Entrevista: Chase Atlantic fala sobre shows no Brasil, álbum e mais

O trio passa com a turnê "Lost In South America" por três cidades do país

Vitória RoqueEntrevistasMúsicaNotícias10 de novembro de 2025

Foto: Divulgação

No último domingo (9), a banda australiana Chase Atlantic iniciou uma série de shows no Brasil! O trio – formado por Mitchel Cave, Christian Anthony e Clinton Cave – trazem a turnê “Lost In South America” para três cidades do país.

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Além de um show em São Paulo, no Suhai Music Hall, que ocorreu no dia 9 de novembro; o grupo tem eventos marcados em Porto Alegre, no KTO Arena, no dia 11 de novembro; e no Rio de Janeiro, no Qualistage, no dia 13 de novembro.

Antes de embarcarem para o Brasil, os integrantes Mitchel Cave e Christian Anthony cederam uma entrevista ao Tracklist, onde falaram sobre suas expectativas para os concertos. Além disso, os artistas compartilharam alguns detalhes sobre a produção do álbum “LOST IN HEAVEN (HIGH AS HELL) [DELUXE] e mais. Confira a conversa abaixo!

Entrevista: Chase Atlantic

Vocês realizam três shows no Brasil em breve. Quais são suas expectativas para esses eventos?

Mitchel: “Sinceramente, estamos bem animados. Já estivemos na América do Sul uma vez antes para fazer alguns shows, e isso meio que definiu nossas expectativas para esta próxima turnê. Faz um tempo desde então, e sinto que crescemos em popularidade por lá. Então acho que vão ser shows muito legais, e vai ser uma ótima experiência simplesmente estar lá novamente e fazer tudo de novo, mas agora em uma escala muito maior”.

Christian: “E eles vão ser os primeiros fãs a ouvir algumas das novas músicas”.

Podem revelar algum spoiler?

Christian: Hum… não. [risos]

Ok, justo! Vocês estiveram no Brasil em 2023. Tem alguma memória marcante da época que poderiam compartilhar?

Mitchel: “Houve uma vez em que estávamos saindo de um dos locais do show, e a van meio que ficou, tipo, cercada, mas de um jeito legal. Todo mundo estava sendo muito receptivo, mas a gente simplesmente não conseguia ir a lugar nenhum. Tipo, todo mundo estava ali, parecia quase um monte de zumbis. Mas foi legal”.

Christian: “A gente meio que incentivou um pouco isso também. Tipo, foi meio que culpa nossa”.

Mitchel: “Não dava pra virar à esquerda, nem à direita. Nem dar ré”.

Christian: “Eu me lembro de jogar futebol em Porto Alegre, também. Foi muito divertido”.

Agora, vocês estão voltando com um novo show. Então, em qual momento ou música vocês estão mais animados para tocar aqui, ou para ouvir a reação do público brasileiro?

Christian: “Tem que ser ‘FAVELA’. Digo, nós fizemos essa música com a intenção de tocá-la ao vivo na América do Sul. Já a tocamos pelo mundo todo, e tem sido incrível. Ela é diferente ao vivo, mas acho que foi feita para ser tocada no Brasil”.

Mitchel: “Ela ressoa muito melhor na América do Sul”.

Christian: “Exato”.

Falando sobre “FAVELA” – como vocês disseram, ela faz referência ao Brasil. Então, poderiam contar um pouco sobre a história por trás da faixa?

Mitchel: “Estávamos no estúdio. O instrumental em si já tinha uma vibe boa, sabe o que quero dizer? Soava animado, com aquele clima da América do Sul, meio latino. E, como o Brasil é um dos nossos maiores mercados, pensamos: ‘Acho que está na hora de prestar uma homenagem’. E então tudo meio que se encaixou, tipo, em uma das gravações de freestyle“.

