Entrevista: Roberta Campos fala sobre “Coisas de Viver”, independência artística e mais

Roberta Campos está vivendo um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. Com 15 anos...

Andressa CerqueiraEntrevistas6 de fevereiro de 2025

Foto: Divulgação

Roberta Campos está vivendo um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. Com 15 anos de carreira no mercado fonográfico, a cantora e compositora lançou, na última quarta-feira (5), “Coisas de Viver“, seu sexto álbum de estúdio, um projeto independente e totalmente autoral. Além de assinar todas as faixas do disco — sendo apenas duas em parceria —, Roberta também esteve à frente da produção ao lado de Alexandre Fontanetti, imprimindo sua identidade em cada detalhe do trabalho. O resultado é um registro intimista e corajoso, que reflete seus sentimentos mais profundos e um olhar maduro sobre a vida e a música.

O disco nasceu da faixa-título, uma parceria com Paulo Novaes que despertou na cantora o desejo de se abrir ainda mais em suas composições. Para além das histórias de amor e cotidiano que sempre permearam sua obra, “Coisas de Viver” mergulha na essência da artista, abordando desde suas dores e superações até a construção de seu lar, tanto físico quanto emocional.

Em recente entrevista ao Tracklist, Roberta Campos compartilhou os bastidores da criação do álbum, o desafio e a liberdade de produzir um disco independente e o significado de se despir artisticamente em um trabalho tão pessoal. Ela também fala sobre o impacto de suas vivências na composição e como tem se reinventado ao longo dos anos, mantendo-se fiel à sua essência. Confira!

Ao Tracklist, Roberta Campos fala sobre “Coisas de Viver”, independência artística e mais

O seu novo álbum, “Coisas de Viver”, é completamente independente, desde a composição até a produção. Como foi essa jornada de total autonomia criativa e como você vê o impacto disso na sua música?

É uma boa experiência. Eu tenho um perfil do “faça você mesmo”, nunca gostei de esperar dos outros e defendo muito minhas ideias, minha liberdade de criação, e meu direito de ser livre também. Tive um longo período de contrato com gravadora. Foram 11 anos e confesso que estava louca para experimentar a liberdade novamente, já que eu venho de um primeiro disco independente.

Em 2008 eu lancei um disco chamado “Para Aquelas Perguntas Tortas”. Foi um disco, além de independente, feito de forma artesanal, onde fiz da capa a masterização do disco, a mixagem, compus todas as faixas, gravei todos os violões, usei controlador midi para fazer as linhas de violoncelo que eu tinha em mente, fiz o desenho da capa, tudo.

Desse disco eu consegui colocar na rádio uma canção que tocou bastante, a “Varrendo a Lua”, sem pagar um centavo. De alguma forma eu já sabia como era essa liberdade; só que antes era tudo menor. Hoje tenho uma expressão nacional, muita coisa aconteceu e o meu trabalho pede mais coisas também. Não trabalho sozinha, mas tenho total liberdade de fazer o que quero e como quero.

Esse disco teve uma carga criativa muito intensa, o ano de 2024 foi muito inspirador para mim e acredito que fazer o disco independente novamente teve muito dessa influência também. É como se eu me reencontrasse e de alguma forma, eu me reencontrei mesmo e as canções desse álbum transparecem muito isso.

Neste álbum, você se entrega a uma sonoridade mais pop rock. O que te inspirou a seguir por esse caminho musical e o que você espera que os fãs sintam ao ouvir esse novo projeto?

Eu acho que esse disco tem uma mistura muito boa de alguns gêneros. Tendo o Folk como base, gênero que eu sempre tive na minha música, ele é MPB, ele é Pop, é Jazz e Rock. Chamei o Alexandre Fontaneti para fazer a produção do disco junto comigo, e ele tem várias influências que são as mesmas que eu tenho. Fomos de James Taylor a Led Zepllin e essa viagem foi incrível, gostei demais do resultado. Demos o que as canções pediam, para mim sempre funciona assim.

Ao longo dos anos, você sempre abordou temas pessoais em suas músicas, mas de maneira mais sutil. Esse álbum é uma entrega maior de você mesma. Como foi esse processo de explorar temas tão íntimos e compartilhar com o público?

Foi fluido, bem natural. Eu venho aprendendo muito nos últimos anos, me sinto mais madura. Há 14 anos eu faço terapia, eu tinha certeza que em algum momento eu estaria pronta para desaguar mais sobre mim. Gostei muito desta experiencia, estou ansiosa para sentir a conexão do público comigo através das canções desse disco.

