Entrevista: Di Ferrero detalha o álbum “SE7E” e mais

O artista apresentou o novo disco neste mês

Foto: Cred. Cesinha / Divulgação

Neste mês, Di Ferrero entregou ao público o seu novo álbum de estúdio, “SE7E”. O projeto musical, que já havia sido apresentado em dois EPs, é transformado em uma obra mais ampla com a presença de faixas inéditas, visualizers e uma nova fase da “Turnê SE7E”.

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O trabalho reforça a identidade artística da nova fase do artista; e explora temas como mudanças pessoais de ciclos e transformações. Além disso, o disco é marcado pela experimentação de novas sonoridades pelo artista.

Com a presença de faixas como “Fim do Mundo”, “Cuida” e “Deixa Sonhar” (com participação de Jenni Mosello), o álbum envolve o ouvinte em uma jornada completa de autoconhecimento e superação de dificuldades. O conceito é, ainda, aprofundado pela parte visual – transformando o céu, estrelas e constelações em símbolos de caminho e transformação.

Em entrevista recente ao Tracklist, Di Ferrero detalhou o processo de produção e as temáticas trabalhadas no novo disco, além de comentar sobre os próximos shows da “Turnê SE7E” e mais. Confira a conversa abaixo!

Entrevista: Di Ferrero

Vamos lá falar sobre seu novo álbum “SE7E”. Comentando um pouco sobre conceito e temas desse disco, como você definiria esse projeto?

“Definiria assim: é um momento de vida, é uma transformação. Acho que isso é uma palavra boa para esse álbum. O 7 já é um número que representa isso, transformação, né? Tanto é que o conceito do álbum; a cor, o horário – 7 horas da noite, o dia acaba, a noite começa. Tem aquela cor azul, que é a cor do álbum, aquela cor depois que o sol se põe, aquele azul quase indo pra noite. Então, tem todo esse lance de transformação, de trazer um pouco do meu mundo; o que eu vivo com a minha família. Tem a ver com todos esses lances até esotéricos, ocultos, ou estudos de astrologia, numerologia. Coisas que fazem parte da minha vida e que eu nunca coloquei assim junto com a música, talvez, né? Só que sempre tiveram presentes desde os meus primeiros lançamentos”.

“Eu percebi isso fazendo as entrevistas, na verdade – olhando lá atrás, lembrando meus primeiros clipes. Eu sempre usava miçangas, um símbolo de proteção, ou algo que meu avô me dava, que as minhas tias ciganas me davam e tal. Então, acho que eu consegui colocar tudo isso para fora de uma forma legal, transformadora, junto com os temas das músicas e as letras. E eu acho que eu me senti até melhor como pessoa ao fazer esse álbum. Eu consegui deixar para trás coisas que eram difíceis de largar; que talvez eu era apegado aos sentimentos, às sensações, sabe? E é uma coisa que talvez me machucava, passava por cima de mim. Então tem esses temas nas músicas. Eu acho que é isso: transformação”.

E, falando sobre a sonoridade, o disco traz características mais orgânicas e um rock mais cru, com diversos instrumentos; mas também traz outras características, como os sintetizadores, que dão até um ar mais nostálgico às faixas. Queria saber como você chegou a essa sonoridade, e como foi o seu processo criativo no geral.

“Esse é um álbum que eu lancei de forma diferente, né? Ele foi lançado por partes, essa é a última parte. Eu nunca tinha feito assim. E a primeira música que saiu do projeto foi ‘Além do Fim’, que era uma música totalmente no violão e tal, e continua assim. O cara que me ajudou a entender esse momento novo, também, é o Felipe Vassão, que é um dos produtores do álbum e um cara incrível. E aí a música concorreu ao Prêmio Multishow, o que foi muito legal. E nesse caminho eu comecei a gostar e falei: ‘Cara, é muito mais real, é muito mais cru para mim, muito mais sincero’. Então, todas as músicas foram pensadas em trazer isso”.

“Claro que eu adoro a tecnologia, tudo, abrir o computador lá e fazer a música e tal. Só que [gostei de] transformar esse processo de sentar, tocar, tentar de novo, regravar, não ficar perfeito, não precisa afinar toda a voz… Se tiver um pouco desafinado, mas tiver com aquela sensação do dia que foi gravado, na madrugada, não tem problema. É para deixar tudo isso cru, mas eu acho que esse é o conceito”.

“E os sons também: a guitarra, o baixo que foi gravado, tem bateria tocada, tem bateria eletrônica… Mas aí vai muito nessa pegada nostálgica, mais anos 80, que são os sintetizadores. E isso era para seguir essa mesma linha, que também é algo que eu gostaria de ouvir. Eu escuto isso hoje, é uma coisa que eu queria dar play“.

Tem alguma influência ou inspiração que particularmente ajudou na construção do projeto? 

, tem várias. Bom, eu estava ouvindo alguns artistas, tipo Leon Bridges, que é um cara que é mais soul music, assim. O Michael Kiwanuka, Turnstile, The Neighbourhood, que eu gosto muito. E tem coisas aqui do Brasil também, né? Terno Rei, menores atos, Lagum também, que é bem legal. Acho que são só artistas que eu gosto de ouvir, assim. Mas, é claro, sempre colocando a minha identidade, a minha cara”.

“Mas ouvi muita coisa legal e, inclusive, alguns deles eu chamei para participar do álbum. O Gee Rocha, que é meu parceiro de vida aí, do NX Zero; e Mateus Asato. Eu chamei só feats de pessoas que são amigos mesmo, que eu conheço fora da música, porque é um álbum muito pessoal… E o Mateus é um cara que nasceu na minha cidade, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; e que é um dos melhores guitarristas que eu conheço e do mundo mesmo. Até o John Mayer é fã dele. E ele estava tocando com o Bruno Mars até esses dias”.

