Entrevista: Guioak fala sobre processo criativo de novo single, “Passagens”

Música já se encontra disponível em todas as plataformas digitais

Foto: Divulgação

Passagens” é o lançamento mais recente e o que encerra a jornada sinestésica de Guioak – história que se iniciou com o lançamento de “Perspectivas”, em 2024, e que seguiu percorrendo as cores primárias até finalizar com o amarelo, cor que o cantor associa à catarse dos sentimentos que estiveram juntos dele durante todo esse processo.

Em entrevista ao Tracklist, Guioak explica a criação do novo single, como ela se encaixa no projeto que futuramente será um EP e mais detalhes.

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Entrevista: Guioak fala sobre novo single “Passagens” 

Pode contar mais sobre seu processo de criação e produção do novo single, “Passagens”?
Guioak: A criação de “Passagens”, assim como as outras faixas que acompanham ela, não foi um processo muito linear, foi quase que uma escavação que eu fiz no meu próprio acervo, sejam notas no celular ou gravações em áudio de anos atrás. Muita coisa aconteceu desde o dia que eu comecei a materializar essas ideias no estúdio, inclusive fui assaltado no exato dia em que fui gravar os vocais, algo que me deixou bastante afetado e introspectivo por um tempo. Na verdade, diria que todo o pré até o pós desse processo me fizeram refletir bastante sobre uma série de coisas. O mais doido de todo esse projeto, desde “Perspectivas”, ano passado, é que eu realmente tenho a sensação de que eu senti na pele o tipo de emoção que eu estava buscando transmitir em cada música justamente no período em que eu tava para lançar cada uma delas. Isso é algo que eu sinto que naturalmente veio tomando forma ao longo desses lançamentos. Com “Passagens” não foi diferente, até diria que foi a jornada mais intensa até agora.

Qual a primeira impressão que você quer que as pessoas tenham ao ouvi-la pela primeira vez?
A ideia de catarse vem muito forte para mim. Ela traz essa premissa de somar tudo o que já deu de errado (e de certo) na nossa vida e finalmente chegar a uma conclusão na nossa cabeça. Acho que “Passagens” é justamente isso na verdade, é sobre se jogar de cabeça nas nossas convicções, depois de ficar tanto tempo remoendo possíveis cenários que nunca vão existir se a gente não der um salto de fé no que a gente acredita. Quero que as pessoas se sintam inspiradas com essa música, inspiradas a ir atrás dos seus sonhos, afinal já “tem hora certa pro mundo acabar”.

A música faz parte de um projeto que iniciou ano passado, certo? Como surgiu essa ideia e como foi a construção desse conceito, que se encerra agora com a nova canção?
Acho que uma coisa particularmente curiosa do meu processo criativo é que, pelo menos por enquanto, a estética, o visual, a aparência dos projetos costumam vir muito antes do que a própria música, e não o contrário. Eu me guio muito por conceitos, eu faço questão de entregar um projeto amarrado, e acho que a alma do artista vive exatamente nessa capacidade que ele tem de criar o seu próprio “mundinho”. Sou fascinado por isso, para mim a arte de um artista vai muito além da sua música. Muitas das minhas ideias surgem das várias sensações que ressoam comigo justamente enquanto escuto música. A música tem um poder sinestésico muito forte. Acho que poder construir esse projeto da forma como ele aconteceu foi uma maneira que eu encontrei de dar forma e nome à essa inspiração.

E como o novo single se diferencia das outras músicas já lançadas dentro desse mesmo conceito, que futuramente será um EP?
Quando eu pensei em trazer a ideia da sinestesia eu busquei ficar o mais imerso possível nas sensações que cada uma das cores me passava. “Perspectivas”, “Pulsões” e agora, “Passagens” todas carregam essa influência das cores primárias, tão contrárias e divergentes, mas essencialmente complementares dentro de um mesmo espectro. Mas diferente do vermelho e do azul, aqui eu realmente buscava encontrar algo que trouxesse como essência uma sensação forte de liberdade e maturidade, algo que, para mim, no meu íntimo, “soa amarelo”. Essa música só foi possível por conta de todo o aprendizado que eu adquiri durante essa jornada.

A partir de agora, quais serão os próximos passos? Já tem mais lançamentos em mente?
Desde antes de eu pensar em lançar música eu sinto que eu já estava intimamente apegado à ideia de trabalhar com cores, é algo que vem desde o meu primeiro EP, o “Músicas em Preto & Branco”. Sinto que a cada música que eu lancei até agora eu desbloqueei novas possibilidades para o meu som, e o Guioak no fim é a somatória da estética intimista, voz e violão do MP&B e as guitarras coloridas desse novo EP, o “Sinestesia Primária”. Os próximos passos são um mistério até para mim, porque eu particularmente não tenho ideia do que eu vou fazer, e eu amo isso. É a primeira vez que eu me sinto assim, é muito empolgante. Mas independentemente do que vier a seguir, eu tenho certeza que será uma versão ainda mais realizada de quem eu sou como artista e por conta disso eu prefiro não me apegar a nada… ainda.

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