Quando explodiram na cena emo e pop punk na primeira metade da década de 2000,...

Quando explodiram na cena emo e pop punk na primeira metade da década de 2000, o Good Charlotte vivia uma energia “selvagem”, de acordo com o vocalista Joel Madden em entrevista ao Tracklist. Foi em meados desse período, mais precisamente em 2005, que o grupo norte-americano veio ao Brasil pela primeira – e até então única – vez.
Desde então, muita coisa mudou nas vidas de Joel, Benji Madden (guitarra), Billy Martin (guitarra), Paul Thomas (baixo) e Dean Butterworth (bateria). Retornando ao país após 20 anos para o festival I Wanna Be, em São Paulo e em Curitiba, é inegável não olhar para o passado e refletir as principais diferenças em relação ao começo da carreira.
“Não sabíamos o que estávamos fazendo, para onde estávamos indo. A gente não pensava em nada”, diz Joel. “Acho que perdíamos a chance de entender o quão especiais algumas daquelas experiências eram. Embora aquela energia fosse divertida, às vezes acho que ela não era sustentável.”
A maturidade é um ponto-chave para o momento atual do Good Charlotte – e de comum acordo entre os irmãos Madden. “É um tipo diferente de experiência agora, e acho que isso vem com a idade, sabe? Tem algumas coisas que você não consegue alcançar até chegar lá. Você tem que viver, amadurecer e ter experiências”, pontua Benji em entrevista do Good Charlotte ao Tracklist.
Joel concorda. “Quando ficamos mais velhos, sentimos que seguimos num ritmo em que conseguimos valorizar mais as oportunidades, os momentos, os shows, as pessoas que conhecemos, os lugares que conseguimos ver.”
Em atividade desde 1996, a banda coleciona oito álbuns de estúdio. O mais recente, “Motel Du Cap”, foi lançado em agosto deste ano. A mesma maturidade que Joel e Benji mencionaram em relação à vida do grupo se reflete na evolução de sua sonoridade.
“Acho que esse é o nosso melhor disco”, pondera Benji. “Acho que, com o tempo, as pessoas vão entendê-lo melhor. Quando penso em ‘Chronicles of Life and Death’ (2005), ‘Good Morning Revival’ (2007), até em ‘Cardiology’ (2010), as pessoas não entenderam de início as melhores partes daqueles álbuns, e anos depois elas dizem: ‘é o meu álbum favorito’. E este álbum [‘Motel Du Cap’] tem um pouco de cada.”
O novo trabalho, o primeiro em sete anos, conta com os singles “Stepper”, “Rejects” e “I Don’t Work Here Anymore”. Produzido por Zakk Cervini e Jordan Fish e escrito por Joel, Benji e Mattias Bylund, “Motel Du Cap” marca o disco mais pessoal do Good Charlotte até hoje e reencontra Paul Thomas e Billy Martin, também membros originais da banda.
Para o guitarrista, o retorno representa uma verdadeira renovação. “É uma evolução para nós depois de ficarmos sete, oito anos, sem lançar nada, e voltarmos completamente recarregados, como se tivéssemos vivido uma segunda vida inteira, mas trazendo toda a experiência dos discos anteriores, de tudo o que aprendemos com diferentes produtores e músicos.”
Por sua vez, Joel acredita que o principal “guia” do processo criativo para o novo disco foi a autenticidade. “Não tivemos que pensar em ‘ser o Good Charlotte’ ou em soar de determinada forma. A gente só queria fazer boas músicas. Estávamos focados em perguntar: ‘essa é uma boa música? Isso passa uma boa sensação?’. Acho que por isso esse acabou sendo o álbum mais natural que já fizemos.”

Os shows do Good Charlotte no I Wanna Be Tour foram alguns dos mais comentados e elogiados da edição. Entre os pontos altos das apresentações, as artes no telão proporcionam identidade visual a cada música e a intensidade na performance resultou em respostas enérgicas do público.
“É louco olhar para o tamanho dos shows pelo mundo, não só os nossos. Agora existem várias gerações que abraçam esse som. Muitos jovens estão indo aos nossos shows pela primeira vez, nunca tinham nos visto nem experimentado esse tipo de música ao vivo – que, no fim, foi feita para ser vivida assim”, comenta Joel.
O retorno ao Brasil se relaciona com o ponto de vista de Madden, uma vez que foi a primeira oportunidade que fãs de longa data tiveram de assistir a um show do Good Charlotte. Quando o vocalista perguntou às plateias de Curitiba e de São Paulo se aquela era a primeira apresentação do grupo para alguém, a maioria esmagadora do público levantou os braços em êxtase.
Tamanha sinergia com os fãs brasileiros empolgou os integrantes. Em Curitiba, Joel mencionou duas vezes que aquele era um dos melhores shows da vida do grupo, e coroou, no palco, o de São Paulo como o favorito. Ainda disse que o Good Charlotte voltaria para uma turnê no Brasil em 2026 – confirmado ou não, a expectativa alta se mantém.
“Nós estamos muito felizes por estarmos aqui”, disse Benji durante a entrevista. “Muito obrigado por nos receberem e por todo o apoio. Mal podemos esperar para voltar”, concluiu o guitarrista.






