Entrevista: Às vésperas do The Town, MC Hariel vive nova fase

MC Hariel está entrando em uma nova era de carreira enquanto se prepara para um...

Mariana AlvesEntrevistasNotícias16 de agosto de 2025

Foto: Reprodução/Instagram @mchariel

MC Hariel está entrando em uma nova era de carreira enquanto se prepara para um show no The Town. Representante do funk há anos e voz ativa da periferia, o artista será headliner do Palco Quebrada no dia 6 de setembro, primeiro dia do The Town 2025.

O novo palco do festival tem o cantor Belo como embaixador, e busca celebrar a arte e cultura da periferia de São Paulo. Hariel, que está retomando as raízes do funk no seu novo projeto “É Noiz Ki Tá” convida MC Marks ao palco em um show inédito.

O artista sempre falou sobre pertencimento trazendo uma abordagem consciente para seus trabalhos. Agora, no novo álbum de funk, ele quer celebrar tudo que construiu até aqui, celebrando suas raízes e toda a caminhada que o trouxe até aqui. 

“O que eu quero trazer nele é orgulho pela nossa trajetória, orgulho por tudo o que a gente já construiu, tá ligado? Olha para trás, olhar para o espelho e se sentir honrado e feliz de tudo que a gente vem construindo, de tudo que foi construído. E quando eu falo a gente, é cada um de nós mesmo, que tem a nossa história, que tem nossas lutas, nossas glórias, nossas quedas e nossos levantes diários com a vida”, contou em entrevista ao Tracklist. 

A nova fase vem ainda acompanhada de uma nova função para Hariel: a de empresário. Em entrevista ao Tracklist, ele contou como têm sido a rotina com a nova empresa Zaori, a importância do funk na sua trajetória, e alguns spoilers de projetos futuros. Confira na íntegra! 

Pré-The Town, MC Hariel conta sobre novo momento de carreira

Tracklist: O que representa para você, depois de tantos anos de estrada e diferentes ritmos, voltar para esse funk de base? 

Hariel: Eu acho que pra mim, é o meu lugar né? Todas as vezes que eu tive a oportunidade de deixar isso claro, eu sempre deixei. Tem até uma rima que eu brinco, em um trap, que eu rimei, chama “Hit Periférico”, que eu falo: Trap eu só faço por hobbie, o meu bagulho é cantar funk. Eu sempre gostei de brincar assim com isso, de que eu posso sim passear por diversos ritmos, mas sem deixar de ser a minha bandeira. Eu sempre acreditei que, a partir do momento que as pessoas me deram credibilidade, eu me tornei a bandeira do funk. Eu não preciso ficar levantando a bandeira do funk porque eu de fato sou a bandeira do funk, com a minha trajetória e aonde eu cheguei. Então, eu me vejo como a bandeira do funk. Onde eu estiver, se for no forró, axé ou em qualquer lugar, as pessoas vão ver o funk ali, então é mais ou menos por esse caminho. Voltar não é exatamente isso, mas fazer um álbum voltado mais pra esse tipo de música, acho que é tipo uma celebração, tá ligado? É muito daora! 

TRACKLIST: A temática central do seu novo projeto é o pertencimento. Queria saber se houve um momento da sua vida que você sentiu como se não pertencesse, como pessoa ou mesmo com artista, se for o caso. 

Eu acho que o pertencimento ele nasce de você não pertencer, não se sentir parte de alguma coisa. E aí você procura, falando como os antigos: “vai procurar sua laia”. Então tipo, eu me sinto muito feliz e honrado de poder ser um representante do funk, tá ligado, me sentir parte desse movimento e poder fazer parte desse movimento que muda diversas vidas tá ligado? E acho que diversas vezes eu me senti assim, tipo pô, sei lá como é que vai ser, como é que é, meio incerto. O funk todas as vezes me fez me sentir confiante, tá ligado? Às vezes numa posição de algum parceiro, quando eu batia a palma e mostrava alguma música. Às vezes numa palavra de alguém que eu encontrava, de um comentário de alguma pessoa distante. Quando eu não tinha muito contato com pessoas distantes, por exemplo, minha música dava 30 acessos. Aí do nada aparecia um doido, não sei da onde, tipo: pô, “curti pra caramba seu som”. Era uma coisa que mesmo quando eu tava incerto, aparecia alguém lá do outro lado que falava: “mano, parabéns”. Então, tipo, o funk sempre me fez me sentir pertencente, me fez me sentir nesse lugar aí. E mesmo quando eu me sentia não, eu acabava me encontrando no funk.

TRACKLIST: E como você espera que as pessoas que vieram do mesmo lugar que você, cresceram onde você cresceu, escutem e recebam esse trabalho? 

Esse trabalho, ele vem de um lugar, assim, menos… Como que eu posso dizer? As palavras estão fugindo da minha cabeça. É um trabalho que não tem tanta pretensão de ser tão repleto de coisas. Ele é mais leve, mas o que eu quero trazer nele é orgulho pela nossa trajetória, orgulho por tudo o que a gente já construiu, tá ligado? Olha para trás, olhar para o espelho e se sentir honrado e feliz de tudo que a gente vem construindo, de tudo que foi construído. E quando eu falo a gente, é cada um de nós mesmo, que tem a nossa história, que tem nossas lutas, nossas glórias, nossas quedas e nossos levantes diários com a vida, e diversas vezes a gente fica se sentindo meio desmotivado, fica se sentindo meio cabisbaixo, acho que a gente precisa mesmo olhar para o que foi conquistado e não para o que a gente deixou de ganhar, saca? Tipo, a gente nasceu banguelo, pelado, careca, tá ligado? E muitos de nós sem nenhuma pretensão de nada, tá ligado? Então é lucro o que a gente conquistou depois daquele dia 20 de dezembro de 1997. Dali para frente, até os dias ruins, foi lucro, foi coisa boa. Então é mais ou menos esse ponto que eu quero passar nesse álbum, uma leveza de pô, a gente tem que ter orgulho do que a gente conquistou.

