Poucas pessoas estão tão dispostas a se divertir quanto a Dua Lipa. Prova disso é...

Poucas pessoas estão tão dispostas a se divertir quanto a Dua Lipa. Prova disso é a sequência de comemorações de aniversário, que já vêm acontecendo há semanas e devem se estender até o fim do mês da cantora leonina. Dua completa 30 anos nesta sexta-feira (22) e está disposta a celebrar a cada momento.
Para quem acompanha de perto a carreira e redes sociais da britânica, é nítido: não somente ela sabe fazer música, como também sabe viver como ninguém. Essa leveza e paixão pela vida se espelham também em suas músicas, conhecidas por sonoridades dançantes e melodias upbeat.
Desde o lançamento de seu álbum de estreia homônimo, em 2017, não demorou para que Dua Lipa se tornasse um fenômeno. Ela ainda estava se revelando no cenário musical quando “New Rules” se tornou um hit global e rendeu um clipe bilionário em visualizações. Com apenas 22 anos na época, ela foi uma das artistas mais jovens a acumular tantos números grandiosos tão cedo na carreira.
Com hits como “IDGAF” e “Be The One”, o disco de estreia foi, no entanto, apenas a preparação de terreno para a verdadeira virada no pop que viria em 2020 com o marcante “Future Nostalgia”.
Em um cenário pop ligeiramente saturado, Dua Lipa surgiu em 2017 com uma proposta consistente. O seu debut teve foco principal em seus vocais marcantes e letras que facilmente ressonaram com os ouvintes. Não é atoa que “New Rules” se consagrou como um divisor de águas na carreira da artista, com refrão empoderador, somado a um clipe brilhante.
A sua assinatura sonora já estava em construção a partir daí, onde passeou por referências retrô com produção de pop eletrônico fresh. Essa sonoridade somada a mensagens que dialogam com o público jovem marcou essa autenticidade e despertou a curiosidade de todo um público para o que ela faria a seguir.
“Você quer uma música atemporal. Eu quero mudar esse jogo”. Esse é o verso que abre o impecável “Future Nostalgia”, na faixa-título, em uma síntese fiel do que o trabalho representa para o cenário pop da última década. Com uma proposta futurista ao mesmo tempo que nostálgica, Dua resgatou as pistas de dança dos anos 80 promovendo uma fusão perfeita do ritmo com uma produção pop moderna, renovando todas as regras do jogo.
“Em termos de futuro, o que realmente importa é a produção e as letras sobre o que está acontecendo na minha vida atualmente. Mas algumas das sonoridades por trás disso têm aquela reminiscência nostálgica”, explicou em entrevista à Variety no ano do lançamento.
O álbum foi lançado no fim de março de 2020, quando a pandemia do Covid-19 estava se iniciando e o clima era de preocupação generalizada ao redor do mundo. A cantora, no entanto, decidiu que não adiaria o lançamento na esperança de que as músicas poderiam trazer alívio aos fãs durante aquele período.
O timing, que parecia questionável na época, foi certeiro afinal. A celebração do futuro do pop embalada pelas discotecas oitentistas era o frescor necessário naquele momento de incerteza. Essa escolha mais uma vez a consagrou como uma artista autêntica, comprovando que não há fórmulas prontas que sustentem uma carreira se não houver sinceridade e confiança no trabalho produzido.
O carro-chefe do disco, “Don’t Start Now”, tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de Dua, sucedido por mais cinco singles, entre eles “Physical” e “Break My Heart”, que tornaram essa uma das eras melhores trabalhadas no pop atual.
Os elementos dançantes proporcionados pelo baixo e guitarra funkeados, somados aos sintetizadores retro-eletrônicos e as letras cativantes, foram peça-chave para essa espécie de revival do disco e retrô funk.
Mantendo o aspecto de diversão, a era contou com o lançamento do “Club Future Nostalgia”, álbum de remixes que trouxe parcerias com nomes como The Blessed Madonna, Missy Elliot e Kaytranada. Dua ainda manteve a festa rolando com o “Future Nostalgia (The Moonlight Edition)”, versão estendida do disco com faixas inéditas que buscavam manter a longevidade do trabalho, consequentemente promovendo cada vez mais relevância comercial para a sonoridade contemporaneamente nostálgica que ela propôs.
