Artista conta como transformou quartos de hotel e pontos turísticos históricos em parte do processo criativo de seu novo álbum

Poucos artistas podem dizer que gravaram um álbum na Antártida, aos pés do Cristo Redentor e na Grande Muralha da China. Mas, para Oliver Tree, essa foi apenas parte do processo de criação de “Love You Madly, Hate You Badly“, seu quarto álbum de estúdio e, segundo ele, o trabalho mais ambicioso de sua carreira.
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Conhecido por misturar música, humor, performance e elementos visuais de forma singular, Tree revelou, em entrevista ao Tracklist, que percorreu 82 países e os sete continentes durante a produção do disco. Ao longo da jornada, o artista registrou vocais em quartos de hotel e colecionou experiências que ajudaram a moldar o projeto.
O processo também deu origem a uma série de documentários filmados durante a criação do álbum, que agora estão sendo transformados em longas-metragens.
Com show marcado para o próximo sábado, 6 de junho, em São Paulo, no Studio Stage, o artista ainda relembrou sua passagem pelo Brasil — país onde concluiu seu álbum anterior — e falou sobre a relação com os fãs brasileiros, que, segundo ele, ajudaram algumas de suas músicas a alcançarem novos patamares de popularidade. Confira!
O motivo de eu considerá-lo o mais ambicioso é que gravei esse álbum em todos os sete continentes, passando por 82 países diferentes, praticamente sozinho, em quartos de hotel. Escrevi todas as melodias e letras, algo que sempre fiz, mas desta vez também produzi o álbum inteiro por conta própria. Gravei todos os vocais em quartos de hotel.
Depois, finalizei as mixagens com um amigo engenheiro de áudio que me ajudou a gravar alguns instrumentos. Mas foi um projeto gigantesco. Levou anos para ficar pronto.
Durante todo esse processo, também filmei 15 documentários nos sete continentes mostrando a criação do álbum. Agora estou editando esses documentários para transformá-los em longas-metragens.
Foi uma jornada enorme. Gravei músicas na Antártida, aos pés do Cristo Redentor, na Grande Muralha da China, em Machu Picchu, nas Pirâmides do Egito e em muitos outros lugares. Isso criou uma conexão muito especial com diferentes formas de viver e enxergar o mundo.
Passei um tempo com tribos na África, dormi em cabanas de esterco, fiquei em cavernas com beduínos em Petra, me hospedei em casas de barro no Iraque. Conheci pessoas completamente diferentes entre si, desde teóricos da conspiração até religiosos extremistas. A capa do álbum, por exemplo, foi fotografada no Afeganistão, onde instrumentos musicais são proibidos. Foi realmente uma experiência maluca.
Na verdade, não senti que tivesse mais liberdade criativa do que normalmente tenho. Eu sempre escrevi todas as letras, melodias e participei da produção das minhas músicas.
A diferença é que, quando você trabalha com outras pessoas, acaba querendo saber o que elas pensam porque essa troca de energia é contagiante. Eu costumava perguntar aos colaboradores: “Vocês gostam disso?” ou “O que acham dessa ideia?”.
Desta vez, a pergunta era apenas: “Eu gosto disso?”.
Eu sempre gostei do que faço, porque nunca crio música por outro motivo além do amor pelo processo. Mas nesse álbum eu parei de buscar validação externa e passei a olhar mais para dentro.
Nunca fui o tipo de artista que pergunta qual letra deveria escrever, mas às vezes perguntava se uma frase funcionava melhor do que outra. Dessa vez, simplesmente parei de fazer isso e confiei totalmente no meu próprio gosto. O resultado ficou muito mais alinhado com aquilo que eu realmente gosto de ouvir e criar.
Essa será a maior turnê da minha vida. Ela vai durar cerca de seis meses. Já anunciamos algo em torno de 70 apresentações, mas ainda faltam divulgar datas em mais 15 ou 20 países da Ásia, África e outras regiões.
Será a turnê mais longa e mais diversa que já fiz.
Durante a produção do álbum, fui duas vezes à Antártida e cheguei a fazer seis apresentações por lá. Também toquei para a tribo Maasai, na Tanzânia. Aluguei caixas de som de alguns moradores locais e fiz o que provavelmente foi o show mais punk rock da minha vida.
Eles nunca tinham ouvido algo parecido com a minha música e nem sabiam exatamente como dançar aquilo, mas tivemos uma noite muito bonita juntos.
Quanto ao show da turnê, ele é uma experiência audiovisual. Estou unindo meu trabalho como diretor com toda a minha trajetória musical. A ideia é tocar as músicas que marcaram a vida das pessoas, os sucessos que receberam discos de ouro e platina, e misturá-los com meus momentos favoritos do novo álbum.
Em alguns momentos, as transições acontecem quase como em um set de DJ. Entre meu último álbum e este, fiz uma turnê como DJ e voltei a praticar algo que fazia quando tinha 17 anos. Inclusive, abri shows do Skrillex quando ainda estava no ensino médio.
Essa experiência influenciou bastante o formato do show. As músicas se conectam de maneira mais fluida, às vezes como em uma apresentação de DJ. Ao mesmo tempo, também estou simplificando algumas coisas e deixando outras mais grandiosas. O objetivo é criar uma experiência visceral e muito autêntica.
Para ser sincero, eu me surpreendi com o tamanho do público que tenho no Brasil.
Houve momentos em que os fãs brasileiros realmente ajudaram a impulsionar algumas músicas e levá-las para outro nível por meio da viralização. Sou muito grato por todo esse apoio.
Eu deveria ter tocado no Brasil anteriormente, mas aquele show acabou sendo cancelado por motivos que estavam fora do meu controle. Foi algo muito frustrante para mim e para os fãs.
Por isso, voltar agora tem um significado ainda maior. Parece uma vitória finalmente poder retornar e fazer esses shows.
Também passei cerca de três meses no Brasil finalizando meu álbum anterior. Fiquei na região das florestas do Rio de Janeiro e me impressionei muito ao perceber o impacto que minha música tinha por aí.
Tenho a sensação de que, quanto mais ao sul do mundo você vai, mais apaixonados, intensos e energéticos são os fãs. Então estou muito animado para finalmente viver essa experiência ao vivo com o público brasileiro.
está falando de uma música minha ou de qualquer artista?
Neste momento, eu escolheria “Deep End”, uma música minha.
Provavelmente eu escolheria uma canção de outra pessoa, mas a verdade é que eu não escuto música. Faz uns dez anos que não ouço música por escolha própria. Posso escutar algo no rádio, no carro de alguém ou em um restaurante, mas não sento para ouvir música voluntariamente.
“Deep End” é uma música que fala muito comigo. Ela aborda a sensação de ver as pessoas indo embora e se sentir sozinho. Ao longo desses anos viajando pelo mundo e sem morar em um lugar fixo, muitas vezes me senti solitário. Mas também aprendi a gostar da minha própria companhia.
Aprendi a me amar mais, a aproveitar meu tempo sozinho e a valorizar aquilo que eu realmente gosto de fazer todos os dias. Por isso, essa música tem um significado muito profundo para mim.
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