TRACKLIST: “É Nóiz Ki Tá”, sua nova música, veio também com um clipe gravado nas ruas. Como foi essa gravação e de onde veio a ideia dessa estética? 

Essa estética é uma estética das ruas, ela é a estética do álbum em modo geral que a gente já vem trabalhando. Esse clipe foi gravado aqui na Zaori, que é a empresa que eu inaugurei há pouco tempo. E foi o primeiro videoclipe que a gente gravou aqui, foi produzido pela Kondzilla, mas o cenário é a nossa empresa. Então é uma parada, assim, que também mostra essa nova fase da minha vida, da minha carreira, da minha jornada. Um lado mais empresarial também. É um clipe de plano sequência que a gente tentou mais de 20 vezes no dia até chegar no momento certo ali, sem erro. Foi uma parada muito da hora, porque é um momento especial de estar gravando o primeiro clipe inaugurando a minha empresa, um videoclipe meu, e também um plano sequência, uma parada que é bem complicada, foi interessante, foi da hora.

TRACKLIST: Aliás, como está sendo esse novo momento com a Zaori, de abrir esse espaço para outros artistas? 

Mano, tá sendo da hora demais! A gente está hoje no momento de troca de contrato com o primeiro artista que a gente vai assinar. É um momento de muita importância para a empresa. Acho que vai ser um marco de certa forma, e estar conhecendo esse outro ramo da música também está abrindo a minha mente para diversas coisas. Confesso que está sendo difícil conciliar todas as demandas que a música mesmo pede de nós junto com o que o lado empresarial hoje vem pedindo, mas graças a Deus estou com uma rapaziada que me ajuda muito, que soma muito comigo. Está sendo uma fase de descobertas, uma fase de aprendizado e de experiências. Estou feliz demais!

TRACKLIST: E você também vai trazer parcerias nesse novo trabalho, né? Kayblack, Ferrugem, MC Kako, como elas surgiram? 

Surgiram da naturalidade mesmo, de pessoas que eu sou fã, pessoas que eu admiro o trabalho, pessoas que dia a dia estão no meu fone de ouvido e eu admiro pra caramba a trajetória. O Kayblack, o Ferrugem, o Major RD, o Kako, diversos parceiros assim que eu gosto muito de trabalhar junto, o Tuto. Bom, muita gente mesmo. Tem o Vulgo FK, e o Rah na mesma faixa. O Rah que é o primeiro artista que a gente vai assinar na Zaori. Então ele já está lançando uma faixa aí nesse trabalho pra apresentar também as rimas e a potência dele. É um cara que tem um potencial muito forte. Mil grau, tá ligado? Estou feliz de poder colaborar com essa rapaziada toda, de poder ter o respeito também desses caras pra poder fazer uma parada natural que eu acredito. Quando é natural as paradas, elas são bem melhores no quesito comercial também. Porque a gente acredita que a música ela é o coração, é o nosso sentimento, mas ela também vai pra um lugar comercial. Então quando a gente pode colaborar com pessoas que acreditam, que a gente acredita também, é bem mais da hora de enfrentar essa jornada, assim, que não é tão agradável pra gente que trabalha e faz a arte ali com um certo pensamento. Chega num momento e vai pra outro. Então trabalhar com o que a gente acredita acaba ficando bem mais fácil, bem mais leve e bem mais tranquilo.

TRACKLIST: Retomando a alegria do funk e entrando nesse novo momento de empresário, além desse novo projeto, como você enxerga a sua evolução artística até aqui? 

Bom, eu enxergo a minha evolução artística de uma maneira meio que comedida nesse momento, porque muitas coisas que eu tô fazendo, eu tô deixando meio que guardadas. Por exemplo, eu tô trabalhando em um projeto de regravações do álbum do meu pai, mas são coisas que são… como que eu posso falar? São complexas, fora da minha caixa. Então eu tô deixando pra um outro momento. A minha evolução artística, no quesito musical e produção, coisas que eu tô enfrentando também nesse projeto, elas tão ficando mais guardadas pra um outro momento. Então eu acredito que ela tá mais comedida, porque eu não tô expondo com tanta frequência que eu vinha expondo as coisas que eu crio. Mas esse álbum aí vem pra trazer não sei se um novo ou um antigo, mas um Hariel que a rapaziada gosta muito de ver, tá ligado? Na base do 130, tem duas músicas de trap, tem uma parada com o Ferrugem que a gente meio que viajou em um ritmo mexicano, tentamos trazer uma levada mexicana das violas mexicanas pro funk. Então também tô tentando fazer algumas paradas assim, que eu sempre gosto de arriscar, né, mano? Eu enxergo a minha evolução sempre quando eu tô arriscando, tô tentando alguma coisa nova, acho que só assim a gente consegue evoluir, tá ligado? Tem algumas coisas ali, tem alguns pitacos ali nesse álbum, mas a minha evolução artística mesmo, ela vai vir pra um outro momento que vocês vão conseguir assistir através desse álbum aí que eu tô trabalhando com a minha família, inclusive com a minha mãe, com as minhas irmãs. Essa é uma parada bem da hora.



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