Review: novo documentário de Anitta na Netflix convida à reflexão sobre carreira e vida pessoal

Documentário "Larissa: O Outro Lado de Anitta" mostra lado intimista da cantora

Foto: Divulgação/Netflix

Por Lidiane Nóbrega – Após o sucesso das séries “Vai Anitta” (2018) e “Anitta: Made in Honório” (2020), o catálogo da Netflix recebeu mais um grande projeto da cantora. O documentário “Larissa: O Outro Lado de Anitta” acompanha a jornada de autoconhecimento e mostra uma faceta mais íntima que nunca da estrela.

Para alcançar essa versão até então desconhecida pelo público, foram necessários três anos para a finalização do novo filme. O título tem direção de João Wainer e Pedro Cantelmo, roteiro de Maria Ribeiro e produção executiva de Felipe Britto e Melanie Chapaval Lebensztajn, da Ginga Pictures.

Novo documentário de Anitta na Netflix tem olhar mais pessoal

Em 2018, o público pôde ver o lado da artista e empresária, com destaques para os bastidores de “Downtown” e criação de “Checkmate”, mas um toque mais intimista foi adicionado ao trabalho de 2020 com tantos momentos entre família e amigos exibidos. Os fãs começaram a entender melhor que existe a Anitta, uma personagem poderosa e determinada, e a Larissa, sua criadora, uma mulher frágil e romântica.

Desde a última produção, a Girl From Rio passou por grandes transformações na vida profissional e pessoal. Esse documentário vem justamente para mostrar as dificuldades que essa figura pública conhecida mundialmente viveu por trás dos holofotes, assim como sua busca incessante pela felicidade.

Capturado pelo olhar de um antigo amigo e crush de Honório Gurgel, “Larissa: O Outro Lado de Anitta” consegue oferecer um mergulho ainda mais profundo ao redor de um dos principais nomes da música brasileira. Pedro Cantelmo, que também narrou a produção, foi convidado pela própria cantora para entrar na missão de ajudar a revelar ao mundo quem é a verdadeira Larissa por trás da identidade dupla.

“Não tenho como não pensar que a vida dela parece um filme mesmo: ela ganhou uma bolsa de estudos em um desfile na escola com uma roupa feita de copinho de café com 6 anos e a roupa de agora tem essas pérolas”, comentou Pedro com imagens da estrela sob holofotes no Met Gala 2022. “Percebi que a Larissa e a Anitta, que antes lutavam para ver quem ocupava mais espaço na cabeça dela, agora entenderam o que também entendi. Não tem como a gente viver rejeitando 50% de quem a gente é. E, no fundo, todo mundo carrega essa dualidade. Ninguém é uma coisa só”.

Os dois se conhecem desde a pré-adolescência e, por se tratar de alguém que já convivia com ela antes da fama, ela ficou muito mais à vontade em frente às câmeras para tirar a “máscara” da Anitta e voltar a ser somente a Larissa. Isso porque ela não mostra o botão “liga-desliga” para qualquer pessoa.

A escolha dessa direção, inclusive, foi essencial em boa parte da obra. O contraponto é que a decisão intensificou a carga dramática quando ele se questionou se conseguia filmá-la de forma profissional sem misturar os sentimentos mal resolvidos que tinha – o que começou a construir barreiras entre a lente. “Mandei mal com ela e ela não quis mais continuar junto. Na mesma hora. Se eu tivesse que dizer um defeito da Larissa, seria esse. Essa capacidade assustadora de cortar as situações quando elas não estão exatamente de acordo com o que ela considera certo”, revelou em certa parte da narrativa.

Produção aborda choque entre carreira e vida pessoal

A obra da Netflix focada em Anitta trouxe, além dos bastidores do Carnaval no Rio de Janeiro, cenas de conquistas inéditas em sua carreira profissional. Premiações internacionais, topo das paradas globais com o “Envolver” e sua apresentação no Coachella são alguns dos exemplos.

Por outro lado, ela mostra o vazio que sentia na vida com essa rotina e, para isso, seu processo de autoconhecimento também ganhou destaque. O momento em que subiu o Monte Everest, em 2022, serviu justamente como metáfora sobre os sacrifícios para alcançar os objetivos da carreira. “Não importava o sucesso que fizesse, nada preenchia esse vazio”, disse em um dos relatos.

“Comecei a repensar minha carreira, minha vida todinha. Gosto de viajar sozinha, de andar na rua, andar sem segurança, gosto de fazer amizade com gente desconhecida que conheço no bar; gosto de dançar no meio da pista de dança… Talvez se a Anitta subir mais, a Larissa nunca mais vá ter esses momentos. O que que a gente faz?”, refletiu Anitta durante o documentário da Netflix.

É comum encontrar comentários nas redes sociais que questionam se, depois de projetos musicais como “Versions of Me” e “À Procura da Anitta Perfeita”, existiam mais facetas de Anitta/Larissa a serem exploradas. O documentário desafia essa visão ao desconstruir a figura imbatível dela que muitos acreditam que ainda existe. É por trás da persona pública que tem uma mulher com sonhos e vulnerabilidades que vão além das câmeras.

O trabalho parece funcionar também para evitar que o lado da Larissa seja esquecido pela própria Anitta, como ela mesmo desabafa ao falar que tem menos informações e é quase menos interessante que sua persona artística. Essa reconexão é criada diante dos olhos dos fãs e divulgada em um momento interessante, na reta final de sua maratona de shows do Carnaval 2025.

O relato feito na Praia de São Conrado é um dos mais bonitos e sinceros do documentário e sela o lado mais humano dela na obra. “Ninguém consegue ficar no auge o tempo inteiro, manter isso tudo e ser genuinamente feliz. A gente só é genuinamente feliz se a gente, mesmo que perder tudo isso, continue feliz […] Quis fazer esse filme para tentar falar para as pessoas que você não precisa ser famoso nem rico para você ser especial”, confessou.

O filme, assim como a cantora descreve, não é só sobre a Larissa ou só sobre a Anitta. “Larissa: O Outro Lado de Anitta” traz uma reflexão ao público geral sobre a necessidade de autoconhecimento e equilíbrio entre carreira, família e vida pessoal.

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