Christian: “Acho que foi bem rápido. Começamos com o instrumental, que foi feito pelo nosso amigo Ben. E assim que ouvimos, percebemos as influências latinas, o ritmo, a empolgação da faixa. E então começamos a cantar por cima, meio que em coro. Depois o Mitchel entrou na cabine e criamos ‘FAVELA’ em, sei lá, três takes, eu diria”.

Mitchel: “Sim, acho que foi ideia do Christian, na verdade. Ele simplesmente disse ‘favela’, e eu perguntei: O que é isso?’ Aí descobri que era tipo ‘a quebrada’. Então ficou meio que um hino da quebrada. Um pouco gangster“.

Recentemente, vocês lançaram a versão deluxe de “LOST IN HEAVEN”. Algumas faixas foram incluídas que não estavam na versão original. Por que sentiram que esse era o momento certo para lançá-las? Como foi o processo de seleção?

Mitchel: “Na verdade, fizemos essas faixas depois que o álbum já estava pronto. Então, não são músicas que tinham ficado de fora do processo. Na verdade, se quiséssemos usar as que ficaram de fora, poderíamos ter feito isso. Mas quisemos começar do zero, como uma folha em branco, mesmo; e garantir que as pessoas soubessem que estávamos atualizados com o que estávamos entregando. Não apenas o que sobrou, sabe? Algo fresco, totalmente novo. E poderíamos ter seguido o outro caminho, usando músicas que não entraram no álbum, mas acho que sempre tentamos ir além para nossos fãs e ouvintes. Então, foi importante – tanto para eles quanto para nós – provar que ainda estamos com tudo”.

chase atlantic
Foto: Divulgação

Vocês mencionaram em uma entrevista anterior que, durante a produção do álbum regular, estavam “vivendo vidas separadas” e precisaram aprender a ser uma banda novamente. Como essa experiência de estarem em rotinas diferentes impactou a produção do álbum ou o processo criativo como um todo?

Christian: “É uma boa pergunta. Nós… estávamos na mesma região, mas não exatamente vivendo vidas separadas. Nossas vidas sempre giraram em torno do Chase Atlantic. Mas foi a primeira vez que não estávamos morando juntos. Então era uma questão de nos reunirmos todos os dias em um ambiente comum. Antes, tínhamos o estúdio em casa, então estávamos no estúdio praticamente todos os dias. Essa foi a primeira vez em que tínhamos casas diferentes, o que tornou um pouco mais difícil juntar todo mundo. Mas, no segundo em que reservamos o estúdio, foi tipo uma semana para “tirar a ferrugem”, e logo voltamos ao ritmo. E acho que o vídeo que postamos recentemente no Instagram mostra bem como trabalhamos bem juntos”.

Mitchel: “Agora está tudo fluindo bem, é insano”.

Christian: “É louco. Tipo, tem um momento entre o Clinton e eu, em que dissemos: ‘Acho que temos um álbum’. Estávamos no fim da produção”.

Mitchel: “E ainda havia tanta coisa para fazer”.

Christian: “É. ‘Ok, parece que agora temos um álbum. Beleza. Este é um álbum de verdade'”.

Ainda neste tópico, se vocês tivessem que escolher uma música favorita desse álbum, qual escolheriam? E por quê?

Christian: “Acho que, no momento, é… é algo mais recente, mas diria ‘FACEDOWN'”.

Mitchel: “É, eu ia dizer o mesmo”.

Christian: “‘FACEDOWN’ é como… é algo fresco. É algo que a gente ainda não tinha feito; com as baterias em double time e até a forma como o Mitchel criou o instrumental, foi um processo novo. E para a música em si… a ideia surgiu bem rápido”.

Mitchel: “E tem uma carga emocional por trás dela também, acho que é um bom equilíbrio. Tipo… é meio pop, mas ao mesmo tempo não é muito sombria, nem muito triste”.

Christian: “E acho que para as músicas que surgem tão rápido – tanto na melodia quanto nos vocais -, você sempre sabe que tem algo forte ali”.

Mitchel: “É. Aconteceu assim com ‘SWIM’ e ‘INTO IT’ também”.

