Crítica: “Wicked: Parte II” supera expectativas e traz produção sensível e grandiosa

Segunda parte do musical estreia no Brasil nesta quinta-feira (20)

Foto: Divulgação

Por Anderson Rafael – “Wicked: Parte II” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) cercado de altas expectativas para o desfecho das histórias de Elphaba e Glinda no universo de Oz. Exibido pela primeira vez no Brasil durante a première realizada em São Paulo, no último dia 4 de novembro, o filme consegue superar as já elevadas expectativas e entregar uma produção grandiosa, repleta de emoção e números musicais marcantes.

A direção sensível de Jon M. Chu garante que todas as tramas envolvendo Elphaba, Glinda, Fiyero, Boq, Nessarose e outros personagens sejam desenvolvidas de forma linear e clara para o espectador. Responsável pelos dois filmes da saga, Chu se firma como o grande mentor desse universo que conquistou milhões de fãs ao redor do mundo.

O que esperar de “Wicked: Parte II”?

ATENÇÃO: Este texto pode conter spoilers!

Cynthia Erivo interpreta uma Elphaba que luta bravamente por aquilo em que acredita. O filme aprofunda os sentimentos da personagem por Fiyero (Jonathan Bailey), revelando nuances emocionais que tornam sua jornada ainda mais tocante. A atriz entrega uma performance vocal poderosa e, ao mesmo tempo, momentos de grande sensibilidade que comovem o público — há cenas que certamente podem levar o espectador às lágrimas.

Entre os destaques de Elphaba, está a cena da primeira noite de amor com Fiyero, marcada pela belíssima performance de “As Long as You’re Mine”. A atriz também brilha na canção original “No Place Like Home”, que se encaixa perfeitamente na trajetória da personagem, especialmente por expressar sua luta em defesa dos animais contra as políticas do Mágico de Oz

“No Good Deed” representa o grande ponto de virada de Elphaba, transformando-se definitivamente na Bruxa Má do Oeste por meio de um solo poderoso e intenso. Erivo desponta, assim, como uma das fortes candidatas ao Oscar de Melhor Atriz pela sua performance magistral.

Glinda, vivida por Ariana Grande, ganha uma abordagem mais densa neste segundo capítulo. O solo “Thank Goodness” é um dos destaques do filme e aparece logo no início, explorando o contraste entre a popularidade de Glinda — agora amplamente aceita pelo público como “a Boa” — e sua dor interna diante da forma como trataram sua amiga Elphaba. Esse conflito emocional é interpretado de forma brilhante por Grande, que equilibra com sensibilidade a aparência de felicidade e a tristeza contida da personagem.

As cenas que exploram sua infância revelam o desejo genuíno de dominar a magia e compreender seu papel no mundo. O arco de redenção da personagem é conduzido com sensibilidade e tem como ponto alto a nova canção “ The Girl in the Bubble”, cuja transição para For Good entrega o momento mais emocionante do filme. 

Ainda há espaço para o humor característico de Glinda, especialmente nas interações com Elphaba em Munchkinland. Ariana Grande equilibra com maestria o tom cômico e a profundidade emocional da personagem, tornando-a mais humana e comovente. Sua atuação deve colocá-la entre os principais nomes cotados ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

O personagem Fiyero também ganha destaque nesta sequência. Jonathan Bailey entrega uma atuação sólida, explorando a jornada de autodescoberta e amor verdadeiro de seu personagem. As cenas de sua tortura, intercaladas com o solo de Elphaba em “No Good Deed”, são impactantes e culminam em sua transformação no Espantalho — uma das caracterizações mais impressionantes do filme.

Momentos igualmente marcantes incluem a transformação de Boq (Ethan Slater) no Homem de Lata e a trágica cena em que a casa, levada por um furacão provocado por Madame Morrible (Michelle Yeoh), atinge fatalmente Nessarose (Marissa Bode). Dorothy faz apenas uma breve aparição, como já esperado, situando os eventos finais de “Wicked: Parte II” em paralelo com os de “O Mágico de Oz”.

Um dos destaques do longa é o dueto de “For Good”, em que Ariana Grande e Cynthia Erivo traduzem, com delicadeza, o legado e a amizade das personagens, que se reverberam para os bastidores. Por sua vez, o “Finale” encerra a produção de forma comovente e classifica o universo “Wicked”, já consagrado no meio teatral, como um dos maiores fenômenos recentes do cinema. 

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