O cantor esteve no Brasil para a sua primeira turnê solo no país, com shows em São Paulo e no Rio de Janeiro

O sucesso surgiu muito cedo na carreira de Hozier. Um de seus primeiros lançamentos, “Take Me To The Church”, tornou-se uma das maiores febres de 2014, e até hoje ressoa entre o público como um dos clássicos da década passada. Ao contrário de muitos artistas marcados por um hit precoce em suas carreiras, porém, o cantor manteve a sua identidade como marca registrada de seu trabalho.
Hoje, o artista colhe os frutos: com uma base sólida de fãs e uma discografia sólida, o irlandês segue se apresentando pelo mundo e renovando seu som a cada álbum – com direito até mesmo a mais um grande hit, exatamente dez anos depois. “Too Sweet”, lançada no ano passado, foi uma das canções mais ouvidas pelo mundo em 2024 e ajudou a coroar o lançamento de seu último trabalho, “Unreal Unearth”. “Uma incrível cereja no topo do bolo”, em suas palavras.
Quando subiu ao palco do Lollapalooza Brasil, em março de 2024, a música sequer havia sido lançada, mas Hozier se lembra da empolgação do público. “Eu ouvia as pessoas na multidão pedindo e cantando a música. Havia uma energia muito boa e uma animação em tocar em um festival aqui pela primeira vez”, comenta. Aquela era sua primeira vez tocando no Brasil, diante de uma multidão de 80 mil pessoas.
Mas, para o artista, ter uma música de sucesso ou não não é a parte mais importante. “Eu nunca fui motivado pelas paradas. Eu acho que uma música boa é uma música boa”, declara. “Eu só tento escrever músicas boas na minha visão, músicas que ressoam comigo (…) e espero que elas ressoem no público também, e eu sinto que tenho sido muito sortudo”.
Um ano depois, o cantor não conseguia disfarçar a animação de estar de volta ao país. No último final de semana, o artista fez duas apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro em sua primeira turnê solo por aqui. Não só ambas as datas esgotaram, como também demonstraram como sua música segue ressoando entre seu público.
Em entrevista ao Tracklist, Hozier conversou os shows no Brasil, como lidou com o sucesso em sua carreira e o processo criativo por trás de seus trabalhos, além de dar pistas sobre os lançamentos que estão por vir.
TRACKLIST: Olá, Hozier! É um prazer te conhecer! Como você está hoje?
HOZIER: Estou bem, obrigado! Feliz em estar aqui.
TRACKLIST: No ano passado, você se apresentou no Lollapalooza em sua primeira apresentação no Brasil, e agora você já está de volta. Qual foi a impressão que você ficou daquele show e quais são as expectativas pra hoje?
HOZIER: Foi “muito doce”! Sem trocadilhos, porque eu acho que foi uma semana antes de “Too Sweet” ser lançada, durante a turnê na América do Sul, e acho que foi no dia que “Too Sweet” saiu. Eu ouvia as pessoas na multidão pedindo e cantando a música. Havia uma energia muito boa e uma animação em tocar em um festival aqui pela primeira vez. Eu estou feliz em estar de volta, estou muito animado de poder fazer um show maior aqui.
TRACKLIST: Muitos artistas levam um tempo pra voltar, e depois de um ano, você já está aqui! Como foi isso, e como tem sido estar em turnê com o “Unreal Unearth”, visitando lugares que você ainda não havia ido?
HOZIER: Eu acho que se eu não tivesse vindo esse ano, e estendêssemos a turnê um pouco mais, poderia levar muitos anos até termos a chance de voltarmos. Acho que fazer um primeiro show aqui no Brasil pareceu importante… Poderíamos vir em festivais, mas ano que vem não seria uma opção, e no seguinte provavelmente também não. Estou animado em estar de volta e poder me apresentar da forma certa.
TRACKLIST: Você planejou fazer algo diferente que você não pôde da última vez?
HOZIER: Sim! O setlist vai ser bem maior do que em um festival, acho que eu tinha só 45 minutos da última vez, e geralmente em um show de duas horas, temos muito mais oportunidades de tocar uma gama maior de músicas entre todos os álbuns.
