Após quatro anos longe da música, Jessie J está de volta à indústria com o...

Após quatro anos longe da música, Jessie J está de volta à indústria com o lançamento do seu mais novo single “No Secrets”, que chegou no final de abril. Intimista, pessoal e praticamente uma carta aberta ao público, a canção conta a jornada da cantora nesses últimos anos, principalmente quando se refere à maternidade.
Mãe do pequeno Sky, a britânica deu à luz ao seu primeiro filho em 2023 – no entanto, para chegar até lá ela passou por um aborto espontâneo, enquanto ainda cumpria uma agenda de shows ao vivo em Los Angeles.
O episódio serviu de inspiração para a letra de “No Secrets”, que escreveu e produziu ao lado de Jesse Boykins III. A faixa é apenas a primeira amostra do que ainda está por vir, já que seu próximo está quase finalizado e terá o R&B como sonoridade, mas sem deixar o pop de lado.
Em entrevista ao Tracklist, Jessie J contou detalhes da produção do novo projeto, como é ser mãe e ao mesmo tempo uma artista globalmente conhecida e compartilhou uma mensagem para os fãs brasileiros, para quem se apresentará no dia 13 de setembro deste ano no festival The Town.
Depois de quatro anos, você lançou um novo single, mas agora você também é mãe. Como está sendo conciliar esse tempo entre ser a mãe do Sky e a artista Jessie J?
“Não, é realmente difícil encontrar um equilíbrio. Especialmente quando você está criando uma criança pequena, nenhum dia é igual ao outro. Eu sou muito sortuda por ter uma ‘vila’ que é muito pequena, mas muito dedicada. Tenho muito orgulho de cuidar do Sky. Mas também sei que mãe feliz, filho feliz. E eu sabia que era hora de colocar um pouco de amor em mim mesma, encher meu próprio copo, longe dele por um momento. E sou sortuda por ter um namorado, família e amigos que me apoiam nisso. Então, sim, ainda estamos tentando descobrir tudo. Acordo de madrugada para fazer comida para ele, organizar o guarda-roupa, trocar os sapatos, atualizar os livros. Depois, estou editando vídeos e finalizando músicas. E no momento, não estou dormindo muito. Mas é isso.”
No Secrets” é bastante pessoal e praticamente narra uma jornada que você vivenciou nos últimos anos. Por que você decidiu contar esse história e como se sente ao compartilhá-la com o mundo?
“Quer dizer, eu escrevi essa música em 2022. Foi no dia 22 de abril de 2022 que escrevi essa música. Eu e o Jessie Boykins estávamos no estúdio, só conversando sobre como, obviamente, eu sou um livro aberto online. E como o mundo inteiro é assim agora, a gente compartilha tanto nas redes sociais. E esse vai e vem do tipo: ‘devo compartilhar?’, ‘por que colocar isso na internet?’. Toda a vida está online, sem segredos. Tipo, como eu chego a esse nível de intimidade? O que me leva até lá? E, pra mim, isso é só parte de quem eu sou. Mas acho que é uma experiência muito comum hoje em dia, com todo mundo compartilhando seus dias felizes, seus dias ruins, seus segredos pessoais.
Obviamente, os versos são mais pessoais pra mim, falam de coisas que vivi no meu relacionamento e, você sabe… da perda do meu bebê. Mas eu acho importante falar sobre coisas humanas reais. Acho importante diminuir a distância entre celebridades e pessoas comuns, com músicas que nos fazem lembrar que todos nós somos humanos. E que todos estamos apenas tentando sobreviver e seguir com a vida. Sou grata por poder capturar esses momentos que vão se transformar com o tempo através da música. Essa é a minha maneira de deixar minha marquinha no mundo. Então, não sinto que fiz isso com um propósito específico naquele momento. Acho que era só onde eu estava emocionalmente naquele dia, pensando: talvez eu compartilhe demais. Mas eu amo compartilhar. Mas será que devo? Ou não devo? E então, “No Secrets” surgiu.”
Somente você e Jesse Boykins compuseram essa música. Pode contar um pouco do processo de criação da letra?
“Eu não me lembro, para ser totalmente honesta com você. Sinto que, em perguntas como essa no passado, eu inventaria alguma coisa. Mas, na verdade, eu não consigo lembrar. Não me lembro de como a letra surgiu. Lembro que a gente estava conversando, exatamente sobre o que eu acabei de dizer, sobre como colocamos tudo online. E lembro que falei que queria uma frase de abertura que fizesse as pessoas quererem ouvir, mas que também provavelmente causasse um certo desconforto. Porque é algo muito direto, que é bem a minha cara. É muito de Áries. É muito aquela coisa de querer estar cara a cara com alguém, olhando nos olhos, tendo uma conversa. Tipo: ‘Eu perdi meu bebê, mas o show tem que continuar, né? Sem ‘e se’, sem ‘mas’, sem ‘talvez’.
