Rapper se apresenta no palco Flying Fish

Depois de consolidar seu nome como um dos artistas mais inventivos do rap nacional, Fabrício Soares Teixeira, o FBC, vive um momento simbólico na carreira: sua estreia no Lollapalooza Brasil. O rapper mineiro se apresenta no domingo (22), levando ao festival um show que marca o encerramento da turnê do disco “Assaltos e Batidas” (2025).
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Para o show, que acontece às 19h05, no palco Flying Fish, ele aposta em uma formação robusta, com banda completa, incluindo metais, naipe de vozes e DJ . A proposta é transformar o palco do Lollapalooza Brasil em uma retrospectiva de seus 20 anos de trajetória.
Em entrevista ao Tracklist, FBC também refletiu sobre o espaço do rap em grandes festivais, falou sobre seu próximo álbum de estúdio, criticou a falta de posicionamento de parte da cena e reforçou que para ele, “rap é compromisso” — dentro e fora do palco. Acompanhe!
É a primeira vez que eu canto um show meu, né? Já tinha participado com o Djonga, então já conhecia ali o festival, e era um sonho poder me apresentar. Na época, eu ainda não tinha o formato atual — o formato que hoje eu tenho de banda, com bateria, baixo, guitarra, metais, naipe de metal, naipe de voz, DJ e teclado. Então é uma big band.
E eu acredito que a nossa performance, o nosso show, vai ser um show impactante, ainda mais por ser um lugar plural, onde as pessoas não estão ali só por conta de um artista ou outro. Geralmente tem vários públicos que vão por causa de um artista específico.
Meu sentimento é de dever cumprido, sabe? Porque, querendo ou não, é uma forma de me validar dentro do ecossistema brasileiro de festivais.
Porra, vou ter a oportunidade de causar esse impacto nas pessoas que acham que vai chegar ali um MC de rap para fazer uns raps com DJ, aquela coisa que elas já estão habituadas a ver no Instagram, no Twitter ou ouvir.
Algumas pessoas me conhecem por “Está Solteira”, Baile, “Delírios”, e acredito que vai ser um impacto ótimo para que eu possa ganhar novos seguidores, novos colaboradores, pessoas que vão se interessar não só pelo som que elas vão ouvir no show, mas também pelos outros trabalhos que eu já fiz, que eu já lancei.
Acredito que vai ser uma surpresa boa para muita gente.
Olha, o público pode esperar arranjos divinos, quase que celestiais. Todos os músicos que trabalham comigo são músicos excelentes, muito dedicados, que não se contentam em apenas agradar o senso comum.
E as pessoas também podem esperar representatividade, já que existem corpos diversos dentro do formato da banda. As pessoas podem esperar muito posicionamento político também, porque essa é a minha raiz.
Eu fico mais satisfeito do que preocupado. A satisfação é algo bem fácil de entender, porque eu estou há 20 anos fazendo rap, então é lógico que me sinto satisfeito de ver o rap nesses lugares.
Mas a preocupação que eu tenho é ver algumas pessoas perdendo esse compromisso do rap. Porque o rap é compromisso — como o Sabotage já falou. Compromisso com o quê? Com a juventude, com o território de cada um, com a educação, com todas as nossas pautas, com os debates atuais.
E eu sinto que as pessoas têm medo de perder público, têm medo de se posicionar, e o rap não pode perder esse ímpeto — aquilo que fez o rap ser o que foi, o que é e o que sempre deverá ser.
O entretenimento já está dado: se o cara liga o microfone e começa a rimar, isso já é diversão. Mas o compromisso do MC com a cultura não pode se perder por questões econômicas, financeiras ou situacionais.
Nem todo mundo é público. A gente não pode normalizar discursos extremistas, homofóbicos, machistas, xenofóbicos ou racistas. Hoje se discute muito o chamado movimento red pill, que eu acredito nem ser um movimento, mas algo que está sendo construído na mentalidade da sociedade, normalizando comportamentos nocivos.
Como eu aprendi, a revolução é feminina. A gente precisa entender isso. A sociedade está passando por uma evolução muito rápida, discutindo jornada de trabalho, tempo, produção.
O tempo, no fim, é uma construção para produzir mais. Mas a gente vive de ritmo, não de tempo — ritmo da natureza. E a mulher tem o poder da criação.
Atacar o feminino é atacar a sociedade. E a gente não pode deixar de falar sobre isso. Se esse é o debate do momento, esse é o papel do MC dentro da cultura hip-hop.
O rap não é de direita, não dialoga com ideias da extrema-direita. O rap sempre foi progressista, sempre buscou nivelar a sociedade — não mantendo o status quo, mas transformando.
A gente está aqui para questionar estruturas e romper com uma lógica que transforma pessoas em consumidores. Porque, hoje, se você não consome, você deixa de existir socialmente.
Eu queria ver aquela banda Turnstile. Não sei falar inglês, gente (risos). Mas eu queria muito ver a banda porque é uma grande inspiração para o meu próximo álbum.
Acredito que muita gente vai sacar depois e falar: “caralho, então é isso, por isso que ele falou no Twitter que queria ver a banda”.
Eu acompanho eles já tem um tempo, acho que um ano e meio, dois anos. Eu colo muito com a galera do skate, e a galera do skate curte muito. É um show que eu queria muito ver, gosto demais.
O próximo passo é consolidar o meu trabalho aqui no Estúdio Xeque Mate. As pessoas que trabalham comigo concordam que a gente precisa criar uma nova cena, com muito respeito às outras cenas de Minas.
A gente teve o Clube da Esquina, teve o movimento do rock pesado com Sepultura, Sarcófago e outros. Belo Horizonte é reconhecida mundialmente por isso. Também tivemos os movimentos de ocupação, como o duelo de MCs.
Máximo respeito a todos esses movimentos, mas acredito que chegou a hora de criar uma nova cena. É outro momento, outras circunstâncias, outras formas de produção.
As profissões mudam, novas linguagens surgem no campo da informação, do entretenimento, do conhecimento. Meu próximo passo é fazer algo concreto, palpável — algo que as pessoas consigam sentir, tocar. Não só imaginar, mas ver acontecendo de fato.
Sim, 17 de abril.
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