Entrevista: Drik Barbosa fala dos preparativos para João Rock 2025

A cantora Drik Barbosa sobe ao palco do João Rock 2025 neste sábado (14), com...

Foto: Fernando Schlaepfer

A cantora Drik Barbosa sobe ao palco do João Rock 2025 neste sábado (14), com o show “Aprendi Me Amar” ao lado de Budah e Cristal. O festival, assim como no Lollapalooza, contará com um diverso repertório da artista e a apresentação de uma nova faixa.

De afropop a R&B, Barbosa fará releituras internacionais pensadas especialmente para o projeto “Aprendi Me Amar”, além de elementos da música brasileira atual.

Durante o concerto, um momento especial está reservado para homenagear Elza Soares que, segundo Drik, é uma das suas grandes influências na música.

O projeto também trará a cantora interpretando “Púrpura” e o novo single “Favorita” com Budah, bem como Cristal participará em duas músicas, uma delas sendo “Doo Woop”, de Lauryn Hill.

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Leia a entrevista de Drik Barbosa, antes de subir ao palco do João Rock, ao Tracklist

Drik, como foi o processo de criação do show?

“Então, tá sendo muito especial fazer essa apresentação desse show, assim, né? Esse início de tour nesses festivais tão importantes, que eu sempre sonhei em tocar, né? O meu próprio show. E tá aqui no João Rock pra poder apresentar, tá sendo incrível.  E a preparação do show montei todo o conceito, junto com o Evandro Fiotti, que está na direção artística também. Então, esse show, ele traz muito a força das minhas referências também, porque eu faço uma homenagem à Elza Soares, faço uma homenagem à Lauryn Hill, à Erykah Badu, que são artistas que sempre me influenciaram em cenário nacional e internacional.

Dessa vez, a gente vai ter também Buda e Cristal fazendo essa representação. E também é um encontro de gerações do rap, que é muito bonito de ver. Então, eu tô super animada. E é um show também de carreira. Eu passo por todos os trabalhos que eu já lancei. Até então, desde o meu primeiro EP até o último EP. Então, é um show onde eu apresento mesmo a minha história para as pessoas e também as minhas referências.”

Você mencionou que esse show é um manifesto. De que forma ele se conecta com a sua trajetória pessoal e com a sua vivência como mulher preta na música?

“O nome do show, o título, já é realmente um dos maiores processos que eu tô vivendo agora na vida pessoal. Porque eu tô nesse processo de autoconhecimento muito profundo. Eu virei a chavinha dos 30 anos, né? Então, tô conhecendo agora outras coisas, acessando outras coisas sobre mim muito importantes. Também como mulher. Então, tá sendo muito importante pra mim poder musicar isso. Poder trazer essa energia pro palco também. Então, a escolha tem de sempre ter participações femininas. Pra somar também é num lugar de celebrar, de enaltecer a nossa força, a nossa feminilidade. A nossa autoestima também. E a escolha das músicas também foram feitas com muito cuidado pra estarem bem amarradas com o propósito do show. Que é falar sobre amor, sobre afeto, sobre coragem.

Então, o título “Aprendi a Me Amar” me leva muito pra esse lugar muito pessoal mesmo. E eu sempre cantei muito sobre tudo que eu sinto. Então, dessa vez não tá sendo diferente. E sobre essa questão de ser uma mulher preta na música, também é, obviamente, um manifesto. Eu vejo a minha presença num palco já como esse manifesto, já como essa afirmação da potência que eu enxergo em todas nós. Eu começo o show homenageando a Elsa Soares, que é uma das maiores referências negras que a gente tem. Trazendo a música “Mulher do Fim do Mundo” e “A Carne”, que já traz essa conexão muito forte com a negritude.”

Você convida Budah e Cristal para participações especiais. O que representa dividir o palco com essas artistas neste momento?

“Uma das coisas que eu mais amo no rap, no hip hop, é essa coletividade, sabe? É a gente estar sempre um fortalecendo o outro. E isso foi o que me fez chegar até aqui também, né? De poder viver de arte. Essa comunhão que me fortaleceu até agora também. E é muito bonito poder reafirmar isso também quando eu posso trazer artistas que eu sou fã, que eu admiro muito, pra estar no palco junto comigo.
Pra também apresentarem os seus trabalhos, né? Ainda mais dentro de um festival nacional tão importante assim. Então, tá sendo muito legal. A gente se divertiu muito já desde os ensaios. É muito legal esse encontro da nossa música também. Cada uma tem, de forma muito autêntica, sua mensagem muito forte dentro do seu trabalho.

