Atriz contracena ao lado de Otávio Müller e Kelzy Ecard na nova produção da HBO Max

A atriz Catharina Caiado faz sua estreia em novelas em “Dona Beja”, nova produção da HBO Max. Ao interpretar Carminha, filha dos personagens vividos por Otávio Müller e Kelzy Ecard, a jovem enfrenta uma relação difícil com a mãe por conta do peso. Em entrevista ao Tracklist, ela fala sobre sua chegada à televisão e comenta as nuances do papel.
LEIA TAMBÉM: Série live-action de Scooby-Doo na Netflix ganha primeiras imagens e título oficial
Série de “As Patricinhas de Beverly Hills” é cancelada; entenda o motivo
“Gen V”: série derivada de “The Boys” é cancelada após duas temporadas
“Enola Holmes 3”: quando estreia o filme?
Doce Maravilha 2026: veja programação e como comprar ingressos para o festival
The Weeknd e Anitta no Rio: como chegar ao show?
Formada em Teatro pela CAL e com estudos em dança pela Angel Vianna, Catharina também é mestre em Artes da Cena pela UFRJ e construiu uma trajetória consistente nos palcos ao longo de 16 anos. Nesse período, trabalhou com diretores como Georgette Fadel, Pedro Kosovski, Thierry Trémouroux e Márcio Abreu. Atualmente, está em turnê com o espetáculo “Karamazov”, sob direção de Caio Blat.
No audiovisual, integrou o elenco de “A Cozinha”, dirigido por Johnny Massaro e exibido no Globoplay, além de ter participado da novela “Família é Tudo”, da TV Globo. A atriz também esteve nos curtas “Dependências”, de Luisa Arraes, premiado no Festival do Rio, e “Divinas”, de Vitória Mello Franco, produzido para o British Film Institute.
Confira abaixo a entrevista completa da artista para o Tracklist:
“Dona Beja” marca sua estreia em novelas. Como foi esse processo de transição do teatro para um formato tão diferente como o audiovisual?
No teatro o vazio te engole e no vídeo o vazio te revela. A câmera convoca um outro estado de corpo no sentido do ritmo interno. Busquei formas de me conectar com certas emoções a cada momento. Eu desenhava diagramas do que eu sentia que precisava imprimir no olhar e no corpo a cada instante. Mas tem dois caminhos muito semelhantes no processo que é a forma de buscar o corpo e gestual da personagem através dos ensaios, e também o acordo de que quando começa a rodar (ou a peça inicia), tudo esvazia. Eu gosto de descobrir o jogo na força da presença de outros corpos. O improviso é mágico porque ele é o encontro da espontaneidade do ator com o acaso e uma beleza que só faz parte daquele instante.
O que mais te surpreendeu nos bastidores de uma novela?
O ritmo. Tem dias que eu gravava em duas unidades por muitas horas, cenas muito diversas e complexas. Você precisa lidar com a aceitação, o desapego e a fé no jogo da cena. Gravamos muitas cenas de primeira e nem sempre que eu desejei, eu consegui um outro take. Além da adrenalina – que nos dá uma força – tem o cansaço de horas no calor, da repetição. E ainda tem o acaso. De repente aparece uma cobra, alguém desmaia, alguém perde alguém. Lembro de ter cenas de intimidade no mesmo dia que fazia uma mudança. Foi uma imagem e tanto. A vida é muito surpreendente. Risos. É preciso descobrir formas de entrar em um estado com muita rapidez e fluidez.
Existe alguma pressão ou expectativa pessoal por ser sua primeira experiência em uma novela?
Eu tenho muito tempo no teatro e eu sou uma atriz muito visceral e instintiva. E eu sou uma mulher e artista muito analisada. Tenho muita consciência dos meus caminhos e processos. Eu nunca duvidei da minha força como atriz para viver a Carminha. Que bom que todos acreditaram em mim também! Foi um presente. Eu não imaginava que eu tivesse tanta presença de espírito e jogo de cintura para lidar com os grandes desafios e conflitos que se apresentaram. Eu intuo que isso fala do tamanho da minha paixão por atuar. E eu descobri muito prazer em fazer uma novela. Eu tenho a expectativa de que meu trabalho nessa novela me traga ou me leve a outras personagens tão maravilhosas e complexas como a Carminha.
Quem é a Carminha dentro da trama e o que mais te chamou atenção quando leu o roteiro pela primeira vez?
O que mais me chamou atenção foi a alegria dela. Ela tem uma força de vida, uma vontade de mundo. Eu senti de primeira que ela tinha uma alma espontânea e muito viva. Me chamou atenção essa menina que sofre muita opressão e não se apega a dor. Ela tá sempre buscando a beleza e a felicidade.
Sua personagem enfrenta violência psicológica relacionada ao corpo. Como foi construir essa camada emocional?