TRACKLIST: Sim, vai ser ótimo! Como você disse, acho que uma das principais diferenças entre o último show e o show de hoje foi quão grande “Too Sweet” se tornou — a música já estava repercutindo um pouco, mas desde então, ela virou um hit global para a sua carreira. Como você recebeu tamanho impacto, porque eu acho que não foi esperado, certo?
HOZIER: Certamente não! Eu gostava da música, e eu sabia que eu queria lançá-la. Mas da maneira que ela foi recebida — primeiro em espaços online, acho que no TikTok, mesmo antes da música ser lançada, ela meio que estourou — foi uma ótima surpresa! Eu já tinha uma turnê esgotada, e essa foi uma incrível cereja no topo do bolo, tendo esse hit acima de tudo. Deixou o ano muito divertido, foi super encorajador ter um hit como esse. Tem sido divertido tocá-la.
TRACKLIST: Curiosamente, a música foi lançada dez anos depois de “Take Me To The Church”. Eu tenho a impressão que alguns artistas ficam muito ligados a hits precoces, quando eles conquistam um sucesso muito grande cedo em suas carreiras, mas você conseguiu superar isso e construir uma base muito sólida de fãs. Como você lidou com isso ao longo de sua carreira?
HOZIER: Eu nunca fui motivado pelas paradas. Eu acho que uma música boa é uma música boa. A maioria das músicas que eu já amei, ou que me inspiraram a querer escrever músicas, especialmente quando eu era criança, não iriam nunca, em um milhão de anos, chegar às paradas — mesmo no top 40, ou no top 100. Pra mim, eu sempre quis escrever músicas que sentissem pra mim que valiam a pena escrever naquele momento, e as paradas são outra coisa. Algumas músicas têm vida ali, algumas músicas vão chegar em audiências maiores, e outras não, e isso não muda o valor que eu vejo nelas. Eu só tento escrever músicas boas na minha visão, músicas que ressoam comigo, sinceramente e autenticamente, e espero que elas ressoem no público também, e eu sinto que tenho sido muito sortudo. Foi o que aconteceu comigo, o público ressoou com o trabalho, e eu ainda posso fazer isso ano após ano.
TRACKLIST: Eu aprecio artistas que tomam um bom tempo para se certificarem de que eles estão lançando a música que eles querem. Isso tem sido algo comum ao longo de sua carreira: “Wasteland, Baby!” levou cinco anos para ser lançado, “Unreal Unearth” levou outros quatro — e ambus são álbuns que têm um significado bastante conceitual por trás. Como é pra você esse processo de ter uma ideia para um projeto, escrevê-lo e gravá-lo, enquanto você ainda tem que lidar com a pressão de lançar coisas, pois sabemos que, algumas vezes, a indústria pode funcionar dessa forma.
HOZIER: Eu acho que eu nunca estive sob uma forte pressão para me apressar em um projeto, acho que isso ajuda. Pra mim, é importante estar inspirado naquilo que você estiver fazendo — e se você não está inspirado de alguma forma no seu próprio trabalho ou na necessidade de fazê-lo… Acho que seria muito difícil pra mim, seria meio tedioso. Pra mim, também há um ciclo de turnê, acho que esse será meu terceiro ano na estrada, assim como foi com meu primeiro álbum. E depois disso, você entra em um período para escrever, inspirar-se, absorver a vida ao seu redor, e então surgir com o que você quer escrever. Leva o tempo que for preciso, sabe?
TRACKLIST: E no momento, você tem planos com o que você gostaria de lançar após “Unreal Unearth”. Talvez um novo álbum, um novo projeto, uma nova música…?
HOZIER: Sim, eu tenho ideias. Algumas músicas têm nascido aos poucos em meu bolso — algumas delas são meio espalhafatosas… Acho que ainda é muito cedo para falar sobre isso, mas vamos chegar lá, vai acontecer!
TRACKLIST: Muito obrigado pelo seu tempo, estamos bem animados com o show hoje! Você tem alguma mensagem final para os seus fãs brasileiros?
HOZIER: Muito obrigado! Estou lisonjeado em estar aqui. Desde o meu primeiro lançamento, com “Take Me To The Church”, eu tenho visto comentários pedindo para eu vir ao Brasil (risos) e eu estou animado em estar aqui, finalmente! Obrigado pelo apoio ao longo dos anos, espero fazer mais shows aqui!






