Morte do autor de novelas aos 95 anos reacende dúvida antiga sobre possível laço de família com a atriz global

A morte do dramaturgo, nesta terça-feira (7), aos 95 anos, trouxe de volta um questionamento recorrente entre o público: afinal, Benedito Ruy Barbosa tinha parentesco com Marina Ruy Barbosa? O autor, responsável por novelas como “Pantanal” e “Renascer”, enfrentava havia tempos um quadro de insuficiência renal crônica.
Apesar do sobrenome idêntico, Benedito Ruy Barbosa e Marina Ruy Barbosa não tinham nenhum grau de parentesco. A coincidência no nome levou fãs e internautas a associarem os dois ao longo dos anos, mas trata-se apenas de uma semelhança sem relação familiar real entre o dramaturgo e a atriz.
A origem do “Ruy” no nome do autor de novelas é diferente da que aparece no nome da atriz. Benedito recebeu o nome em homenagem feita por seu pai, que o batizou de Benedito Ruy em referência ao jornalista, político e jurista Rui Barbosa, uma das figuras mais relevantes do início da República brasileira. Já no caso de Marina, Rui Barbosa é, de fato, um antepassado direto, seu tataravô.
A atriz já havia se manifestado publicamente sobre o tema em outras ocasiões, ao ser questionada por seguidores nas redes sociais. Segundo ela, não existe parentesco com o dramaturgo, e o nome dele remete à admiração do pai por Rui Barbosa, enquanto o sobrenome de família de Benedito é, na verdade, apenas Barbosa. Marina reforçou ainda que sua família não tem origem no meio artístico.
Rui Barbosa atuou como jornalista, político e jurista de destaque no início do período republicano brasileiro, no fim do século XIX. Ele se envolveu em causas ligadas à educação e ocupou os ministérios da Fazenda e da Justiça logo após a Proclamação da República, sendo essa a única conexão histórica entre os dois “Ruy Barbosa” que dividem as telas e as manchetes.
Benedito Ruy Barbosa começou a carreira na teledramaturgia ainda nos anos 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, ambas na extinta TV Tupi. Sua chegada à TV Globo aconteceu em 1971, com “Meu Pedacinho de Chão”, inspirada na própria infância em cidades do interior, folhetim que sofreu cortes da censura durante a ditadura militar.
O primeiro grande sucesso do autor na emissora veio apenas em 1976, com “O Feijão e o Sonho”, seguido por “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979). Ao longo da carreira, também assinou títulos como “Paraíso” (1982), “De Quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999), além de “Os Imigrantes” (1981), na TV Bandeirantes. Sua última novela inédita na Globo foi “Velho Chico”, exibida em 2016.
Marcado pela temática rural e por histórias de imigrantes, Benedito também valorizava o romance como espinha dorsal de suas tramas. Antes de se dedicar à ficção televisiva, trabalhou como repórter e revisor em veículos como “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”.
Clássicos como “Cabocla”, “Paraíso”, “Pantanal” e “Renascer” ganharam remakes na Globo ao longo dos anos 2000 e 2010, sendo os dois últimos assinados pelo neto do autor, Bruno Luperi, com Marcos Palmeira integrando o elenco em ambas as versões.
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