Durante sua passagem pelo Brasil para o I Wanna Be Tour 2025, o Yellowcard conversou...

Durante sua passagem pelo Brasil para o I Wanna Be Tour 2025, o Yellowcard conversou em entrevista ao Tracklist sobre seu retorno ao país, refletiram sua importância na música emo e alternativa hoje e celebraram o sucesso do seu mais novo single “Better Days“, que nomeia o futuro álbum de estúdio da banda e conquistou o primeiro lugar na parada Alternative Airplay da Billboard – pico de estreia do grupo na parada norte-americana.
Leia a seguir o papo com o vocalista Ryan Key e o violinista Sean Mackin! Lembrando que o disco “Better Days” estará disponível no dia 10 de outubro, e foi co-produzido por Travis Barker, que toca bateria em todas as faixas. Além da faixa-título, os singles “Bedroom Posters”, “honestly i” e “Take What You Want” já estão em todas as plataformas digitais.
Como é estar de volta ao Brasil, principalmente com música nova?
Sean Mackin: É ótimo. Acho que a gente sempre fala para os nossos amigos e família que os fãs brasileiros não se comparam a nenhum outro no mundo todo. E já se passaram 12 anos, então é uma baita celebração o Yellowcard voltar e começar esse capítulo do “Better Days” aqui.
Ryan Key: Sim. Eu acho que o fato de não termos conseguido vir em 2016, quando a gente achava que ia fazer os últimos shows da nossa carreira, foi bem chato para os fãs brasileiros. Eles não iam poder fazer parte daquilo. E foi um período muito triste, os shows eram tristes, sabe? Então estar de volta agora…
Sean: …e estar feliz.
Ryan: E estar tocando shows que parecem ser só o começo de algo incrível que pode estar acontecendo para a gente, sabe? Estamos em primeiro lugar nas rádios dos Estados Unidos agora, é um momento muito empolgante para a banda. Então, no fim, foi até melhor a gente não ter vindo em 2016, porque agora podemos compartilhar toda essa alegria juntos.
Incrível. Eu queria mesmo falar sobre essa conquista. Parabéns!
Ryan e Sean: Obrigado!
E como foi receber essa notícia do número 1?
Sean: Foi incrível!
Ryan: É demais, porque não é como se você descobrisse no dia, sabe? Você vai acompanhando acontecer bem devagar, e aí conforme vai chegando perto, você começa a pensar: “Está rolando! Isso pode mesmo acontecer!”.
Sean: E aí acho que você se dá conta tipo: “Nossa banda vai tocar no rádio!”. E a gente: “Nossa, vamos para o rádio!”. De repente: “Vocês têm um hit no top 20!”. E a gente: “Caramba, top 20!”. Aí chega no terceiro lugar, e pensamos: “Não é possível!”.
Ryan: É! Levou mais ou menos uma semana inteira antes de realmente se tornar oficial, que isso ia acontecer. Então, durante toda aquela semana, eu ia até o quarto toda manhã, onde quer que minha esposa estivesse, vendo a atualização das paradas por volta das nove da manhã. Na verdade, chegamos ao número 1 na quarta ou quinta daquela semana, mas você precisa se segurar até o domingo de manhã para ser oficialmente número 1. Então, na quarta ou quinta, eu corri: “Olha, olha!” [mostrando o celular]. Então, sim, é um grande sentimento.
Sean: Nunca tivemos um número 1.
Ryan: Nunca tínhamos aparecido na rádio de verdade. Então a primeira música que a gente vai oficialmente para a rádio chegar ao número 1 é surreal.
Sean: É inacreditável.
Ryan: Fiquei tentando pensar em outra banda que tenha essa mesma história. Quando mandei mensagem para o Travis [Barker] contando, não sei o quanto ele estava acompanhando, mas eu disse que tínhamos pego o número 1, e ele respondeu que não conseguia pensar em nenhuma outra banda além do blink-182 e do Yellowcard que tenha essa história de redenção, 20 anos depois, voltando com força. O blink também teve esse momento incrível com “One More Time…”, quando parecia que tudo tinha acabado para eles, igual para a gente. Então trabalhar com ele e ter essa experiência em comum é muito surreal. Acho que nos aproxima ainda mais.