Há alguma canção do “Coisas de Viver” que você considera ser um reflexo mais profundo de quem você é nesse momento da sua vida?

Todas elas são muito atuais, cada uma com sua particularidade. “Peito Aberto” fala dos meus 20 anos morando em São Paulo. Sou Mineira de Caetanópolis, cidade também de Clara Nunes, e São Paulo se tornou minha morada e meu coração. Morei nos últimos dois anos numa cidade próxima chamada Santana de Parnaíba, voltamos para capital meados do ano de 2024 e essa volta me encheu de energia, essa canção reflete muito isso.

Gérbera” eu fiz para Marina, minha esposa. Descreve nossa casa, ainda dentro dessa mudança feliz e tão positiva. “Na Proa Da Saudade” é uma canção mais profunda e por incrível que pareça, a mais alegre do disco. Ela fala de saudade, de ressignificar, do barco que segue e dos sentimentos que me invadem. Fala do meu amadurecimento e da forma mais leve de encarar a vida e os meus fantasmas.

“Coisas De Viver” é minha parceria com Paulo Novaes, a melodia é minha, com letra do Paulinho. É uma canção muito sincera, sem medo de nada. Um convite a ser maior do que somos, para além do medo e de qualquer sentimento que nos prenda. “Amanhã Também” fala do medo sempre aparece na nossa vida, mas que não é capaz de impedir que façamos nada. E das vezes que esse medo aparece, quem passa sou eu, porque não fico presa nele.

A Cor Do Que Eu Quero” fala do meu eu questionador, que está sempre discutindo com a vida, com muitas dúvidas, que são reflexos de minhas feridas. Essa música é muito íntima, muito pessoal. “Atento” é o meu entendimento quanto aos acontecimentos da minha vida, onde finalmente entendi e principalmente senti, que sou a protagonista da minha vida. Sou minha cura e assumo que já fui a minha própria ferida.

Escapulário” é uma canção antiga e a segunda parceria do disco, a fiz com Danilo Oliveira, em 2016. Quando a compusemos, ela era simplesmente uma canção de despedida, onde todos os desejos para aquele adeus, eram os melhores possíveis. Eu sempre gostei muito dessa canção e sempre tentei encaixá-la em trabalhos anteriores, mas ela não se encaixava neles, parecia que o que eu havia escrito ali, não fazia mais sentido. Até que eu a reencontrei recentemente e percebi que ela nunca fez tanto sentido, porque eu a fiz para mim. Nela tem uma frase muito significativa que fecha tudo: “E mesmo um passo em vão será em direção ao lar”, a gente está sempre voltando para o nosso lar, que é dentro de nós.

Considerando seus 15 anos de carreira, como você vê a sua evolução musical desde o lançamento do seu primeiro álbum até o ‘Coisas de Viver’? Que mudanças você percebe na sua abordagem artística e na sua identidade como cantora e compositora

Mudei muito. Tenho 15 anos de carreira de discos de estúdio. No tempo total que componho e toco, é muito mais que isso. Não vou nem fazer conta para não assustar [risos]. Mas, falando de carreira discográfica, que as pessoas me acompanham, eu evoluí muito. Em todos os sentidos. Meu violão, meu canto, minha articulação, minha presença de palco, minha postura. Eu consumi mais livros, viagens, filmes, conversas, busquei mais. E tudo reflete no que sou e claro, na minha música. Hoje vejo a composição de uma outra forma, que bom, eu amo me melhorar e perceber a minha evolução. No próximo disco, quero ter evoluído mais ainda. Eu busco sempre isso, viver é um fascínio, sempre quero coisas novas, quero mais do que já sou e dos meus conhecimentos.

Junto a essas evoluções, meu trabalho cresceu muito, chegou a lugares que não fui, vem cada dia mais tendo o reconhecimento gratificante e desejo que esse álbum abra novas oportunidades.

Após o lançamento, no dia 5, o que o público pode esperar? Tem algum spoiler que você possa dar para gente, especialmente em se tratando em uma turnê com o novo álbum?

Muitas datas de shows, já tenho várias datas que em breve vou divulgar. Shows pelo Brasil e pelo mundo. Em abril faço show em Cabo Verde, na África, em Portugal e Madrid. Tenho feito também músicas para séries e filmes, desejo mais e mais trabalhos como esse, gosto muito desse desafio. Falando nisso, esse ano será lançado dois filmes que fiz trilha sonora! Em breve contarei tudo.

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