Entrevista: Tash Sultana fala sobre shows no Brasil, nova fase e mais

Artista da Austrália, e apresenta em São Paulo nesta quarta-feira (5)

Foto: Reprodução/Instagram

Há artistas que tocam instrumentos — e há artistas que transformam a própria vida em instrumento. Tash Sultana é do segundo tipo. Desde as ruas de Melbourne até os maiores palcos do mundo, elx se tornou sinônimo de autenticidade, intensidade e experimentação. Agora, sete anos depois da primeira passagem pelo Brasil, Tash retorna ao país para reencontrar um público que aprendeu a amar sua entrega total — imperfeições, camadas e alma incluídas.

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Na noite da última terça-feira (4), Tash fez sua estreia no Circo Voador, no Rio de Janeiro, com a turnê do EP “Return to the Roots” (2025). Já nesta quarta (5), a apresentação desembarca em São Paulo, na Audio, com realização da 30e via Ecossistema Índigo.

Em entrevista ao Tracklist, elx fala sobre a nova turnê, que mistura os clássicos que marcaram sua trajetória com um show mais maduro, emocional e colaborativo — agora acompanhade por uma banda em parte das apresentações. No centro dessa fase está “Sonic Alchemy“, novo álbum que nasce do luto, da tristeza e da reconstrução: “ninguém na Terra está livre de sentir perda”, compartilha.

Vale lembrar que ingressos para os shows de Tash Sultana na capital paulista estão à venda por meio do site Eventim.

Confira abaixo a entrevista completa:

Tash Sultana fala sobre shows no Brasil, nova fase e o poder curativo da música

Tash, essa é a primeira vez que você vem ao país desde 2018. O que seus fãs podem esperar para essas novas apresentações?

É um show novo. E a ideia que as pessoas têm de mim de 2018 é diferente do que eu sou agora. Eu sempre vou ser artista solo. Sempre vai ser um projeto solo, mas é crescido. Eu ainda vou tocar todos os clássicos que todos amam. Mas eu também vou tocar o que me afeta como artista atualmente. E eu vou trazer uma banda para partes do show. E é uma experiência insana, uma montanha-russa emocional.

Sabemos que o Return to the Roots é apenas o início de algo maior, um projeto que promete expandir ainda mais seus horizontes musicais. Quais spoilers você pode dar sobre o que vem por aí?

O nome do disco é “Sonic Alchemy” e é sobre processos de tristeza, sobre todos os períodos de tristeza e vira para a compreensão do que está acontecendo, onde ninguém na Terra está exclusivo de sentir perda e tristeza em um período ou períodos de sua vida. Podemos ser pessoas diferentes, mas nós todos, indevidamente, vamos experienciar perda. 

Seu som transita por tantos estilos — reggae, soul, psicodelia, rock. Quando você está criando, pensa em gêneros ou apenas deixa a música te guiar?

Eu acho que em termos de sensação e eu gosto de fazer o que está certo para a música, sabe? Eu escrevi uma música no outro dia que definitivamente vai ser provavelmente a primeira ou segunda música que eu escrevi. E custou literalmente uma hora para escrever a música. E é assim que você sabe que essa é a que a música precisa ser porque ela veio junto tão rapidamente. Você não tem que sentar e pensar sobre ela, enquanto outras músicas não acontecem assim. 

O público brasileiro costuma ser intenso e muito emocional. O que você mais lembra da sua última passagem pelo país — e o que mais te empolga em voltar?

Eu lembro exatamente que eles eram intensos e profundamente emocionados. E eu acho que culturalmente é a coisa mais linda que existe. O público brasileiro está totalmente aberto para o amor.

Pra encerrar: você fala abertamente sobre saúde mental e autoconhecimento. Que papel a música teve no seu processo de cura e reconstrução pessoal?

Às vezes, o que a vida põe em você, você não entende. E você está tentando aceitar. E você está tentando entender os termos disso. E às vezes realmente não é justo. Às vezes a vida se sente realmente, realmente, realmente infeliz. Mesmo se você tem circunstâncias que são infeliz, ou você teve uma série de maldições, ou você tem isso tudo acontecendo, além da doença mental. Para mim, um lugar que eu posso voltar para que se sentir normal é na música. Sendo em baixo, tocando um instrumento, tocando minha guitarra, cantando músicas, cantando, me leva de volta a um lugar onde, oh, eu entendo isso, pode se sentir tão simples, pode se sentir tão fácil, não precisa ser tão confuso e complicado o tempo todo.


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