“Agora a Inteligência Artificial foi longe demais.” A frase se repete nos comentários como um...

“Agora a Inteligência Artificial foi longe demais.” A frase se repete nos comentários como um bordão involuntário — e com razão. Marisa Maiô, a apresentadora de auditório que virou obsessão nas redes sociais, surge com maiô preto, postura de diva veterana e respostas tão afiadas quanto improváveis.
Mas antes que você vá procurar o horário do programa dela na grade da TV aberta… vale o aviso: ela não existe.
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Em 2014, um projeto caseiro feito com “The Sims 4” virou mania entre internautas brasileiros. Com figuras em uma estética peculiar e roteiros dignos de novelão, a websérie “Girls In The House” não apenas viralizou: moldou um estilo de humor que ecoa até hoje nos cantos mais aleatórios da internet.
Agora, mais de uma década depois, seu criador, Raony Phillips — ou Rao — volta a incendiar as redes com uma nova personagem tão carismática quanto Duny, mas criada de forma 100% artificial. Mas afinal, quem é Marisa Maiô? E o que o retorno de Rao ao centro do zeitgeist online revela sobre o futuro do entretenimento? O Tracklist te conta abaixo!
Com a ascensão do modelo Veo 3, da Google — uma ferramenta capaz de criar vídeos ultrarrealistas com inteligência artificial —, centenas de conteúdos humorísticos tomaram as redes com figuras bíblicas, históricas ou pessoas completamente fictícias. Marisa Maiô é uma delas. E, a esta altura, já tem até campanha publicitária no currículo.
Nos vídeos, vemos recortes de quadros em um suposto programa de auditório. As cenas são tão absurdas que dificilmente caberiam em formatos televisivos tradicionais — e é justamente aí que mora o charme. Como tudo é gerado por IA, Marisa, suas convidadas e até a plateia se jogam em um caos controlado que só faz sentido na lógica do algoritmo.
Em um deles, a apresentadora faz uma pergunta para uma médica sobre o que é necessário para parar de ter espinhas, e a resposta é direta: “É só parar de ter”, ao que Marisa devolve: “obrigada, gente! Essa foi a inútil da médica”. A reação da plateia — também simulada — entrega gargalhadas e palmas com perfeição quase desconcertante. É o tipo de nonsense que só a inteligência artificial conseguiria executar com esse timing cômico.
Mas aí vem a pergunta: até onde pode ir essa tecnologia? E quais os impactos que ela traz para o mercado de marketing, produção de conteúdo e entretenimento no Brasil? Em recente entrevista ao Fantástico, Raony falou sobre o assunto.
Ao dominical da Globo, Rao contou que escreve os roteiros, cria as piadas e define as características dos personagens. Para ele, o elemento humano ainda é essencial. “Sem aquele texto, sem a parte humana por trás daquilo ali, jamais teria virado aquilo que virou. Eu estou muito surpreso ainda”, disse.
Ele também comentou sobre o receio — comum entre artistas — diante do avanço acelerado da IA: “Como artista, a gente morre de medo dessas coisas, né? Tipo assim, como que isso vai evoluir, que ponto que isso pode impactar no nosso trabalho. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que a gente tem que ver, né? Para entender: opa, é assim que funciona. Então ok, estou começando a entender”.
Marisa Maiô não veio substituir ninguém — mas escancarar possibilidades. Criada por um roteirista real, para rir de um mundo quase irreal, ela talvez seja só o começo de um novo capítulo onde criatividade e algoritmo andam lado a lado. E onde o limite, mais do que nunca, continua sendo o bom senso. Ou a falta dele.
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