Quando tudo aconteceu da primeira vez, éramos muito jovens, e várias coisas que eu devia ter aproveitado, sentido gratidão de verdade, acabaram passando batidas porque eu era imaturo, perdido, nem sabia quem eu era. Então, um dos maiores prazeres dessa fase é ter maturidade emocional para reconhecer o quão especial isso é. Todo dia eu acordo pensando: “Caramba, isso é incrível”. E é melhor agora. De alguma forma é mais puro, eu valorizo mais.
Vocês citaram o Travis Barker, que já trabalhou com inúmeros artistas. Como foi trabalhar com ele e esse processo de coprodução?
Sean: Foi incrível. No começo, você nem imagina que alguém como ele vai assumir o comando. E nós tivemos relacionamentos incríveis, relacionamentos de uma vida inteira com pessoas que produziram nossos discos e escreveram músicas para nós. Aí o Travis chegou tipo: “Ei, querem escrever? Querem escrever uma música comigo? Vem para o meu estúdio”. E virou algo gigante e especial. Eu até brinco com o Ryan, porque às vezes a gente sente aquela pressão de: “Precisamos ir para o estúdio, precisamos escrever músicas que as pessoas gostem”. Mas com o Travis não acontecia essa pressão. A gente não pensava: “Temos que ir lá e escrever uma boa música”. Simplesmente estávamos com o Travis, escrevendo boas músicas.
Acho que todo mundo conhece o Travis como esse baterista insano do blink-182, mas a gente não o conhecia como produtor, artista, letrista, amigo, irmão… Ele tocou em todas as músicas e fez tudo ficar ainda mais especial para o Yellowcard.
Vocês estão no Brasil para tocar em um festival focado na música alternativa e emo. Como vocês veem o cenário hoje e a importância do Yellowcard nele?
Ryan: Está vivo e muito bem!
Sean: Está prosperando!
Ryan: Sobre o nosso lugar nisso tudo, eu só me sinto sortudo. Tivemos a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, duas vezes na vida. No começo dos anos 2000, a gente nem imaginava que nossa banda ia chegar ao sucesso com “Ocean Avenue”, que virou um single internacional. Mas não foi só a gente: Fall Out Boy, My Chemical Romance, The All-American Rejects, Good Charlotte… poderia citar vários. Todos tínhamos a mesma idade, pegamos aquela onda juntos. Agora é surreal pensar que está acontecendo de novo, e que a gente ainda está aqui, podendo fazer parte.
Acredito que dessa vez não é tanto sobre “eu, eu, eu” ou “a gente, a gente, a gente”, como foi antes. Desta vez é muito mais sobre reconhecer o nosso lugar nisso. Sobre a sua pergunta, o nosso lugar nesse cenário, onde a gente se encaixa e como temos sorte de estar fazendo música com os nossos colegas de novo, porque eu estou muito empolgado por todo mundo, sabe? O Good Charlotte está tocando nas rádios, os Rejects, todo mundo. Está todo mundo prosperando.
Falando por mim de novo, eu realmente tive muita dificuldade, lá em 2004, para lidar com a insegurança e por não saber quem eu era, com todo aquele sucesso que tivemos. Desta vez, eu consigo reconhecer muito mais as coisas especiais que a gente vive junto com os outros artistas, porque sem esse festival no Brasil a gente não conseguiria fazer isso sozinhos. Estamos aqui por causa do Fall Out Boy, do Good Charlotte, do Story Of The Year. Toda a comunidade se juntou de novo, sem nem perceber, para criar essa onda gigante de amor pela música que todos nós fazemos, e é muito, muito legal poder fazer parte disso.
Para a nossa última pergunta, nosso site se chama Tracklist. Quais seriam as três músicas da tracklist da vida de vocês?
Ryan: Eu diria provavelmente “Fake Plastic Trees”, do Radiohead. “Today”, do Smashing Pumpkins. E “Immunity”, do Jon Hopkins.
Sean: Para mim, “November Rain”, do Guns N’ Roses. Eu sou muito de sinfonia, rock de arena. Também “Disarm”, do The Smashing Pumpkins. E tem uma chamada “Chasing Rainbows”, do No Use For A Name. Eles influenciaram muito a gente, pelo jeito que escreviam guitarras, deram uma direção para a nossa banda. Meio que foram eles que trouxeram o violino para a gente. E isso é uma parte muito importante de quem nós somos.