A artista albanesa aproveitou cada oportunidade da era para elevar a sua proposta ao máximo, trabalhando também com parcerias estratégicas em paralelo ao álbum. É o caso de “Cold Heart”, com Elton John, que soma mais de 2 bilhões de reproduções no Spotify, e “Prisioner”, com Miley Cyrus, incluída na versão estendida do álbum.
“Future Nostalgia” recebeu indicações ao Grammy nas categorias de “Álbum do Ano” e “Melhor Álbum Pop”, prêmio que Dua Lipa levou para casa. Aclamado amplamente pela crítica, o disco foi considerado como um dos precursores do retorno da house music por veículos como BBC e The Atlantic, após os lançamento de “Honestly, Nevermind”, do Drake, e “Renaissance”, da Beyoncé.
“Sei que parece loucura, mas quando estava escrevendo o meu primeiro álbum, eu tinha esses pensamentos sobre o terceiro. Eu pensava que, àquela altura, eu talvez merecesse trabalhar com o Tame Impala”, Dua contou em entrevista ao Zane Lowe.
Após o sucesso estrondoso e, até certo pioneirismo em diversos aspectos do “Future Nostalgia”, o sarrafo estava alto pro aguardado retorno de Dua Lipa, quatro anos depois. Realizando o sonho da versão de 2017 da artista, as 11 músicas do álbum “Radical Optimism” foram trabalhadas com Kevin Parker, vocalista do Tame Impala.
Adepta ao poder da manifestação, ela já havia visualizado essa parceria anos antes, e provavelmente sabia que o resultado seria um álbum energizante. Inspirada pelo britpop, com referências como Oasis e Massive Attack, ela ligeiramente foge do disco-pop para adentrar um território mais experimental. Ela não se afastou dos sintetizadores e linhas de baixo grooveadas. Mas, se permitiu apostar em violões vibrantes, pianos e, claro, a entrega vocal já esperada.
“Foi só compor e compor muito, descobrir para onde eu estava indo e experimentar diferentes sons até que eu dissesse: “Consegui! Sei para onde estou indo”. Sempre tem uma música que é aquele momento eureka que te leva para a próxima fase do álbum”, revelou em entrevista à Variety. Para Lipa, esse momento de epifania foi “Illusion”, que ela considera essencialmente otimista.
Esse trabalho nasceu de um momento mais maduro e sincero da artista. Com letras mais pessoais e melodias até mesmo mais próximas de uma balada, como em “Happy For You”, ela se sentiu mais aberta e verdadeira do que nunca em “Radical Optimism”.
“É essa ideia de seguir firme mesmo aos trancos e barrancos, de não permitir que nada deixe você mal por muito tempo. Eu sempre vi o lado positivo das coisas, de ser capaz de evoluir, continuar em frente e mudar sua perspectiva. Independentemente do que esteja acontecendo na sua vida. Seja um fim doloroso, uma amizade, um relacionamento ou seja só crescer e passar a olhar para as coisas de um jeito diferente. Acho que isso é uma grande parte do amadurecimento”, contou ao Zane Lowe.
“Radical Optimism” pode não ser um sucesso comercial à altura do “Future Nostalgia”, mas é um sucesso pessoal. Ele comprova novamente o compromisso de Dua Lipa em ousar e fazer escolhas artísticas nas quais ela plenamente confia.
Trabalhando com colaboradores dos sonhos e levando as músicas ao palco do Glastonbury, palco de sonhos antigos da cantora, o álbum é uma síntese da sede de Dua Lipa por diversão, leveza e otimismo à qualquer custo – uma das suas maiores marcas registradas hoje.
Dua Lipa comemora três décadas de vida com uma discografia que redefiniu os rumos do pop, e construiu credibilidade suficiente para manter seu impacto crescente enquanto um dos maiores nomes do pop atualmente, não importa qual seja sua próxima aventura.