Legal. Tenho uma pergunta um pouco mais geral. A banda sempre navegou por diferentes gêneros – como trap, R&B, rock, pop, até jazz. Então, com qual gênero vocês se sentem mais à vontade para trabalhar? E há algum estilo que ainda gostariam de experimentar?

Mitchel: “Todos eles. Quero dizer, nos sentimos à vontade em todos os gêneros em que achamos que podemos nos destacar ou ir além. Já experimentamos praticamente tudo neste ponto; não consigo pensar em um gênero que não tenhamos feito. Quer dizer, fora do Chase Atlantic, tipo, em projetos paralelos, já produzimos praticamente todos os estilos de música eletrônica também. Mesmo que seja só por diversão… Chris, tem algum gênero que a gente ainda não tenha feito?”

Christian: “Não sei. Em termos de produção, provavelmente não. Mas com certeza tem algumas coisas de EDM que ainda não exploramos. Só que há muitas ideias antigas, tipo de EDM, que você já criou, em que chegou a cantar um pouco, ou ideias pequenas que fizemos juntos. Então há muitas árezs, mas quanto a em qual nos sentimos mais confortáveis… eu realmente não sei. Sempre que a gente se senta para fazer uma música do Chase Atlantic, não existe uma tela em branco: é só o que soa bem”.

Mitchel: “E isso varia de dia para dia. Mas geralmente estamos na mesma sintonia, o que é muito legal. Não dá pra forçar isso na vida real; tipo, pensar exatamente igual. Mas convivemos por tanto tempo que acabamos influenciando um ao outro. E agora é tão fácil, porque, coincidentemente, estamos sempre exatamente na mesma frequência”.

Indo por essa linha, mesmo com essa mistura de gêneros, qual é a característica que vocês sentem que realmente define o Chase Atlantic como banda?

Mitchel: “Com o Chase Atlantic… Todo mundo sempre fala isso. E eu fico tipo: ‘Você só precisa ouvir’. Sei que pode parecer chato por causa do nome, mas você vai se surpreender. Todo mundo sempre se surpreende, e dizem: ‘Não esperava que fosse esse tipo de música'”.

Christian: “Acho que uma das maiores coisas no som do Chase Atlantic é que, não importa qual instrumental ou ideia de música tenhamos, com os vocais do Mitchel e aqueles sintetizadores meio sombrios, sempre vai soar como uma música do Chase Atlantic. Não importa o que façamos, sempre terá a cara da banda. Acho que é isso que nos diferencia”.

Mitchel: “No dia em que produzirmos algo que não soa como o Chase Atlantic, significa que ou não adicionamos elementos suficientes; ou não fomos nós que fizemos”.

Para terminar, o que vem a seguir para vocês como banda?

Christian: “É… Mitchel e eu já estamos de volta ao estúdio. Só por diversão. Nada sério, não estamos trabalhando em nada específico. É só que é para isso que estamos neste mundo: fazer música. E, se você nos tirar isso, a gente fica meio louco. Então estamos de volta ao estúdio, fazendo música. E, com o tempo, sinto que tudo vai se encaixar de novo. Tipo aquele vídeo em que falamos: ‘Caramba, temos um álbum. Estamos prontos para isso’. E aí, acho que no próximo ano, provavelmente teremos alguns shows em festivais. Acho que é hora de uma grande temporada de festivais, uns festivais grandes”.

Mitchel: “Sim. Acho que nunca vamos parar de trabalhar, sabe? Mesmo se tivermos, tipo, um ouvinte no Spotify, nós continuaremos fazendo música. É tudo que sabemos. O mercado é competitivo, mas não estamos nisso por competição. Estamos nisso para nos expressarmos e [receber] tudo de bom que vem com isso, e estamos animados. Somos privilegiados”.

Christian: “Sinto que estamos em um ótimo lugar agora, todos nós juntos. Então estamos prontos para a próxima fase, seja ela qual for. Seja o que decidirmos fazer pelos próximos cinco, ou próximos cem anos. Estamos prontos”.


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