Eu estudei muito. Li livros – entre eles O mito da beleza de Naomi Wolf e Tudo sobre o amor de Bell Hooks. Essa camada emocional eu conquistei trazendo pra pro meu íntimo a experiência da descoberta. Eu mesma estava descobrindo esse outro corpo: eu tinha ganho peso no desmame da minha filha. E a Carminha estava descobrindo também o próprio corpo a partir do encontro com o Honorato – que despertou nela o desejo. Foi uma beleza contracenar com a grande atriz que é a Kelzy Ecard. Ficamos muito próximas e construímos juntas essas dores. Tinha dias mais densos no set com cenas mais duras, e eu corria pra casa para tomar um banho e brincar com a Theodora. Algumas cenas me sugavam mais e eu algumas vezes dancei sozinha no camarim escuro.
Como foi a busca por referências ou vivências para dar vida a essa personagem?
Eu assisti muito aos filmes da Jane Austen. Acho que ela construiu muito bem essas personagens contraditórias entre o que esperam delas e o que o corpo delas deseja. A Kate Winslet em Razão e Sensibilidade foi um norte. A construção cheia de vida da Kirsten Dunst em Maria Antonietta e da Elle Fanning em Catarina A Grande me inspiraram também. Eu lia muita poesia e escutava músicas apaixonadas no set para entrar em um estado lúdico e amoroso. A Penelope de Bridgerton vivida pela Nicola Coughlan inspirou os autores, o que no primeiro momento, me afastou porque eu não queria ficar sugestionada pela interpretação dela. Mas depois que eu tinha encontrado já a personagem em mim, eu assisti e me inspirou muito o universo.
Como você enxerga a importância de trazer para a ficção temas como gordofobia e relações familiares abusivas?
É muito importante reconhecermos que o amor pode ser muito violento, destrutivo, complexo. A família pode ser muito cruel. Mas eu realmente acredito que pessoas machucadas machucam. A Augusta é muito mal resolvida com o próprio corpo e história. Ela não é feliz em ser ela mesma. E ela busca se realizar através da filha. É muito importante falarmos de corpo e liberdade porque vivemos uma era em que as mulheres seguem sendo vítimas de um sistema que lucra com a nossa insegurança. O padrão é um projeto selvagem da nossa cultura em que as mulheres são as presas.
A relação da Carminha com a mãe é bastante dura. Como foi trabalhar essa dinâmica em cena?
Foi uma beleza contracenar com a grande atriz que é a Kelzy Ecard. Ficamos muito próximas e íntimas e construímos juntas essas dores.
Ela também é mãe e assim como eu, tem uma relação intensa com a própria mãe. Vivemos muita coisa juntas. É uma oportunidade dar vida a personagens que nos ensinam tanto. Aprendemos muito sobre empatia, moral, amor e violência. Trabalhar essa dinâmica em cena muitas vezes era delicado, e eu acredito que o humor salvou a nós duas e o espectador porque o humor aproxima. Tem sido tão especial receber tantas mensagens de meninas e mulheres comovidas com a Carminha! Uma de ação maravilhosa de trabalho bem feito que nesse caso tem um impacto social.
Você tem uma carreira consolidada no teatro, com mais de 16 anos de atuação. O que dessa bagagem você leva para o audiovisual?
Tudo. O teatro me ensinou tudo. O teatro é escuta, presença, jogo, desejo de encontro. O teatro me dá vitalidade, frescor, coragem, grandeza. Ela expande minha alma. Eu descobri no teatro quem eu sou e quem eu quero ser. Carrego tudo isso na pele. Eu sou movida por transformação. Minha entrega é sempre profundamente visceral.
Além de atriz, você também assina o roteiro de um longa. Como é equilibrar essas diferentes frentes criativas? E o que pode nos adiantar sobre “Vórtice”?
Eu sempre escrevi. Eu tinha muitos diários do meu puerpério. Um belo dia eu resolvi encarar eles e quando vi, tinha um roteiro pedindo passagem. Foi muito gostoso e libertador. Uma onda! E eu que tenho uma mente que ferve de ideias, agora as flechas tem se desenhado mais no espaço. A escrita me trouxe muita visão. Foi alho que conquistei e espero que seja só o começo. O Vórtice é um longa sobre duas mulheres que se apaixonam no puerpério e decidem pegar uma estrada juntas. É uma imagem e tanto. Podemos ficar com ela por enquanto.
Quer acompanhar as principais novidades de música, cinema, streaming, premiações e cultura pop em tempo real? Siga nossos canais no Instagram e WhatsApp.
Também estamos no TikTok, Twitter (X) e Bluesky. Siga o Tracklist na sua rede favorita e acompanhe o que está em alta no mundo do entretenimento!