“Chamei também o Thiago Castanho, do Charlie Brown Jr. – que é uma banda que também está no meu DNA – para fazer um som. E tem a Jenni Mosello, que eu conheço desde a época que eu era do X Factor – e virou uma das maiores compositoras que eu conheço. A gente fez uma espécie de terapia em conjunto, mesmo, para escrever as músicas; eu falando das coisas e tal. Acho que tudo nesse álbum foi mais sincero, mais cru. E tem que ser mais real nesse sentido, e com mais calma, porque eu estou há um ano já trabalhando num álbum que está sendo lançado agora. É muito louco isso”.

Você também comentou que está trabalhando nesse projeto já há um tempo. O “SE7E” veio com dois EPs primeiro e, agora, chega ao disco completo. Sempre esteve nos seus planos divulgar o projeto dessa forma ou foi uma ideia que foi sendo construída aos poucos? 

“Eu tinha esse plano, mas claro que ele foi mudando, que era fazer uma história inteira, de um momento de vida mesmo. E continuar, porque as músicas começaram a sair e os temas meio que continuavam numa sequência. Então era essa a ideia. Poderia ser que mudasse no meio ou tivesse só dois, mas eu consegui completar esse momento. Acho que chegou agora a hora de dar um ponto final, concluir. Mas essa foi a ideia. Foi uma coisa nova, colaborativa”.

“E eu fui testando durante os shows algumas músicas novas. A própria música ‘Unfollow’ eu toquei no The Town sem ninguém conhecer, só para ver o que a galera ia achar; e aí a galera curtiu. ‘Que música é essa? Como chama?’ Não tinha nem nome. Então isso eu nunca fiz, sabe? De falar: ‘Vamos gravar, que a galera curtiu’. Eu vi que a galera gostou e ela tinha a ver com o álbum: dar um unfollow em quem você quer dar e seguir o jogo, ir para frente. A galera curtiu essa ideia. Então foi isso, foram vários shows tocando as músicas. Até esse fim de semana eu toquei uma música que eu vou lançar sem falar, só pra observar a reação da galera. Toquei ‘Deixa Sonhar’, e o pessoal gostou muito. Tinha gente que já estava dançando, curtindo, mesmo sem conhecer. Eu falei: ‘Pô, que bom. Isso é um bom sinal'”.

O disco completo chega com algumas adições – “Deixa Sonhar”, “Fim do Mundo” e “Cuida”. Como você sente que essas músicas se conectam ao restante do projeto? Por que elas não poderiam ficar de fora do álbum? 

“Elas têm uma sequência, elas conversam. Tem um começo, um meio e um fim. Inclusive, nessa última leva de músicas, faltava uma música mais densa de todas, que é ‘Cuida’; e a mais dançante, mais pra cima de todas, que é ‘Fim do Mundo’. Apesar do tema, ela é irônica, [mostra] essa preparação para o fim do mundo. Ela é mais pra cima. Então eu falei: ‘Cara, falta uma música mais balada, mais densa, porrada, e falta uma mais dançante, mais pra cima'”.

“Então a gente vai montando o álbum, né? Tipo o álbum da Copa – montando, colocando ali. ‘Agora falta uma música meio-campo ali’, ‘falta não sei o quê aqui’. E foi assim que eu fiz. Mas tudo dentro da ideia: temos que usar os timbres, elas têm que conversar, falar sobre outra coisa um pouco ou continuar esse assunto”.

Você está rodando os palcos do Brasil com a turnê “SE7E”, a qual já tinha descrito como “um show mais contínuo e visual”. Então agora, com a chegada desse projeto completo, o que o público pode esperar das próximas apresentações? 

“Já tô fazendo há um ano essa turnê ‘SE7E’, mas agora vai ser uma turnê mais completa ainda, com algumas músicas novas. Claro que eu toco de tudo no meu show. Toco os sons lá de trás, com NX, outras coisas solo que eu lancei e outras coisas malucas que eu toco no show”.

“Mas ele começa com a intro do show; e a intro do show é a intro do álbum. E aí você entra no universo paralelo e já começa daí. Tudo entra nesse universo mesmo, do álbum, do show. E é isso. Pode, esperar no show do Rock in Rio, por exemplo. Vai ser o show dessa turnê, só que mais potente ainda, mais completo”.

Para finalizar, queria resgatar o que você tinha comentado lá no início: que esse álbum representa uma transformação. Então eu queria saber o que você aprendeu durante o processo de criação desse disco e o que você quer que o público absorva do projeto. 

“Eu aprendi muita coisa, sério mesmo. Eu aprendi a me respeitar mais como pessoa, como ser humano, a não ter medo de me desvencilhar de situações e pessoas que não me fazem bem. Por algum motivo emocional que eu não conseguia entender, eu tinha um apego. Então eu consegui deixar isso pra trás, e as músicas desse álbum me ajudaram, algumas delas, a tirar isso de mim”.

“E o principal: aprendi a respeitar o meu tempo. Eu fiz 40 anos, e acho que também tem a ver com todas essas reflexões. Meu tempo é muito importante. O meu tempo é mais importante que tudo, tudo mesmo. E eu gostaria que isso fosse digerido por todo mundo, servisse de inspiração, mesmo, no mundo em que a gente está hoje. Eu gostaria de fazer o mesmo papel que meus ídolos fazem por mim, que as pessoas que eu admiro fazem. Eu gostaria de passar isso pra frente, que a galera se inspirasse mesmo quando ouvisse as músicas”.


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