Mas isso se encontra muito no palco, né? Porque a gente canta sobre coisas que a gente vive que são muito parecidas, né? Somos todas mulheres. Como eu disse, tem esse encontro de gerações também. A Cristal acabou de fazer 23 e eu tenho 33. E a Budah tá aí entre as duas. Então, isso é muito bonito. Ter essas formas de perspectiva diferentes juntas no palco. Isso é tão bonito. E pra mim tá sendo muito especial ter elas porque eu sou fã de verdade. Então tá sendo muito bonito ter elas nesse dia tão especial pra mim. E dentro desse show também. Porque a música delas, o que elas passam de mensagem também tem tudo a ver com o meu show “Aprendi a Me Amar”.”

A Lauryn Hill vai cantar no The Town. Como está sendo para você interpretar um clássico dela para uma multidão?

“Sobre a Lauryn, eu tenho uma história pessoal muito bonita com essa música. Se eu pudesse, também faria mais, mas a gente só tem 50 minutos de uma hora de show pra poder fazer todo o espetáculo.
Mas a música “Doo Woop”, que é a música que eu apresento dela, tem uma história desde a minha infância. Foi uma coincidência que aconteceu, e essa música tocou como trilha sonora. E quando eu comecei a fazer rap e a misturar com canto, essa mescla de canto e rima, que é algo que a Lauryn faz muito bem também, ela se tornou minha inspiração. Ela transita muito bem entre o rap e o R&B, e foi a minha primeira referência para fazer essa mistura nas minhas músicas, sempre trazendo o flow do rap com partes cantadas. Então, poder cantar uma música dela no meu show hoje, depois de realizar esse sonho de viver da minha arte, é muito bonito. É uma forma de agradecer a ela. Eu sinto que é como levar a música dela junto comigo também.

E pra mim, isso é muito especial, ainda mais nesse momento em que apresento releituras no palco, de artistas que ouvia desde criança. É também uma forma de agradar minha criança e minha adolescente interior. E saber que ela vai vir, que a energia dela vai estar aqui com a gente também, vai ser muito especial. Pra mim, tá sendo muito bonito. Eu faço uma música da Erykah Badu também, que é, nesse mesmo lugar, uma grande inspiração pra mim nas composições de R&B e pela autenticidade dela. Então tá sendo muito bonito, e eu tô com a expectativa lá no alto pro show. Eu já me apresentei algumas vezes no João Rock como convidada de outros artistas, e sonhava com esse dia: de poder fazer o meu show, com a minha banda, com o meu balé, apresentando o meu repertório de forma mais completa.”

A curadoria do Fortalecendo a Cena valoriza novos nomes da música urbana. Quais artistas da cena atual você acompanha e acredita que merecem mais visibilidade?

“Cara, muita gente incrível. A própria Cristal, que vai estar comigo, acabou de lançar um disco chamado “EPIFANIA“, com um conceito incrível. A Buda também lançou um disco maravilhoso, chamado “Púrpura“, e eu quero muito ver ela mais presente nos palcos. A Stefanie, que é uma inspiração pra mim, é uma mc maravilhosa e acabou de lançar o primeiro álbum dela, chamado “BUNMI“, que é muito rap. Eu tô muito feliz por essa realização dela e acho que todo mundo tem que ouvir, todo mundo tem que conhecer.

Tem muitas artistas que eu amo mesmo, pra além das que a gente já conhece. Algumas vão até estar no festival: a Duque, que vai cantar; a Duquesa; a Luana, que eu amo muito também; ajulia. Tem muita gente incrível pra gente ouvir. Tem mais duas cantoras que eu quero destacar também: a Flávia K, que é uma cantora de R&B, cantora e compositora maravilhosa, e a Aya. Essas duas artistas eu sou muito fã, e sempre que vejo alguém curtindo essa sonoridade, tô sempre apresentando também.”

Além do show, podemos esperar dessa nova fase da Drik? Há mais lançamentos, colaborações ou projetos em vista?

“Sim. Nesse momento, eu tô apresentando esse novo show e pretendo rodar com ele pelo Brasil e, se possível, pelo mundo, para mostrar esse espetáculo que está muito bonito. Tô preparando, sim, uma novidade musical. Ainda não posso divulgar datas, porque estou organizando tudo direitinho. Mas, no show de amanhã, a gente vai cantar uma música inédita chamada “Favorita”, com participação da Buda. Sobre o lançamento oficial, trago novidades depois, quando eu tiver o período certinho.

A minha intenção é lançar alguns singles até o ano que vem, pra então lançar um novo álbum.
Tô correndo pra que isso aconteça. Tenho me preparado e pensado bastante em todo o conceito pra essa nova era, e tô muito feliz que ela já começou, e começou de forma tão potente, com apresentações em palcos tão simbólicos. A ideia é seguir lançando singles e vir com um novo disco, que eu sei que o pessoal tá me cobrando, e com razão. Eu também quero muito entregar esse álbum, com uma sonoridade que une rap, R&B e afropop, que é o que o show já está trazendo e que quero firmar ainda mais nesse novo trabalho.”


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