Posso chorar só por uma noite?’ Sabe, essa coisa de que a vida anda tão rápido e todo mundo tem trabalhos difíceis. E todo mundo está lidando com alguma coisa. Tem gente com vários filhos. E, sabe, quando você passa por algo triste, precisa simplesmente aparecer no dia seguinte. E às vezes isso não é fácil. Às vezes, fica um pouco mais fácil quando você se conecta com outras pessoas, sejam conhecidas ou até estranhos na internet, e pede: ‘você pode me acolher nesse momento?’ E compartilhar essa experiência. Então essa era mais ou menos a conversa que eu e o Jessie Boykins estávamos tendo. Foi só, o quê, cinco meses depois que tive um aborto espontâneo. Então, sim. Era um assunto necessário pra eu escrever uma música. Tem um pouco de tudo nela.”
Em recentes entrevistas, você afirmou que se entregou ao R&B. Então, a gente pode esperar por uma Jessie J totalmente focada nesse gênero na próxima música e álbum?
“Basicamente, eu escrevi três álbuns entre 2019 e 2023. E o álbum inteiro é meio que uma mistura das minhas músicas favoritas de todo esse período. Então tem um pouco de pop grandioso, bastante R&B, acústico, dance e baladas. Ou seja, está meio por toda parte. Não sinto que nenhum dos meus álbuns tenha seguido um gênero específico e, para ser honesta, acho que nenhum seguiu mesmo. Isso simplesmente não é muito a minha cara.
Acho que sou muito… acho que, como seres humanos, somos complexos demais para focar em um único gênero. Mas há músicas suficientes no disco que, se você separar só as faixas de R&B, daria até para montar um miniálbum. Então, espero que meus fãs de R&B fiquem bem servidos e felizes.”
E o pop? Você foi reconhecida nesse estilo. Você pretende se desprender desse gênero ou ainda veremos algumas músicas nesse estilo?
“Sim, com certeza tem músicas pop no álbum. A próxima música que será lançada é uma grande faixa pop.”
“No Secrets” é como uma carta aberta. O que você sentiu ao escrever essa canção?
Acho que é importante simplesmente ser vulnerável. Muita gente encara a vulnerabilidade como fraqueza, e eu não. Vejo isso como uma força. Acho que todos nós estamos, no fundo, tentando estender a mão para alguém. E sou grata por sentir que minha música ajuda as pessoas a terem menos medo de fazer isso, de buscar apoio, de segurar a mão de alguém que precisam. Ou até mesmo na felicidade, nem todas as minhas músicas são tristes, obviamente, mas até nas músicas felizes, é bom sentir que você pode abraçar as pessoas, seja energeticamente, espiritualmente, ou fisicamente, se for apropriado.
E esse tema, para mim, era muito importante… Eu sempre usei a música como terapia. Então “No Secrets” era algo que eu precisava escrever para mim mesma, mas acabou se tornando uma música com a qual eu pensei: ‘acho que outras pessoas também vão conseguir se identificar, cada uma à sua maneira’. E foi por isso que eu quis que ela fosse o primeiro lançamento.”
Muita coisa mudou na sua vida. Você saiu da Republic Records, por exemplo. O que você quer fazer agora como artista independente?
Eu disse para alguém outro dia que sinto como se tivesse passado de fazer parte de uma rede de restaurantes para trabalhar naquele restaurante familiar da rua, que você ama. E acho que o que mais me anima agora é poder estar ali, trocando ideias com essas pessoas e realmente criar algo pessoal, uma experiência íntima que seja única, diferente de entrar numa rede de restaurantes. Eu sei que essa metáfora faz sentido pra mim. Mas o que estou esperando mesmo é ter mais voz, mais controle criativo, estar com menos dívidas e me divertir com isso.”
O Brasil está sempre na sua agenda, né, Jessie? Com o The Town a caminho, o que a gente pode esperar do seu show? O álbum já ta sendo finalizado. Então, realmente vamos ouvir músicas novas?
Ah, com certeza. Vai ter música nova, sim, mas também uma celebração de todos os meus grandes sucessos, de 2010 até agora. São 15 anos de carreira… Não é fácil montar um setlist com cinco álbuns, posso te garantir isso. Então, sim, estou animada para criar um novo show. E, na verdade, esse show vai acontecer poucas vezes este ano. Vai ser um momento especial. E eu sou uma grande fã da Mariah Carey, então mal posso esperar por isso, de verdade.”
O nome do nosso site é Tracklist. Você pode compartilhar três músicas suas e de outros artistas que estão na “tracklist” da sua vida?
A primeira é D-Train, “You’re The One For Me”. A virada dessa música é simplesmente monstruosa. Nada supera isso pra mim. “X Factor”, da Lauryn Hill, essa música me toca toda vez. E, da minha própria discografia, eu diria… diria “No Secrets”, no momento. Sinto que ela realmente representa onde estou na minha vida. Não é porque estou tentando promovê-la… ou será que é? (risos). Mas não, de verdade, sinto que ela reflete mesmo o meu momento. E sou grata por isso.”
Poderia enviar uma mensagem para seus fãs brasileiros?
“E uma mensagem para meus fãs brasileiros. Eu adoro vocês. Sinto a paixão, o carinho e o apoio de vocês. E eu realmente sinto isso… sempre que penso em voltar ao Brasil. Então, não vejo a hora de voltar em setembro. Estou tão animada.”
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