA se garante na catarse de suas canções e, principalmente, em sua conexão com o público. A performance, afinal, não precisa de uma grande infraestrutura ou de muitos efeitos visuais: o palco é praticamente vazio, e a iluminação se limita aos LEDs característicos do Cine Joia. Apesar de simples, tudo colabora para aproximar o clima da apresentação aos fãs.

Embora converse pouco, Peggy também se esforça para manter o laço entre artista e público intacto. Entre uma música e outra, o nova-iorquino pedia coros para artistas como Danny Brown, Denzel Curry e Vince Staples, creditados nas canções de seus últimos álbuns, e fazia piadas para quebrar o gelo – como em “Bald”, quando dedicou a faixa “para todos os carecas presentes”, ou quando fez um cover de “Call Me Maybe”, hit da Carly Rae Jepsen. Volta e meia, o cantor também se aproximava dos fãs para autografar camisetas, lenços e discos. Sobrou até mesmo para a produção ouvir suas broncas fortes sobre o retorno de palco, mas os incômodos não o impediram de seguir.

A maior parte do repertório é formada por músicas de seus trabalhos mais recentes, “I Lay Down My Life For You” (2024) e “Scaring The Hoes” (2023), que formam a primeira metade da setlist e também marcam os momentos mais eufóricos do show. A animação na pista era tamanha que não demorou para que ela transbordasse ao palco: ainda no início do show, alguns fãs chegaram a invadir o palco em meio aos moshes.

Já na segunda parte, há espaço para sucessos mais antigos, como “1539 N. Calvert” e “Baby I’m Bleeding”, que levantaram os ânimos dos fãs mais longevos. É também o momento das faixas mais melódicas do repertório, como “Rainbow Six” e “Free The Frail”, nas quais o artista pouco canta e deixa o público assumir o seu trabalho – uma quebra de clima e vontade que acaba destoando do restante da apresentação.

Foi com as batidas do funk de “It’s Dark And Hell Is Hot”, porém, que a atmosfera mudou novamente. A produção, assinada pelo carioca DJ Ramemes, tornou-se um símbolo para os fãs brasileiros do rapper, e assim foi recebida com muitos gritos e aplausos. O próprio DJ, responsável pela abertura do show, subiu ao palco em seguida para presentear Peggy com uma camisa do Vasco da Gama, assinada com o nome do cantor nas costas.

“Burfict!” deu fim à noite em alto astral, conforme as batidas se misturavam aos coros dos fãs. No palco do Cine Joia, ficou clara não apenas a força artística de JPEGMAFIA como artista, mas também o impulso que sua música tem para muito além do cenário alternativo em que cresceu. Peggy segue conquistando seu renome como um dos produtores mais versáteis da atualidade, e promete fazer um dos grandes shows do Lollapalooza nesta sexta-feira (28).

SETLIST:
1. “Jesus Forgive Me, I Am A Thot”
2. “Lean Beef Patty”
3. “Hazard Duty Pay”
4. “Bald”
5. “Call Me Maybe” (cover da Carly Rae Jepsen)
6. “Sin Miedo”
7. “Don’t Rely On Other Men”
8. “I Scream This In The Mirror Before I Interact With Anyone”
9. “1539 N. Calvert”
10. “Real Nega”
11. “Steppa Pig”
12. “Kingdom Hearts Key”
13. “Fentanyl Tester”
14. “Scaring The Hoes”
15. “What Kind Of Rappin’ Is This?”
16. “JPEGULTRA!”
17. “New Black History”
18. “Protect The Cross”
19. “Exmilitary”
20. “Baby I’m Bleeding”
21. “Rainbow Six”
22. “Free The Frail”
23. “Either On Or Off The Drugs”
24. “It’s Dark And Hell Is Hot”
25. “Burfict!”

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